Estima-se que o país possa registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, impulsionado pela combinação de temperaturas elevadas e chuvas que favorecem o acúmulo de água e a proliferação do vetor Aedes aegypti.  Diante das previsões, o Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica para alertar estados e municípios sobre o risco de aumento nas arboviroses.

O cenário de alerta contrasta com a retração observada recentemente. Até 20 de junho deste ano, o Brasil acumulou 392,8 mil casos de dengue, o que representa uma queda de 73% em relação ao mesmo período do ano anterior, além de uma redução de 46% nos registros de chikungunya. No entanto, as autoridades reforçam que a prevenção não pode ser afrouxada.

As previsões incluem o El Niño, que tem grandes chances de se manifestar com intensidade moderada a forte no segundo semestre deste ano, acendendo o sinal amarelo para a gestão pública e os órgãos de saúde.  O índice de probabilidade de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro chega a 81%, de acordo com projeções atualizadas da agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).

O fenômeno climático é causado pelo aquecimento acima da média da superfície do Oceano Pacífico equatorial — que altera o ritmo das chuvas e provoca picos de calor. Se confirmado pelos dados oficiais, este pode ser o maior El Niño registrado desde o início das medições, em 1950, com permanência estimada até meados de 2027.

Ações de enfrentamento e vigilância em saúde

Para atenuar os impactos, o Ministério da Saúde defende a intensificação imediata das ações de vigilância por parte dos governos locais. Entre as recomendações prioritárias estão:

  • Bloqueios de transmissão logo após a identificação dos primeiros casos suspeitos;

  • Reestruturação das tarefas executadas pelos agentes de combate às endemias;

  • Aplicação rigorosa das tecnologias de controle vetorial indicadas pelo órgão federal.

A população também é convocada a desempenhar um papel ativo na eliminação de possíveis criadouros domiciliares e na atenção precoce aos sintomas das doenças. Seguindo as boas práticas recomendadas para publicações científicas e institucionais, pesquisadores e gestores podem acompanhar os boletins epidemiológicos atualizados por meio da plataforma InfoDengue da Fiocruz.

Saúde do RJ cria plano de adaptação climática

Em âmbito regional, frentes estratégicas já estão em andamento. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), por meio do Centro de Inteligência em Saúde (CIS) e da Vigilância Ambiental, desenvolve um Plano de Adaptação Climática robusto para preparar a rede assistencial. A iniciativa inclui oficinas de capacitação para gestores municipais em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), visando o alinhamento de planos de contingência.

Como parte dessa estrutura, foi lançado o Índice Multidimensional de Excesso de Calor (IMEC), ferramenta voltada a classificar o nível de risco dos municípios considerando variáveis meteorológicas, capacidade de atendimento das unidades de saúde, infraestrutura e presença de áreas de vulnerabilidade socioambiental. O planejamento técnico prioriza grupos suscetíveis, como idosos, crianças menores de cinco anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos diretamente ao sol.

Para subsidiar o monitoramento diário, a Secretaria disponibiliza ferramentas públicas como o Monitoramento de Excesso de Calor, o Monitoramento de Chuvas Intensas, o Mapeamento de Suscetibilidade Ambiental e o Painel Monitora, que reúne dados sobre atendimentos de urgência associados às ondas de calor nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

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Com Assessorias e Agência Brasil

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