A Defesa Civil do Rio de Janeiro está monitorando a passagem de uma frente fria pelo oceano e a formação de áreas de instabilidade sobre o estado neste sábado (15/08). A mudança no clima pode causar rajadas de vento e pancadas de chuva em todo o estado, o que volta a acender o alerta de saúde principalmente para quem sofre com alergias.
Especialistas afirmam que as variações bruscas de temperatura, comuns neste período de transição de estação, têm impacto direto na saúde e podem aumentar a incidência de sintomas respiratórios, alergias e quadros infecciosos. A alternância entre ambientes quentes e frios, como sair do calor e entrar em locais com ar-condicionado, pode interferir no funcionamento das vias respiratórias e na resposta do organismo.
Na prática, essas mudanças podem favorecer o ressecamento das mucosas, dificultar a defesa natural do corpo e aumentar a vulnerabilidade a vírus e bactérias. Sintomas como coriza, tosse, irritação na garganta e sensação de cansaço tendem a ser mais frequentes nesse cenário, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias pré-existentes.
Além disso, o choque térmico pode gerar desconfortos que vão além do sistema respiratório, como dor de cabeça e mal-estar, refletindo a dificuldade do organismo em se adaptar rapidamente às mudanças de temperatura ao longo do dia”, diz Maitê Dahdal, médica de Família e Comunidade, com atuação em atenção primária e educação médica, e coordenadora de pós-graduação da Sanar.
E nos dias de veranico?
Dia de frio intercalados com veranico — período de temperaturas acima da média para esta época do ano — costuma ser recebida com alívio por grande parte da população. Muita gente acredita que o calor significa o fim das crises respiratórias típicas do inverno. Mas essa sensação pode enganar.
Segundo o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, embora o frio intenso diminua, o ar continua seco, a umidade relativa permanece baixa em muitas regiões do país e a maior circulação de poeira, poluentes e fumaça favorece a irritação das vias respiratórias.
“O calor faz muitas pessoas acreditarem que estão respirando melhor, mas o problema não é apenas a temperatura. O ar seco continua ressecando a mucosa nasal, reduzindo sua capacidade de proteção e facilitando crises de rinite, sinusite e alergias respiratórias”, explica.
A mucosa do nariz funciona como uma barreira natural contra vírus, bactérias, poeira e outros agentes irritantes. Quando perde umidade, torna-se mais vulnerável à inflamação.
É como uma pele ressecada: surgem pequenas fissuras, irritação e maior sensibilidade. O nariz deixa de exercer sua função de filtro com eficiência.”
Rinite, sinusite ou alergia?
Segundo o médico, muitas pessoas confundem os sintomas e acabam recorrendo à automedicação. A rinite costuma provocar espirros, coceira no nariz, coriza e obstrução nasal.
Já a sinusite geralmente apresenta congestão intensa, secreção espessa, sensação de pressão na face, dor de cabeça e, em alguns casos, febre.
“As alergias também ficam mais frequentes nesse período porque o tempo seco facilita a suspensão de poeira, ácaros e outras partículas no ar, aumentando a exposição dos alérgicos.”
Como proteger o nariz durante o veranico
- Mantenha uma boa hidratação: Beber água ao longo do dia ajuda a manter todo o organismo hidratado, inclusive as vias respiratórias.
- Faça lavagem nasal com soro fisiológico: A lavagem remove poeira, poluentes e secreções, além de ajudar a manter a mucosa úmida. “O procedimento deve ser realizado com soro fisiológico e dispositivos adequados, sem excesso de pressão e sempre respeitando a orientação médica quando houver doenças nasais.”
- Evite exagerar no ar-condicionado: Sempre que possível, mantenha temperaturas moderadas e faça a limpeza periódica dos filtros. “O ideal é evitar ambientes excessivamente gelados e muito secos.”
- Não use descongestionantes por conta própria: O uso frequente desses medicamentos pode provocar efeito rebote e piorar a obstrução nasal.
O otorrinolaringologista recomenda avaliação médica quando os sintomas persistirem por mais de dez dias, houver dor intensa na face, febre, secreção nasal espessa ou episódios frequentes de sangramento pelo nariz.
O veranico traz uma sensação de conforto, mas o inverno ainda não acabou. O ar continua seco e as vias respiratórias permanecem vulneráveis. Cuidar do nariz nessa época é fundamental para evitar complicações e respirar melhor durante toda a estação.
Saiba como se proteger de rajadas de vento
- Evitar áreas próximas a árvores, postes, placas, coberturas, andaimes e estruturas metálicas;
- Não estacionar veículos debaixo de árvores;
- Manter portas e janelas fechadas;
- Evitar deslocamentos desnecessários durante os períodos de vento mais intenso;
- Não tocar em cabos elétricos caídos;
- Acompanhar os alertas e as orientações dos órgãos oficiais;
- Ligar para o Corpo de Bombeiros pelo número 193 em situações de emergência.
Com Assessorias




