As mudanças climáticas já são realidade e impactam todo o planeta, em especial as populações mais vulneráveis. O alerta marca esse Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), data em que VIDA E AÇÃO também celebra seus 10 anos de existência, defendendo o cuidado com o planeta como uma pauta de urgência vital para a saúde humana e animal.
O conceito de Saúde Única (One Health) se tornou um pilar estratégico da linha editorial do VIDA E AÇÃO, que ainda criou a subeditoria Crise Climática, destacando os graves impactos da emergência climática na Saúde. Esta abordagem inovadora no Jornalismo Ambiental é preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), defende que a saúde humana, a integridade ambiental e a saúde animal formam um sistema único e indissociável.
Para a jornalista Rosayne Macedo, editora do VIDA E AÇÃO e membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RJJA) e da Comissão de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a garantia de uma imprensa livre para relatar a degradação dos ecossistemas está diretamente conectada ao conceito de Saúde Única.
Quando jornalistas são agredidos, presos ou impedidos de acessar territórios devastados pelo garimpo e pelo desmatamento, a sociedade perde a capacidade de monitorar desequilíbrios ecológicos severos que, inevitavelmente, desencadeiam crises sanitárias globais, como a proliferação de zoonoses e o agravamento de vulnerabilidades climáticas“, diz ela.
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Os dez principais obstáculos que ameaçam o direito à informação ambiental
Para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente – data que também registra o quarto ano do trágico assassinato do jornalista britânico Dom Phillips (foto acima) e do indigenista Bruno Pereira na Amazônia brasileira —, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou um manifesto global alertando para os crescentes perigos enfrentados por profissionais da imprensa que cobrem a pauta ecológica.
O relatório identifica dez obstáculos recorrentes que tentam silenciar investigações sobre crimes ambientais e mudanças climáticas. Abaixo, conheça os dez principais obstáculos mapeados pela RSF que ameaçam o direito à informação ambiental em todo o mundo:
1. Áreas de acesso proibido
O bloqueio físico é a primeira barreira no trabalho de campo. Em locais de extração predatória, profissionais enfrentam forte violência; no oeste de Gana, por exemplo, repórteres das emissoras Channel One TV, Citi FM e Angel TV foram agredidos e impedidos por garimpeiros de filmar a mineração ilegal em áreas agrícolas. O cenário global é crítico, dado que quase dois terços dos recursos naturais do planeta estão concentrados em nações com severas restrições à liberdade de imprensa, como China e Arábia Saudita, ou em regiões assoladas por conflitos armados e insegurança, a exemplo da República Democrática do Congo (RDC) e países do Sahel africano.
2. Informações bloqueadas
A retenção e o apagamento de dados oficiais comprometem o direito à informação técnica de interesse público. Nos Estados Unidos, o retorno de Donald Trump à Casa Branca resultou na remoção de milhares de páginas e dados sobre meio ambiente dos portais de agências federais, incluindo os da Agência de Proteção Ambiental (EPA). Além disso, governos utilizam legislações locais para forçar o bloqueio de conteúdos digitais em redes sociais, como ocorreu na Índia com uma investigação do consórcio Environmental Reporting Collective sobre o deslocamento forçado de comunidades tradicionais.
3. Fontes ameaçadas
A intimidação de testemunhas e lideranças locais enfraquece a apuração jornalística. No Camboja, ativistas que cederam entrevistas à emissora francesa France 24 para um documentário ambiental foram detidos pelas autoridades locais e só obtiveram liberdade após assumirem o compromisso de cortar qualquer comunicação com a imprensa internacional. O jornalista britânico Gerald Flynn, que colaborou com a produção, foi incluído em uma lista negra governamental que o impede de retornar ao país.
4. Assédio online
As redes sociais operam rotineiramente como canais de difamação coordenada e violência digital de gênero e política. Na Ucrânia, a repórter independente Olena Mudra sofreu uma massiva campanha de linchamento virtual após expor irregularidades em um projeto de energia eólica nas montanhas dos Cárpatos. Montagens fotográficas manipuladas tentaram associá-la falsamente a forças militares russas para destruir sua reputação e desacreditar o caráter técnico das suas investigações.
5. Redações vandalizadas
O ataque físico estende-se às instalações dos veículos de comunicação. No sul da França, um grupo de aproximadamente cinquenta produtores de ostras incendiou os portões da sede do jornal Midi Libre após a publicação de reportagens alertando sobre a proibição sanitária da venda de moluscos da lagoa de Thau devido a contaminações. A direção do jornal reforçou publicamente que informar sobre riscos biológicos é um dever intransferível de saúde pública.
6. Assédio judicial
O uso abusivo do sistema jurídico por meio de processos SLAPP (Ações Judiciais Estratégicas contra a Participação Pública) visa asfixiar financeiramente veículos independentes e dissuadir críticas legítimas. Na França, representantes do lobby da suinocultura da Bretanha moveram processos contra o coletivo de jornalismo investigativo Splann! após uma denúncia sobre impactos ambientais da atividade. Embora a ação tenha sido anulada pela Justiça francesa, o mecanismo evidencia a estratégia de intimidação financeira.
7. Violência física durante manifestações
Mesmo portando credenciais de imprensa visíveis, jornalistas têm sido alvos de repressão policial durante manifestações populares de cunho ecológico. Na Índia, o repórter Sumit Jha foi detido por forças policiais enquanto cobria protestos civis contrários à derrubada de áreas florestais nativas situadas dentro do campus da Universidade de Hyderabad, no estado de Telangana.
8. Prisão
A cobertura da destruição da biodiversidade em contextos autoritários acarreta severas penas de reclusão. Em Mianmar, a renomada documentarista Shin Daewe foi detida pela junta militar enquanto registrava os impactos ecológicos decorrentes da guerra civil. Acusada falsamente de apoio ao terrorismo, ela foi sentenciada à prisão perpétua e submetida a sessões de tortura. Sua libertação ocorreu após 915 dias de cárcere, mediante um decreto de anistia.
9. Ameaças de morte e assassinato
O assassinato continua sendo a ferramenta extrema de silenciamento nas zonas de fronteira econômica e de especulação imobiliária. Na Turquia, o documentarista Hakan Tosun faleceu em decorrência das agressões físicas sofridas após investigar conflitos de ordenamento territorial em Istambul. Em Moçambique, o jornalista Carlitos Cadangue, da emissora STV, escapou de um atentado contra sua vida após revelar o envolvimento de figuras públicas em esquemas de mineração ilegal. No Brasil, os réus pelo assassinato de Dom e Bruno ainda aguardam o desfecho judicial.
10. Exposição aos riscos climáticos
Os profissionais que registram as mudanças no clima também sofrem suas consequências diretas na linha de frente. Eventos climáticos extremos destroem as bases operacionais da imprensa regional: a passagem do ciclone Chido em Mayotte desestruturou as redações locais, interrompendo as transmissões. No Brasil, as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul danificaram severamente os equipamentos e estruturas de comunicação do estado, onde um levantamento da RSF apontou que mais de 70% dos veículos locais não dispunham de planos formais de contingência para desastres biológicos e climáticos.
Agenda Positiva
Comissão de Meio Ambiente da ABI participa de ato socioambiental no Rio
No Rio de Janeiro, a Semana Mundial do Meio Ambiente foi aberta no último domingo (31/05) com um grande ato público na Praia de Copacabana, reunindo militantes de mais de 180 entidades e projetos sociais. As lideranças socioambientais, através das suas diversas formações profissionais, atuando em empresas públicas e privadas, têm grande responsabilidade na formulação e execução de políticas públicas, inclusive as ambientais.
Para a Comissão de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a mobilização de diferentes segmentos da sociedade, unindo suas bandeiras e propostas, contribui para que essas políticas públicas sejam justas, adequadas e eficazes para enfrentar os desafios e mitigar as consequências das alterações climáticas, as quais exigem ações urgentes.
Com informações oficiais da Repórteres Sem Fronteiras, MediaTalks / UOL e ABI






