A confirmação da quinta morte por febre amarela no estado de São Paulo em 2026 acendeu um alerta crítico entre autoridades de saúde e especialistas. O caso mais recente, confirmado na última segunda-feira (1º de junho), ocorreu em Lençóis Paulista, na região de Bauru, e vitimou um homem de 54 anos.
Até o momento, São Paulo soma dez casos confirmados da doença em 2026: oito no Vale do Paraíba (com cinco óbitos), um na região de Sorocaba e um na região de Bauru (com óbito). O perfil predominante das vítimas é de homens expostos a áreas rurais e silvestres.
O dado que mais preocupa os médicos é que 100% das vítimas e dos pacientes que desenvolveram a doença este ano não tinham histórico de vacinação. Para os especialistas, a ausência de imunização em todos os casos acentua a urgência de a população atualizar a carteira de vacinas, especialmente diante do risco de avanço do vírus em direção à região metropolitana do estado.
O perigo da proximidade com áreas verdes
Embora historicamente associada a áreas de mata, a febre amarela hoje é considerada um risco em todo o país. O Ministério da Saúde recomenda a imunização para toda a population, sobretudo para quem vive ou circula perto de áreas verdes.
A recomendação é especialmente importante para quem vive ou circula em regiões com presença de áreas verdes, como parques urbanos e zonas periurbanas”, diz o infectologista Ricardo Cantarim Inacio, do Hospital HSANP.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) do Estado de São Paulo, Tatiana Lang, reforça que a prevenção deve ser antecipada. “Não é preciso esperar a confirmação de novos casos para buscar a vacina. A proteção deve ocorrer antes da exposição ao vírus. A orientação é que a população verifique a carteira de vacinação e atualize a situação vacinal o quanto antes”, destaca.
A diretora lembra ainda que o imunizante está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e deve ser aplicado ao menos dez dias antes da exposição ao risco ou de viagens para áreas rurais e de mata.
Leia mais
Vítimas da febre amarela em SP não eram vacinadas
Febre amarela pode se espalhar com mais intensidade perto de metrópoles
Pessoas até 59 anos devem se vacinar contra sarampo e febre amarela
Uma doença antiga com alta letalidade
A febre amarela é uma arbovirose (doença transmitida por artrópodes, como mosquitos). No Brasil, ela é menos frequente que a dengue, a chikungunya e o zika, mas a sua evolução é rápida e grave: a doença pode ser fatal para até 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave.
Como não existe um tratamento específico ou cura para o vírus — sendo o atendimento hospitalar apenas de suporte para evitar a falência de órgãos —, a vacinação se torna a única estratégia segura. Os primeiros sintomas incluem:
-
Febre de início súbito e calafrios
-
Dor de cabeça intensa e dores no corpo (principalmente nas costas)
-
Náuseas e vômitos
-
Fadiga e fraqueza intensa
Os ciclos de transmissão
Sylvia Freire, infectologista pediátrica do Sabin Diagnóstico e Saúde, explica que o vírus é transmitido por mosquitos e não há registro de transmissão direta entre humanos. A doença possui dois ciclos conhecidos:
-
Ciclo silvestre: O vírus circula em áreas de mata, transmitido pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os macacos são as principais vítimas nesse ambiente. Vale reforçar: os macacos não transmitem a doença; eles funcionam como sentinelas, indicando que o vírus está circulando naquela região.
-
Ciclo urbano: A transmissão ocorre pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo vetor da dengue). A ampliação da cobertura vacinal é fundamental para evitar que o ciclo urbano seja reativado.
Dose única protege para a vida toda e substitui reforço
A vacina é recomendada para pessoas entre 9 meses e 59 anos de idade. Seguindo as diretrizes atuais do Ministério da Saúde, apenas uma dose é suficiente para garantir proteção ao longo de toda a vida, eliminando a antiga necessidade de um reforço a cada 10 anos.
O alerta para atualização vacinal é ainda maior para quem vai viajar em períodos de férias ou feriados prolongados para turismo rural e de aventura.
O médico pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador da rede de clínicas Total Kids, no Rio de Janeiro, lembra que as crianças podem ser imunizadas a partir dos 9 meses. “Complementarmente, o uso de repelentes e roupas compridas em áreas rurais é essencial. Manter o calendário vacinal atualizado é um dever coletivo para evitar que uma doença evitável continue ceifando vidas”, frisa.
Atenção a quem tomou a dose fracionada em 2018
As autoridades de saúde fazem um chamado especial para as pessoas que receberam a dose fracionada durante as campanhas emergenciais realizadas no ano de 2018.
Esse tipo de imunização oferece proteção por tempo limitado — estimado em cerca de oito anos (período que se esgota justamente em 2026).
Portanto, quem tomou a dose fracionada naquela época deve procurar um posto de saúde para receber a dose padrão e garantir a imunidade prolongada para o resto da vida.
Avanço do vírus em direção à região metropolitana acende alerta crítico; dose única do imunizante garante proteção para a vida toda


Com informações de Assessorias e da Agência Brasil




