Apesar de a circulação do mosquito Aedes aegypti ser comumente associada aos dias quentes e chuvosos do verão, o combate à dengue exige atenção contínua durante o ano todo. Em pleno inverno, o estado de São Paulo já contabiliza 58.683 casos confirmados de dengue desde o início de 2026, além de 42 óbitos confirmados e outros 30 em investigação.
O número atual demonstra a persistência da circulação do vírus no estado. Do total de confirmações em São Paulo, 57.402 são de dengue clássica, 1.180 de dengue com sinais de alarme e 101 classificadas como dengue grave. O município de Taubaté lidera o índice de mortalidade no estado, somando 11 mortes — sendo sete pacientes entre 10 e 79 anos e quatro com mais de 80 anos.
O comportamento da doença: a transição entre as temporadas
A oscilação anual é uma das características marcantes das arboviroses no Brasil. Em 2024, o país viveu uma de suas piores crises epidêmicas, ultrapassando 6,5 milhões de casos prováveis de dengue. Em 2025, observou-se uma redução expressiva, registrando cerca de 1,6 milhão de casos até meados de novembro.
Embora o período oficial de maior transmissão no estado de São Paulo ocorra entre outubro e maio, o fim do inverno marca o momento decisivo para conter a proliferação do vetor antes do pico de calor.
Calor, chuvas e influência do El Niño elevam risco de dengue no Brasil
Especialista explica como as mudanças climáticas favorecem a proliferação do Aedes aegypti, alerta para os sintomas da doença e reforça medidas de prevenção
A influência do El Niño sobre o clima brasileiro mantém em alerta especialistas e autoridades de saúde diante do aumento do risco de dengue, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. O fenômeno provoca aumento de temperatura e chuva, criando condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.
Para conter futuros avanços, a Secretaria da Saúde de São Paulo lançou o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, focando na identificação de regiões prioritárias e apoio técnico aos municípios. Além disso, o programa IGM SUS Paulista repassou mais de R$ 1,5 bilhão às prefeituras desde 2024 para reforçar a Atenção Primária no combate às arboviroses urbanas.
Segundo a infectologista Tassiana
O excesso de chuvas aumenta a quantidade de focos de reprodução e as temperaturas elevadas aceleram o desenvolvimento do mosquito, o que resulta em maior circulação do vírus e mais casos”, afirma.
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Como diferenciar a dengue de outras viroses comuns?
A médica explica que existem quatro sorotipos da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e que os sintomas iniciais tendem a ser semelhantes. “O que muda é a gravidade, principalmente em pessoas que já tiveram a doença por outro sorotipo”, diz. Nesses casos, aumenta a chance de complicações como sangramentos, queda de pressão e dor abdominal persistente.
Na prática, diferenciar dengue de outras viroses comuns, como gripe ou Covid-19, nem sempre é simples. “Ela costuma provocar febre alta, dores intensas no corpo, dor de cabeça e mal-estar intenso, enquanto infecções respiratórias tendem a vir acompanhadas de tosse, coriza e dor de garganta”, explica. A orientação é buscar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce influencia diretamente a evolução do quadro.
Alguns sinais exigem atenção imediata, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência excessiva ou queda de pressão. “Esses sintomas indicam risco de agravamento e demandam avaliação rápida”, afirma. Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas ou imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações.
Outro alerta é contra a automedicação. “Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos”. A médica reforça ainda que a hidratação adequada também é fundamental durante o quadro, ajudando na recuperação e na redução de complicações.
Mesmo após a melhora inicial, o acompanhamento segue sendo importante, já que casos aparentemente leves podem evoluir de forma inesperada. Avanços nos testes rápidos têm facilitado o diagnóstico nos primeiros dias da infecção, permitindo intervenções mais precoces.
Cuidados e vacinação: o que muda para o próximo ciclo
O perigo da dengue no inverno: por que a prevenção começa agora
No âmbito da imunização, o cenário nacional conta com avanços. Desde janeiro de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a aplicar a Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo. Destinada à população de 12 a 59 anos, a vacina apresentou 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos e mais de 90% de proteção contra formas graves da doença.
Entretanto, especialistas lembram que a vacina é apenas uma das camadas de proteção. Além do cuidado individual, a prevenção continua sendo a principal estratégia contra a dengue. “Eliminar água parada em recipientes domésticos, manter caixas-d’água bem vedadas e observar ralos, bandejas e vasos de plantas são medidas simples que reduzem significativamente o risco de transmissão”, conclui.
O erro mais comum é tratar a prevenção como resposta a um surto. O mosquito que vai causar a epidemia de fevereiro está se reproduzindo agora, num prato de planta que ninguém olhou. Prevenção de arbovirose é uma rotina de meses, não uma reação de semanas”, explica Mario Ferretti, líder médico na Alice.
Guia de prevenção: 5 medidas essenciais
Para evitar novos surtos no próximo verão, o Dr. Mario Ferretti elenca recomendações fundamentais:
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Eliminar criadouros semanalmente: Checar água parada em pratos de vasos, pneus, calhas e caixas d’água. A verificação deve ser uma rotina constante.
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Verificar a elegibilidade para a vacina: Consultar profissionais de saúde para checar os critérios do SUS, lembrando que há contraindicações específicas para gestantes, lactantes e idosos acima de 60 anos.
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Reduzir a exposição a picadas: Utilizar repelentes registrados na Anvisa, roupas compridas e telas protetoras, atentos ao hábito prioritariamente diurno do Aedes aegypti.
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Reconhecer os sinais de alarme: Ficar atento a sintomas graves como dor abdominal intensa, vômitos contínuos e sangramentos.
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Evitar a automedicação: Medicamentos comuns podem agravar o risco de sangramentos no quadro de dengue; a avaliação médica prévia é indispensável.
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Com Assessorias

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