Depois de dias com temperaturas mais altas em pleno inverno, típicas dos chamados veranicos, o frio voltou a aparecer, já no final do inverno. E quando o termômetro muda rapidamente, muita gente percebe o corpo reagir: nariz entupido, espirros, garganta ressecada, indisposição e aquela sensação popular de que “a imunidade baixou”. Mas será que passar do calor para o frio em poucos dias realmente enfraquece nossas defesas?
Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, é importante não colocar toda a culpa no termômetro. A mudança de temperatura, isoladamente, não causa gripe ou resfriado. Essas doenças são provocadas por vírus. O que muda é o conjunto de condições ambientais e comportamentais que acompanha a chegada do frio.
Saímos de dias quentes, nos quais as pessoas ficam mais tempo ao ar livre e mantêm os ambientes abertos, para dias em que fechamos portas e janelas e permanecemos mais próximos uns dos outros. Ao mesmo tempo, o ar seco e as mudanças ambientais podem aumentar o desconforto das vias respiratórias. É essa combinação que precisa ser observada”, explica Jamar.
O organismo precisa se adaptar
Nosso corpo trabalha constantemente para manter sua temperatura interna dentro de uma faixa adequada. Quando o ambiente esfria, mecanismos fisiológicos entram em ação para conservar calor.
Nas vias respiratórias, a história é um pouco diferente. O nariz tem, entre suas funções, aquecer, umidificar e filtrar o ar antes que ele chegue aos pulmões.
Quando o ar está frio e seco, algumas pessoas podem apresentar maior ressecamento e irritação das mucosas. Quem já sofre com rinite ou outras condições respiratórias pode perceber ainda mais a mudança.
“É comum ouvir: ‘Ontem estava calor e hoje esfriou, por isso fiquei gripado’. Não necessariamente. Espirro, coriza e nariz entupido também podem estar relacionados à rinite e à irritação das mucosas. Para existir gripe, é necessário haver infecção pelo vírus influenza”, ressalta o farmacêutico.
Frio não causa gripe, mas muda nosso comportamento
Existe outra razão para associarmos tanto frio e doenças respiratórias. Quando as temperaturas caem, passamos mais tempo em locais fechados e menos ventilados. Se houver uma pessoa infectada nesses espaços, a proximidade pode favorecer a transmissão de vírus respiratórios.
Por isso, algumas atitudes continuam importantes: manter a vacinação recomendada em dia, ventilar os ambientes, higienizar as mãos e evitar compartilhar objetos de uso pessoal. E existe um cuidado básico frequentemente esquecido no frio: beber água.
Quando esfria, muitas pessoas sentem menos sede e diminuem bastante a ingestão de líquidos. Mas hidratação continua sendo fundamental, inclusive para o conforto das mucosas”, explica Jamar.
Chá ajuda a “aumentar a imunidade”?
Com a queda da temperatura, chaleiras e canecas voltam à rotina. Gengibre, limão, camomila, hortelã e outras plantas são frequentemente procurados com a promessa de “aumentar a imunidade”.
Jamar faz uma ressalva importante: não existe um chá capaz de criar uma barreira contra gripes e resfriados. Isso não significa que a bebida não possa ser uma aliada.
Uma bebida quente pode contribuir para a hidratação e trazer conforto para quem está com a garganta irritada ou sentindo os efeitos do frio. O problema começa quando tratamos o chá como se fosse um medicamento capaz de impedir uma infecção”, afirma.
Entre as opções que podem fazer parte da rotina estão:
- Gengibre: pode ser utilizado em infusões e proporciona uma bebida aromática e aquecida. Pessoas que utilizam medicamentos regularmente ou apresentam determinadas condições de saúde devem conversar com um profissional antes de consumir grandes quantidades ou preparações concentradas.
- Camomila: tradicionalmente utilizada como bebida associada a relaxamento e pode ser uma opção no período noturno.
- Hortelã: bastante utilizada após refeições e em bebidas quentes, principalmente por seu aroma e sensação refrescante.
- Limão: pode ser acrescentado às bebidas e contribui nutricionalmente, inclusive como fonte de vitamina C, mas não deve ser apresentado como tratamento ou prevenção isolada de infecções.
Quando falamos de imunidade, precisamos pensar no conjunto: alimentação adequada, sono, atividade física, vacinação, controle do estresse e tratamento correto das doenças existentes. Não existe um ingrediente isolado que substitua tudo isso”, reforça Jamar.
Cuidado com a farmacinha quando o tempo vira
É comum que a mudança brusca de temperatura venha acompanhada de outro comportamento: a automedicação. Descongestionantes nasais, antialérgicos, xaropes e até antibióticos que sobraram de tratamentos anteriores acabam sendo utilizados sem avaliação.
Esse hábito merece atenção. Antibióticos não tratam gripe ou resfriado, que são causados por vírus. Descongestionantes vasoconstritores também não devem ser usados indiscriminadamente, porque podem provocar efeitos adversos e, quando utilizados inadequadamente por períodos prolongados, piorar a congestão nasal.
Antes de tomar alguma coisa porque ‘o tempo virou’, precisamos entender o que está acontecendo. Uma rinite, um resfriado e uma gripe podem compartilhar alguns sintomas, mas não são a mesma coisa”, alerta Jamar.
Muito além da vitamina C: 6 hábitos que ajudam a fortalecer a imunidade
Especialista explica por que a alimentação faz diferença na defesa do organismo e quais atitudes simples podem ajudar a passar pela estação mais saudável
Dados do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que o inverno concentra um aumento na circulação de vírus respiratórios em diversas regiões do país. O motivo está na combinação de fatores típicos da estação: mais tempo em ambientes fechados, menor ventilação, ar seco, redução da prática de atividades físicas e até menor exposição ao sol. A boa notícia é que pequenas mudanças na rotina podem contribuir para o bom funcionamento do sistema imunológico.
Segundo Valquíria Soares, nutricionista da Mundo Verde, não existe fórmula mágica quando o assunto é imunidade. “Muitas pessoas procuram um alimento ou suplemento capaz de impedir gripes e resfriados, mas a ciência mostra que o sistema imunológico depende de um conjunto de fatores. Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes, aliada ao sono de qualidade, à hidratação e ao controle do estresse, é o que realmente ajuda o organismo a responder melhor às infecções”, explica.
A especialista aponta seis hábitos que ajudam a fortalecer a imunidade:
1. Aposte em um prato colorido- frutas, verduras e legumes oferecem vitaminas e minerais essenciais para o funcionamento das células de defesa. A vitamina C, presente em acerola, kiwi, laranja, goiaba e morango, é uma importante aliada, mas não trabalha sozinha. Nutrientes como zinco, selênio, vitamina A, vitamina D e proteínas também desempenham funções importantes para manter o organismo preparado. “O segredo não está em um único alimento, mas na variedade. Quanto mais colorido e equilibrado for o prato, maior será a oferta de nutrientes importantes para a imunidade”, afirma a nutricionista.
2. Aproveite o inverno para preparar refeições nutritivas- nos dias frios, sopas e caldos podem ir muito além do conforto. Preparações feitas com legumes, verduras, proteínas magras e leguminosas reúnem vitaminas, minerais, fibras e proteínas em uma única refeição. Algumas boas opções são: sopa de abóbora com frango desfiado e couve, caldo de lentilha com legumes, creme de mandioquinha com carne magra e canja de frango enriquecida com legumes.
3. Cuide da saúde do intestino- grande parte das células do sistema imunológico está associada ao intestino. Por isso, manter uma microbiota equilibrada também faz diferença. Alimentos ricos em fibras, como aveia, sementes e cereais integrais, além de fermentados, como iogurte natural e kefir, ajudam a manter esse equilíbrio.
4. Não esqueça de beber água- no inverno, a sensação de sede diminui, mas o organismo continua precisando de hidratação. A ingestão adequada de água ajuda a manter as mucosas do nariz e da garganta hidratadas, fortalecendo uma das primeiras barreiras naturais contra vírus e bactérias. Os chás sem açúcar, como gengibre, hortelã e camomila, também podem ser aliados para complementar a hidratação.
5. Durma bem e aproveite o sol- dormir entre sete e nove horas por noite permite que o organismo realize processos importantes para a regulação da resposta imunológica. Sempre que possível, também vale aproveitar alguns minutos de exposição ao sol, nos horários recomendados, para favorecer a síntese de vitamina D.
6. Inclua aliados naturais na sua rotina- shots funcionais preparados com cúrcuma, gengibre, limão e extrato de própolis, por exemplo, fornecem compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória. “Os shots funcionais podem ser um complemento interessante dentro de uma alimentação equilibrada, já que reúnem ingredientes ricos em compostos bioativos. Eles ajudam a enriquecer a rotina alimentar, mas seus benefícios são potencializados quando associados a hábitos saudáveis, como uma dieta variada, boa hidratação, sono de qualidade e prática regular de atividade física. Já a suplementação deve ser individualizada e orientada por um profissional de saúde, para atender às necessidades de cada pessoa”, finaliza Valquíria.
Com Assessorias




