O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem ganhado cada vez mais espaço nos debates sociais e científicos, impulsionado pelo aumento no número de diagnósticos e pelos avanços nas pesquisas que ampliam a compreensão sobre o transtorno. De acordo com o Censo 2022, o país tem cerca de 2,4 milhões de cidadãos autistas –1,2% da população brasileira.
Em meio a uma explosão de novos diagnósticos em todo o país, o Distrito Federal passou a contar com um novo espaço voltado à produção de conhecimento científico sobre o TEA. Foi inaugurado, na Estação 108 Sul do Metrô-DF, o Centro de Estudos nos Transtornos do Espectro Autista, o Cetea, considerado o primeiro centro da região Centro-Oeste com foco específico em pesquisas sobre autismo.
A iniciativa tem atuação sem fins lucrativos e reúne uma equipe multidisciplinar formada por 25 pesquisadores. O trabalho será direcionado ao desenvolvimento de estudos científicos e clínicos, além da produção de dados epidemiológicos capazes de apoiar a formulação de políticas públicas mais efetivas para pessoas autistas e suas famílias”, explicam os organizadores.
Vinculado à Escola de Saúde Pública do Distrito Federal e financiado pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde, o Cetea também terá papel importante na formação de profissionais. O centro promoverá atividades de ensino em parceria com serviços da rede pública, como unidades especializadas em autismo, orientação médico-psicopedagógica e atenção psicossocial infantojuvenil.
Além das pesquisas, estão previstas capacitações para profissionais da atenção psicossocial e de áreas relacionadas, fortalecendo a rede de cuidado, inclusão e atendimento especializado no Distrito Federal.
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Explosão de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista
Considerada atualmente a maior pesquisa sobre o tema da América Latina, a primeira edição do Mapa Autismo Brasil (MAB) em 2023 foi restrita ao Distrito Federal. Agora em 2026, o estudo de caráter qualitativo alcançou os 26 estados brasileiros e DF, consolidando-se como uma plataforma de inteligência de dados e pesquisa científica, aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade de Brasília (UnB).
Na segunda edição nacional, divulgada este ano, os números apontam para uma tendência de crescimento. Entre 2020 e 2024, o Brasil viveu uma verdadeira virada na identificação do autismo, com quase 70% dos diagnósticos realizados nesse período.
O levantamento entrevistou mais de 23 mil pessoas, entre autistas e familiares, e revelou um retrato amplo e inédito dessa população. Além de dados sobre escolaridade, renda e inclusão em políticas públicas, o estudo reforça a importância de compreender o cotidiano dos autistas para orientar serviços e legislações.
Retrato nacional
Os participantes da pesquisa responderam a 43 perguntas de forma online, pela plataforma MonkeySurvey, reconhecida pelo meio acadêmico por sua eficiência. Entre os destaques do mapa, estão dados como:
- 72,1% dos participantes têm entre 0 e 17 anos, mostrando que o diagnóstico é cada vez mais precoce;
- 65,3% são homens, número que acompanha padrões internacionais, mas também pode indicar subdiagnóstico em meninas (34,2%);
- 36,7% possuem o cartão Ciptea, documento oficial de identificação da pessoa com TEA. 30% afirmaram usar os serviços especiais disponíveis aos autistas, porém 22,1% disseram não usá-los;
- 30% afirmaram estar desempregados, e, dos empregados, 21,2% disseram trabalhar no serviço público, demonstrando que a seleção por concurso acaba sendo a mais acessível para o autista, pois dispensa entrevistas durante o processo, revelando um certo preconceito com a condição;
- A distribuição da idade do diagnóstico mostra que a maior parte das pessoas autistas recebe diagnóstico na primeira infância, com 51,71% diagnosticadas entre 0 e 4 anos, seguido de 17,11% entre 5 e 9 anos;
- A grande maioria (55,3%) informou ter sido diagnosticada por médicos particulares, 23,1% por profissionais de planos de saúde e 20,4% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com Assessorias




