Celebrado em 1º de junho, o Dia Mundial do Leite chama a atenção para a importância nutricional e cultural do alimento, que faz parte de diferentes momentos da rotina, do clássico café da manhã aos lanches rápidos e receitas. Presente na alimentação humana há milhares de anos, o leite segue atual e cada vez mais conectado às conversas sobre equilíbrio, praticidade e bem-estar.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mais de 6 bilhões de pessoas consomem leite e outros produtos lácteos em todo o mundo, a maioria vivendo em países em desenvolvimento.

Além de ser uma excelente fonte de cálcio, proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, o leite de vaca está presente em praticamente todos os guias alimentares nacionais e internacionais. A American Heart Association (AHA), por exemplo, recomenda o consumo de até três porções de laticínios com baixo teor de gordura por dia.

Em um cenário em que os consumidores buscam alimentos mais naturais, nutritivos e versáteis, a nutricionista Sueli Longo, especialista em Nutrição em Cardiologia e em Esporte e Exercício Físico, reforça que o produto continua relevante justamente por reunir tradição, valor nutricional e facilidade de consumo no dia a dia.

O leite já ocupa esse espaço há muito tempo por ser naturalmente rico em nutrientes e fácil de incorporar à rotina. Além de proteínas de alto valor biológico, é a principal fonte alimentar de cálcio, além de fornecer vitaminas e demais minerais importantes para diferentes perfis alimentares”, diz a  mestre pela Universidade Metodista de São Paulo.

Leite de vaca é inflamatório?

Mesmo tão popular, o consumo do leite de vaca costuma ser alvo de dúvidas sobre os seus efeitos positivos ou negativos para a saúde, principalmente daqueles que brigam com a balança. Para esclarecer essas dúvidas, a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e a Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban) divulgaram, no final de 2023, um consenso técnico-científico com base na análise de 114 estudos publicados sobre o tema.

O resultado é claro: não há evidências científicas de que o leite seja inflamatório ou prejudicial para a maioria das pessoas. Ao contrário, diversos trabalhos apontam propriedades anti-inflamatórias e os diversos benefícios da bebida.

Existe uma polêmica envolvendo o leite por falarem que ele é inflamatório, atrapalha a perda de peso, aumenta a produção de muco, entre outros mitos. Mas o que a sociedade médica sabe é que o leite é um alimento completo, repleto de benefícios e seguro para o consumo de pessoas saudáveis”, afirma o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN e fundador da Clínica Versio, em Vitória (ES).

O que acontece é que algumas pessoas têm intolerância à lactose, uma deficiência na produção da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose, e que pode gerar fermentação e sintomas desagradáveis no intestino. Em outros casos, a pessoa pode apresentar a APLV ou Alergia à Proteína do Leite de Vaca, o que ativa o sistema imunológico e pode provocar inflamação. Mas isso não se aplica à maioria da população”, explica.

Segundo o Dr. Danilo, generalizar que o leite causa inflamação do organismo ou outros malefícios em todos é um equívoco. “O leite pode ser inflamatório para alguns, mas, na verdade, para a maioria das pessoas, ele terá mais efeitos benéficos”, completa.

Alguns pacientes chegam ao consultório e comentam: ‘Ah, doutor, mas eu sinto diferença quando tiro o leite da dieta’. Se for esse o caso, é preciso investigar. Pode ser intolerância à lactose, alergia à proteína do leite ou até mesmo um desequilíbrio da microbiota intestinal. Nada que um bom diagnóstico não resolva”, relata o médico.

A verdade, de acordo com os estudos científicos, é que o leite é seguro, nutritivo e funcional — e merece espaço na mesa da maioria das pessoas. E para quem apresenta sintomas após o consumo, a recomendação é sempre buscar orientação médica antes de restringir o alimento, especialmente considerando seus benefícios amplamente documentados.

7 mitos e verdades sobre o leite que você precisa saber

Apesar de estar na base nutricional de várias populações mundo afora, o leite tem sido uma das principais vítimas de informações falsas e mitos sem comprovação científica nas redes sociais. Para ajudar o consumidor a fazer escolhas conscientes, especialistas esclarecem as cinco principais mentiras espalhadas sobre o alimento.

1. O leite é um alimento inflamatório?

MITO. Essa afirmação generalista se difundiu em conteúdos sensacionalistas na internet e pode estar impactando negativamente o consumo da bebida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o consumo de 200 litros per capita anuais para uma dieta saudável e balanceada. De acordo com a nutricionista Carolina Nobre, atuante em Goiânia, o leite não é inflamatório para a grande maioria da população.

Temos que olhar para o contexto da alimentação. Uma pessoa que tem em sua rotina o hábito de comer muitos alimentos industrializados, embutidos e cheios de conservantes cria um contexto propício para a inflamação do corpo”, explica. A especialista ressalta que apenas pessoas com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou intolerância à lactose podem apresentar desconfortos.

2. O leite desnatado é leite integral misturado com água?

MITO. O leite, em sua forma natural, já é composto por cerca de 87% de água. Durante os processos de esterilização e pasteurização, nenhuma quantidade de água é adicionada. A única diferença entre o leite integral, semidesnatado e desnatado é o percentual de gordura. A redução desse teor não afeta os níveis de proteínas, vitaminas e sais minerais do alimento.

3. É necessário ferver o leite de caixinha antes de consumir?

MITO. Esse hábito antigo fazia sentido quando o produto era vendido em saquinhos plásticos ou diretamente pelo produtor. Com o advento do processo UHT (Ultra High Temperature ou Ultra Alta Temperatura) e das embalagens longa vida, a fervura é totalmente desnecessária.

Vinícius Junqueira, profissional da indústria Marajoara, explica que o UHT é um processo de esterilização que elimina 99,9% das bactérias do leite. O envase em embalagem asséptica e hermética garante a conservação fora da geladeira por até quatro meses. Após aberto, contudo, o produto deve ser mantido sob refrigeração e consumido em até três dias.

4.  O leite de caixinha é cheio de conservantes e substâncias tóxicas?

MITO. O uso de conservantes em qualquer tipo de leite é proibido por lei no Brasil e rigorosamente fiscalizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A durabilidade do leite longa vida se deve exclusivamente à tecnologia. O aquecimento rápido do processo UHT elimina os microrganismos patogênicos, e a embalagem cartonada — composta por seis camadas de proteção — impede a entrada de luz, umidade e oxigênio.

5.  O leite de caixinha é um alimento ultraprocessado?

MITO. Outro equívoco comum é classificar o leite de caixinha como um produto ultraprocessado. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, o leite longa vida é classificado como um alimento minimamente processado, integrando o grupo de alimentos que devem ser priorizados na dieta diária. “O fato de um alimento passar por processos industriais para garantir segurança e praticidade não o torna ultraprocessado”, afirma Sueli Longo.

6. Alergia ao leite e intolerância à lactose são a mesma coisa?

MITO. Esta confusão pode custar caro para a saúde. A nutricionista Yumi Kuramoto, que atua em Goiânia, esclarece que a alergia é um quadro mais grave, no qual o sistema imunológico reage às proteínas do alimento, exigindo a restrição total do consumo.

Já a intolerância à lactose é a dificuldade do organismo em digerir o açúcar do leite (a lactose). “Os sintomas da alergia costumam ser bem mais intensos e graves do que a intolerância alimentar, que em geral se restringe a um desconforto intestinal”, alerta Yumi. Para os intolerantes, o mercado já oferece opções de leite zero lactose (onde o açúcar já vem digerido) e o uso de enzimas lactase antes das refeições.

7. Apenas crianças devem consumir leite regularmente?

MITO. A nutricionista destaca também que o consumo não deve ser restrito à infância: adultos se beneficiam dos compostos bioativos que auxiliam na saúde óssea, muscular e no controle de peso. A alta densidade nutricional do leite se mostra ainda mais relevante no cenário clínico atual.

O leite oferece proteínas e nutrientes essenciais em uma mesma porção. Isso se torna especialmente importante para pessoas em processo de emagrecimento ou em uso de medicamentos análogos de GLP-1, que muitas vezes não conseguem consumir grandes volumes de comida e precisam priorizar alimentos com baixo valor calórico e ricos em nutrientes”, conclui Sueli.

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7 verdades e 7 mentiras sobre o leite

Para ajudar a sanar as principais dúvidas, o médico pós-graduado em nutrologia Danilo Almeida listou alguns mitos e verdades sobre o leite de vaca e o seu consumo. Confira:

7 verdades sobre o leite

1. É uma fonte importante de cálcio e proteínas

leite contém cálcio em alta biodisponibilidade, o que significa que o corpo o absorve com eficiência. Além disso, fornece proteínas de alto valor biológico.

2. Pode ser consumido por adultos saudáveis

Não há contraindicação generalizada para o consumo de leite por adultos. Exceto em casos de intolerância à lactose, alergia à proteína do leite ou hipersensibilidade ao alimento, ele pode fazer parte de uma dieta equilibrada.

3. Leite ajuda na manutenção da saúde óssea

Por ser fonte de cálcio, fósforo e vitamina D (em versões enriquecidas), o leite contribui para a saúde dos ossos, especialmente em idosos e mulheres na menopausa.

4. É possível consumir leite mesmo com intolerância à lactose

Hoje existem várias alternativas, como o leite zero lactose ou bebidas vegetais enriquecidas. Em alguns casos, o acompanhamento profissional permite reintroduzir o alimento com segurança.

5. Leite não causa mucosidade em pessoas saudáveis

Não há comprovação científica de que o leite aumente a produção de muco em pessoas que não tenham alergia. Esse é um mito comum, especialmente entre quem evita a bebida durante resfriados.

6. “O ser humano é o único animal adulto que consome leite

É verdade. Mas também é o único que lê, constrói aviões e compõe sinfonias. A singularidade humana não invalida o consumo. Temos autonomia para escolher e adaptar a alimentação conforme necessidades e contexto.

7. O leite fortalece o sistema imunológico das crianças

As proteínas e vitaminas do leite auxiliam na construção e no funcionamento das defesas do corpo, combatendo infecções e prevenindo doenças. Lembrando, que a melhor opção para recém-nascidos sempre será o aleitamento materno.

7 mitos sobre o leite

1. “O leite inflama o organismo”

Esse é um dos mitos mais difundidos. Não há evidência de que o leite seja inflamatório em pessoas saudáveis. O que pode causar inflamação é a hipersensibilidade individual — que precisa ser diagnosticada.

2. “Leite causa acne”

Estudos não são conclusivos. Em alguns casos, o consumo excessivo de derivados pode influenciar desequilíbrios hormonais, mas isso não acontece com todos. Personalização é a chave.

3. “Todo leite é cheio de hormônios”

No Brasil, o uso de hormônios para estimular a produção de leite em vacas é proibido por lei. O leite vendido passa por fiscalização rigorosa da Anvisa.

4. “É melhor evitar leite para emagrecer”

leite pode ser incluído tranquilamente em dietas para perda de peso, inclusive como fonte de saciedade. Retirá-lo sem orientação pode até prejudicar o equilíbrio nutricional.

5. “Leite aumenta o risco de doenças cardiovasculares”

Não há comprovação científica de que o leite, especialmente com baixo teor de gordura, aumente esse risco.

6. “Leite vegetal é sempre mais saudável”

Nem sempre. Muitos leites vegetais têm adição de açúcares e poucos nutrientes.

7. “Leite prejudica os rins”

Falso. O leite é fonte de fósforo e cálcio, essenciais para a saúde óssea e renal, quando consumido com equilíbrio.

Com Assessorias

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