Nem água, nem chás, nem qualquer outro alimento. Ao contrário do que muita gente pensa, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida é a melhor forma de nutrição para a criança. Após essa fase, inicia-se a introdução alimentar, mas a amamentação deve continuar até os dois anos ou mais, como complemento nutricional e imunológico, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, a taxa de aleitamento materno exclusivo entre crianças menores de seis meses, embora tenha apresentado avanços, ainda não atinge a meta ideal. Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) de 2021 indicam que 45,8% das crianças brasileiras são amamentadas até essa idade. O Ministério da Saúde tem como objetivo atingir 70% de aleitamento materno exclusivo até 2030.
O Dia Mundial do Aleitamento Materno (1º de agosto) marca a abertura da Semana Mundial da Amamentação (SMAM), realizada até o dia 7, lembra a importância do leite materno nos primeiros meses de vida. Realizada em 120 países, a campanha é inspirada na “hora de ouro”, que simboliza a primeira hora de vida do recém-nascido junto à mãe.
O contato imediato após o parto, pele a pele, estimula o vínculo entre mãe e bebê, favorece a liberação da ocitocina — hormônio fundamental para a descida do leite —, e aumenta as chances de sucesso na amamentação.

Estudos reforçam que esse contato inicial ajuda o bebê a encontrar o seio, reconhecendo o cheiro da mãe e os sons familiares desde a gestação. A prática é recomendada inclusive para partos cesáreos e prematuros clinicamente estáveis.

‘Priorize a amamentação’

A campanha é promovida globalmente pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA). em parceria com Organização Mundial de Saúde (OMS) e Unicef. No Brasil, conta com a adesão oficial do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e de inúmeras organizações da sociedade civil que atuam na promoção, proteção e apoio ao aleitamento.

De 1º e 7 de agosto, o Ministério da Saúde realiza uma campanha digital para informar sobre os benefícios do aleitamento materno como prática essencial para a saúde, o desenvolvimento e a equidade, além de ser uma ação com impactos positivos para o meio ambiente, além de mobilizar a sociedade a criar ambientes acolhedores para que mães possam amamentar por mais tempo.
Neste ano, o tema é Priorize a Amamentação, Crie Sistemas de Apoio Sustentáveis, destacando a necessidade de políticas públicas que respeitem a licença-maternidade, investimento em bancos de leite e a conscientização sobre a importância do aleitamento materno para a saúde do bebê e da mãe.
A legislação brasileira estabelece que empresas com mais de 30 mulheres empregadas com mais de 16 anos devem oferecer salas de amamentação. A lei permite que as empresas ofereçam o reembolso creche como alternativa à sala de amamentação, desde que a creche atenda às necessidades da trabalhadora.
Apoiar a amamentação é investir em um futuro mais saudável para crianças, mães e toda a sociedade”, afirma a Associação Paulista de Medicina (APM), em nota destacando o poder da amamentação e a responsabilidade de todos.

Redução de impactos ambientais da alimentação artificial

A campanha deste ano da Semana Mundial da Amamentação (SMAM) destaca a importância do apoio à amamentação para a construção de um ambiente mais sustentável e para a redução dos impactos ambientais associados à alimentação artificial.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destaca que o aleitamento é uma prática natural, renovável e ambientalmente segura, que não gera resíduos, não depende de cadeias industriais poluentes e contribui para reduzir o impacto climático causado pela produção de fórmulas infantis.

“Ao promovermos e protegermos a amamentação estamos investindo em sistemas de cuidado que respeitam o meio ambiente, preservam a vida e reforçam os compromissos com a saúde pública global. Precisamos unir esforços para garantir um suporte contínuo e eficaz à amamentação, por meio da construção de redes de apoio sólidas e duradouras”, diz o coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano (RBLH), João Aprígio Guerra de Almeida.

Os benefícios da amamentação para a saúde do bebê e da mãe

Reconhecido por órgãos como a OMS e o Ministério da Saúde como o alimento mais completo nos primeiros meses de vida, o leite materno é uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento infantil e para a saúde materna.
O leite materno é considerado um alimento completo e individualizado, com propriedades nutricionais e imunológicas únicas. Além de conter prebióticos que favorecem a flora intestinal do bebê, o aleitamento melhora a resposta imunológica, reduz infecções e potencializa o efeito das vacinas.
Os benefícios são muitos. O leite materno é o melhor e mais nutritivo alimento para os bebês. Prático e econômico, também fortalece o vínculo entre mãe e filho, garantindo assim segurança nutricional e afetiva à criança.
Conhecido como alimento ouro, o leite materno proporciona inúmeros benefícios, tais como proteger contra diarreia e infecções respiratórias, diminuir risco de alergia e contribuir para um melhor desenvolvimento cognitivo.

A amamentação também contribui para o desenvolvimento cerebral, fortalece o vínculo mãe-bebê e pode atuar como analgésico natural por conter beta-endorfina. Mesmo em casos especiais, como o de mães adotivas, internações ou dificuldades iniciais, há estratégias e apoio profissional que possibilitam manter ou iniciar a amamentação.

A ocitocina, hormônio liberado naturalmente durante o trabalho de parto e a amamentação, é fundamental para o início da produção de leite. Partos com menor intervenção, sempre que possível, facilitam esse processo. Mesmo após cesáreas, o aleitamento é possível — e desejável —, desde que a mãe conte com ambiente e equipe acolhedores.

Dicas importantes:

  • A amamentação deve ser iniciada ainda na primeira hora de vida do bebê, sempre que possível.
  • O leite materno exclusivo é recomendado até os 6 meses de idade e pode ser mantido com alimentação complementar até os 2 anos ou mais.
  • Mães precisam de rede de apoio e orientação especializada. A presença de profissionais qualificados em lactação faz toda a diferença.
  • O Banco de Leite Humano é uma opção segura para quem precisa de apoio ou deseja doar leite.

Governo destina R$ 40,7 milhões para bancos de leite humano

O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 40,7 milhões para qualificação e ampliação dos serviços prestados por bancos de leite humano do país.  A medida integra as ações pelo Dia Mundial da Amamentação, celebrado nesta sexta-feira (1º).

Os recursos serão destinados às 226 unidades da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH-BR), conforme portaria publicada ontem no Diário Oficial da UniãoCada unidade receberá R$ 180 mil em investimentos.

Com os recursos, os bancos poderão adquirir materiais e realizar serviços essenciais para o seu funcionamento como coleta, processamento, armazenamento, controle de qualidade e distribuição do leite humano. Também estão previstas ações de comunicação, mobilização social e assistência direta às famílias.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é uma iniciativa do Ministério da Saúde por meio do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz). Essas unidades garantem a oferta de leite humano para bebês prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais, além de oferecer orientação e suporte para mulheres em fase de amamentação.

Rede de Leite humano

Em 2024, os 234 bancos de leite humano e os 249 postos de coleta da rede realizaram mais de 2,3 milhões de atendimentos a nutrizes em todo o país. O levantamento nacional aponta, ainda, 460,5 mil atendimentos em grupo e 281,3 mil visitas domiciliares, reforçando a capilaridade e a importância do serviço no enfrentamento ao desmame precoce. Todos os atendimentos são gratuitos e integram as ações do SUS.

Além do acolhimento e da orientação individualizada ou em grupo, a rede coordena e estimula a doação de leite humano, prática essencial para a sobrevivência de recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensivas Neonatais (UTINs), especialmente os prematuros de baixo peso. Em 2024, foram doados 245,8 mil litros de leite humano aos bancos de leite humano em todas as regiões do Brasil.

A RBLH, articulada por meio da Fiocruz, é uma das mais expressivas iniciativas de cooperação internacional em saúde pública, contribuindo de forma significativa para a redução da mortalidade neonatal em escala global. A rede também atua ativamente em projetos de cooperação técnica internacional, voltados para o fortalecimento das políticas públicas de saúde neonatal.

Esse modelo de cooperação solidária, desenvolvido no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), tornou-se uma referência global em inovação social, equidade e saúde pública.

Movimento Parto Adequado nos planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aproveita o Agosto Dourado para lembrar que desde 2015, através do Movimento Parto Adequado, mantém ações em prol do aleitamento materno junto aos hospitais participantes. A iniciativa tem como objetivo prevenir riscos em crianças menores de dois anos, uma vez que o leite materno é o alimento mais rico e apropriado à saúde do bebê e essencial para seu crescimento e desenvolvimento.

O Movimento Parto Adequado tem como objetivo qualificar a atenção à saúde materna e neonatal. Atualmente em sua terceira fase, a iniciativa foca em segurança, equidade e na promoção de uma experiência positiva no parto. Para estimular boas práticas, a ANS implementou o Programa de Certificação em Boas Práticas na Atenção Materna e Neonatal (CBP-Parto Adequado), que incentiva operadoras e hospitais da saúde suplementar a adotarem medidas como o início da amamentação ainda na sala de parto.

Como forma de apoiar esse processo, a ANS criou o Projeto Cuidado Integral à Gestante e ao Neonato – Parto Adequado, em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI) e o Hospital Israelita Albert Einstein. A iniciativa visa aprimorar a qualidade da atenção na Linha de Cuidado Materna e Neonatal e auxiliar operadoras interessadas a obterem, de forma voluntária, o selo CBP-Parto Adequado.

Na ANS, reconhecemos a importância de estimular a amamentação, tanto pelos seus benefícios nutricionais quanto pela proteção que oferece contra infecções, alergias e outros agravos à saúde do bebê. Para apoiar essa prática, desenvolvemos iniciativas como o Movimento Parto Adequado e a Certificação em Boas Práticas, que engajam operadoras de planos de saúde na promoção do cuidado materno-infantil desde o nascimento”, afirmou a diretora-adjunta de Desenvolvimento Setorial da Agência, Angélica Carvalho.

Com Assessorias (atualizado em 5/8/25)

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