A Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro monitora a passagem de uma frente fria e a formação de áreas de instabilidade neste sábado (15). A mudança repentina no clima, com rajadas de vento e queda de temperatura logo após dias muito quentes, acende o alerta para os impactos do choque térmico na saúde respiratória.

A alternância brusca entre ambientes quentes e frios — ou a exposição direta ao ar-condicionado — interfere no funcionamento das vias aéreas. Na prática, a variação térmica favorece o ressecamento das mucosas, reduz a imunidade local e aumenta a vulnerabilidade do organismo a vírus e bactérias.

O choque térmico gera desconfortos que vão além do sistema respiratório, como dor de cabeça e mal-estar, refletindo a dificuldade do organismo em se adaptar rapidamente às mudanças de temperatura ao longo do dia”, destaca Maitê Dahdal, médica de Família e Comunidade e coordenadora de pós-graduação da Sanar. Sintomas como coriza, tosse, irritação na garganta e cansaço tendem a ser mais frequentes nesse cenário, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A armadilha do veranico

A intercalação de dias frios com o veranico — período de calor acima da média no inverno — costuma trazer uma falsa sensação de segurança. No entanto, o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico-Facial (ABORL-CCF), alerta que o calor atípico não elimina os riscos.

O ar continua seco e a umidade relativa permanece baixa. A maior circulação de poeira, poluentes e fumaça favorece a irritação das vias aéreas. O calor faz muitos acreditarem que estão respirando melhor, mas o ar seco resseca a mucosa nasal, reduzindo sua capacidade de proteção e facilitando crises de rinite e sinusite”, explica o médico.

Quando a mucosa perde umidade, surgem microfissuras e inflamações, fazendo com que o nariz perca a capacidade de filtrar e aquecer o ar adequadamente.

Rinite, sinusite ou alergia?

A confusão entre os sintomas é comum e muitas vezes leva à automedicação incorreta. Confira as diferenças:

  • Rinite: Caracteriza-se por espirros frequentes, coceira no nariz e nos olhos, coriza fluida e obstrução nasal.

  • Sinusite: Apresenta congestão intensa, secreção nasal espessa, sensação de pressão na face, dor de cabeça e, eventualmente, febre.

  • Alergia respiratória: Fica mais intensa no tempo seco devido à maior suspensão de poeira, ácaros e fumaça no ar.

O otorrinolaringologista recomenda buscar avaliação médica quando os sintomas ultrapassarem dez dias, ou em caso de dor facial intensa, febre, secreção amarelada/esverdeada e sangramentos nasais frequentes.

Como proteger o nariz e as vias respiratórias

  • Beba bastante água: A hidratação sistêmica é fundamental para manter a produção adequada do muco protetor.

  • Higiene nasal diária: Faça lavagem nasal com soro fisiológico para remover impurezas e umedecer a mucosa. Utilize dispositivos adequados, sem pressão excessiva.

  • Uso consciente do ar-condicionado: Evite temperaturas excessivamente baixas, mantenha a higienização periódica dos filtros e utilize umidificadores de ar se necessário.

  • Cuidado com descongestionantes: O uso desnecessário ou prolongado de gotas nasais pode causar efeito rebote e dependência.

Alerta da Defesa Civil e prevenções para tempestades e ventos

De acordo com o Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN-RJ), há previsão de rajadas de vento moderado a forte no estado do Rio de Janeiro, com possibilidade de pancadas de chuva moderada a intensa.

A Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC-RJ) e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) orientam os seguintes cuidados durante os ventos fortes:

  • Evite abrigo ou permanência próxima a árvores, postes, coberturas metálicas e andaimes.

  • Não estacione veículos debaixo de árvores ou fiações elétricas.

  • Mantenha portas e janelas bem fechadas para evitar acidentes com correntes de ar.

  • Não toque em cabos da rede elétrica caídos na rua.

  • Em caso de emergência, acione o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

Com Assessorias

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