O termo “vira-lata”, que antes era utilizado de forma pejorativa, tornou-se um símbolo cultural brasileiro, popularizado pela figura icônica do vira-lata caramelo. Os animais sem raça definida (SRD) conquistaram espaço definitivo nos lares e no calendário nacional, que reserva o dia 31 de julho para celebrar o Dia do Vira-Lata.
Especialistas categorizam os vira-latas em quatro grupos principais: mestiços (com traços de uma ou duas raças), híbridos (originais do cruzamento entre duas raças puras), funcionais (cruzados com um propósito específico) e genéricos (cuja ascendência é impossível de determinar). Ao contrário dos animais de raça pura, cães e gatos SRD apresentam características únicas.
Seu porte pode ser pequeno, médio ou grande, a pelagem e a coloração variam amplamente, assim como a personalidade e o nível de sociabilidade. Toda essa imprevisibilidade está relacionada à rica mistura genética”, explica a médica-veterinária Marina Macruz, do Instituto PremieRpet, braço social da PremieRpet.
O cenário do abandono e os dados de saúde pública
Dados da Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) indicam que os cães SRD lideram a preferência nos lares brasileiros, fenômeno que também se repete entre os felinos. Contudo, essa elevada presença reflete um problema social estrutural: o alto número de animais abandonados.
A grande presença de cães e gatos SRD no país expõe um gargalo de saúde pública e bem-estar animal. O estudo Índice de Abandono Animal, promovido pela Mars Petcare, aponta que cerca de 35% dos cães e gatos no mundo vivem em situação de rua ou aguardam adoção em abrigos.
No cenário nacional, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam a existência de aproximadamente 30,2 milhões de cães e gatos abandonados no Brasil, dos quais cerca de 20 milhões são cães, em sua maioria vira-latas. O volume de animais abrigados por ONGs e protetores independentes reforça a necessidade de ações contínuas de conscientização e adoção responsável.
Adotar um animal pode transformar a sua vida

Escolher um SRD significa não apenas oferecer um lar, mas também contribuir para reduzir o abandono e a superlotação de abrigos e organizações de proteção animal. Além de mudar a história de um animal que vive nas ruas ou em abrigos, oferecer um lar seguro e cheio de carinho permite que ele desfrute do melhor da vida ao seu lado, retribuindo com amor incondicional. A gerente de marketing Luciana Basso adotou Gud, uma gata SRD, após a indicação de um amigo e nunca mais imaginou a rotina sem ela.
A Gud transformou a minha casa em um lar. Antes de adotá-la, eu tinha muito receio da responsabilidade que é cuidar de um animal. Pensava em tudo o que isso exigiria e se eu daria conta. Mas, quando ela chegou, percebi que o amor torna tudo muito mais leve e natural”, conta Luciana.
Histórias como essa ajudam a explicar por que cada vez mais famílias descobrem que o vínculo com um pet não depende de raça, mas da convivência construída diariamente.
Cuidar dela deixou de ser uma obrigação e passou a ser um gesto de carinho, que faz parte da minha rotina e me traz felicidade. Hoje, não consigo imaginar a minha vida sem a minha gatinha. Ela é minha família, minha companheira e faz parte dos meus melhores momentos. A adoção foi uma das melhores decisões que já tomei e me mostrou que o vínculo com um pet vai muito além de qualquer raça: ele é construído no amor e na convivência diária”, completa.
Além dos relatos práticos, evidências científicas comprovam que o convívio com animais de estimação gera impactos positivos na saúde humana. Estudos do Waltham Petcare Science Institute, realizados em parceria com o Human Animal Bond Research Institute (HABRI), indicam que a interação com pets auxilia na redução dos níveis de estresse, ansiedade e sensação de isolamento social.
Como saber se está preparado para adotar?
Segundo a médica veterinária Mayara Andrade, a adoção responsável vai muito além do momento em que o animal chega em casa: “Ela continua todos os dias, nas escolhas que fazemos. Alimentação de qualidade, vacinação, consultas preventivas, enriquecimento ambiental e respeito às necessidades naturais do gato fazem parte desse compromisso. Cuidar é um ato diário de responsabilidade e de afeto”.
A veterinária destaca que cada gato SRD possui características físicas e comportamentais únicas. “Não existe um padrão de personalidade. É justamente essa individualidade que torna cada relação especial e faz com que o vínculo construído entre responsável e gato seja único”, completa.
Antes da decisão, Mayara explica que é importante refletir sobre alguns pontos, como disponibilidade de tempo, orçamento que contemple alimentação de qualidade, vacinas, consultas e possíveis emergências, e ambiente seguro e enriquecido.
Um gato pode viver mais de 15 anos. A adoção precisa ser encarada como um compromisso de longo prazo. Em troca, poucos vínculos são tão sinceros quanto o de um gato que aprende a confiar em quem o acolheu“, afirma Mayara.
Para incentivar decisões mais conscientes, Guabi Natural mantém a plataforma iniciativa Um Pet É Pra Sempre, iniciativa que reúne conteúdos educativos sobre guarda responsável. Entre eles está um quiz interativo que ajuda futuros responsáveis a refletirem se realmente estão preparados para assumir esse compromisso de longo prazo. As perguntas abordam disponibilidade de tempo, planejamento financeiro e rotina familiar, incentivando uma adoção mais consciente e responsável.
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Campanha Somos Todos Vira-Latas
O Dia Mundial do Vira–Lata convida todos a refletirem sobre a importância da adoção responsável e a se engajarem em ações que contribuam para um futuro melhor para esses animais tão especiais, e quem sabe, adotar com responsabilidade um vira–lata.
Como forma de combater a discriminação contra os animais SRD e incentivar a adoção, a ONG Instituto Ampara Animal desenvolve a campanha “Somos Todos Vira-Latas”. Lançada originalmente em 2014, a iniciativa reúne artistas e personalidades em ações de conscientização sobre a diversidade e o respeito aos animais resgatados. Ao longo do mês de julho, a ONG relembra trechos da campanha e reforça que os vira-latas, apesar de serem os mais numerosos, ainda são os mais invisibilizados no Brasil.
Idealizada por João Vicente de Castro e produzida pela Livead e Parakino Filmes, a ação contou com a participação de diversos artistas, como Sabrina Sato, Bruno Gagliasso, Cleo Pires, Paolla Oliveira e Giovanna Ewbank. No vídeo oficial, eles aparecem ao lado de cães resgatados, reforçando a mensagem de que “ninguém tem raça definida” — uma analogia à diversidade genética de humanos e animais.
Além do vídeo, a campanha incluiu o lançamento de um calendário fotográfico assinado por Bob Wolfenson, intitulado “Somos Todos Vira-Latas”, com a participação de celebridades ao lado de animais SRD. O material foi comercializado com renda revertida integralmente para as ações do instituto. Outros produtos como camisetas, roupas e acessórios também foram criados para financiar os projetos da instituição.
A campanha foi veiculada em salas de cinema e amplamente divulgada em redes sociais. Em suas ações contínuas, o Instituto Ampara Animal atua com foco em castração, guarda responsável, acolhimento de animais silvestres em situação de risco e apoio a abrigos em todo o país.
Ainda existe preconceito com animais sem raça definida, e essa data é uma oportunidade para ampliar o debate. Com essa campanha, queremos mostrar que o vínculo entre humanos e animais vai muito além de aparência ou raça”, afirma Juliana Camargo, fundadora da Ampara.
Campanha incentiva adoção de pets adultos
Adotar um cão ou gato na idade adulta é uma oportunidade de acolher um companheiro, receber amor e transformar a vida desses animais
Na hora da adoção, muitas pessoas optam pelos filhotes, por acreditarem que a adaptação à nova família será mais fácil. Adultos e idosos são os últimos a serem escolhidos. “Porém, há inúmeras vantagens em adotar um SRD já adulto, quando suas características e temperamento estão mais definidos e sua adaptação pode ser facilitada”, aponta Marina Macruz, médica-veterinária do Instituto PremieRpet.
1. Melhor adaptação à nova casa. Animais que não são mais filhotes geralmente se adaptam com mais facilidade a uma nova família. Tanto cães quanto gatos adultos são mais independentes. Eles já conhecem outras realidades e costumam ter menor rejeição aos novos ambientes e interações.
2. Já tem um tamanho e personalidade definida. Ao adotar um animal adulto, o tutor sabe que não terá surpresa no futuro, já que o seu tamanho está definido. Além disso, o pet adulto tem seus traços e personalidade determinados, e o tutor terá uma ótima noção de como ele irá se comportar no dia a dia.
3. Pode aprender tanto quanto um filhote. Apesar de já terem uma personalidade formada, eles também são aptos a aprenderem novas ações e comandos. Os pets adultos podem ser educados e treinados por meio de adestramento ou reforços positivos, inclusive com a utilização de petiscos.
4. Demandam menos tempo do tutor. Ao adotar um filhote, o tutor precisa garantir que terá um tempo maior para ensinar coisas básicas, como as regras da casa, o que pode e o que não pode, além do lugar certo de fazer xixi. Já os adultos são mais tranquilos e menos curiosos, sendo menos propensos a terem problemas com a adaptação, a acidentes e a destruir objetos pela casa.
5. São extremamente amorosos. Cães e gatos passaram boa parte de sua vida em abrigos ou nas ruas, então provavelmente darão muito valor ao seu novo lar. Eles são fiéis e amorosos, além de serem cheios de disposição para interagir e conviver com os humanos à sua volta.
Evidenciar e esclarecer essas vantagens para aumentar os índices de adoção é o propósito do Projeto “Adote Um Adulto”, fruto de uma parceria do Instituto PremieRpet e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desde 2019, por meio de um perfil nas redes sociais, @projetoadoteumadulto, o Projeto incentiva a adoção de cães adultos e idosos, compartilhando a história dos animais que aguardam um novo lar nas ONGs Amigo Animal, APATA, DNA Animal e MaxMello.
Com Assessorias








