Após receber o diagnóstico de câncer de estômago em estágio avançado, em março de 2024, o advogado, turismólogo, produtor cultural e empresário Tiago Martins Pitthan decidiu enfrentar o período mostrando o que poderia fazer com o tempo de vida que lhe restava.
Em maio deste ano, ele realizou o próprio velório, ainda em vida, para celebrar ao lado de amigos e famíliares em uma festa que teve música ao vivo, roda de samba e uma aquarelista fazendo pinturas em tempo real. A justificativa? Ele não queria faltar à sua própria despedida.
A festa – que atraiu mais de 1 mil pessoas, surpreendendo o próprio empresário – viralizou na internet e emocionou muita gente, sobretudo quem vive ou convive com quem enfrenta a jornada oncológica. Na noite deste domingo (5), Tiago faleceu aos 49 anos em Campo Grande (MS), sua cidade natal.
Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci todos os dias, a vida valeu”, disse em um vídeo publicado nas redes sociais, antes de falecer no no Hospital Cassems, onde estava internado.
Inspirado pela beleza do funeral de seu pai, no dia 30 de maio de 2026, ele realizou o evento “Velório em Vida – A Despedida do Bom Sujeito”. A celebração reuniu familiares, amigos e até desconhecidos em Campo Grande, contando com roda de samba, bandas de rock, chope e risadas.
Tiago utilizava o perfil @bomsujeito no Instagram para compartilhar sua rotina e reflexões com leveza, defendendo o lema: “Eu tenho câncer, mas o câncer NÃO me tem!”. Sua história de extrema coragem e resiliência foi amplamente divulgada por diversos veículos.
‘Apoiamos as pessoas a continuarem vivendo’
A repercussão da história de Tiago Pitthan trouxe à tona um tema ainda cercado de tabus: como viver de forma plena e com significado durante todas as etapas da jornada oncológica. O assunto gera debates sobre cuidados paliativos, autonomia do paciente e qualidade de vida diante de um diagnóstico de câncer avançado.
Para Joaquim Pinheiro, líder dos Cuidados Paliativos do A.C.Camargo Cancer Center, é fundamental ampliar essa conversa e reforçar que os cuidados paliativos não estão relacionados apenas ao fim da vida, mas ao cuidado integral da pessoa, respeitando desejos, valores e necessidades em diferentes momentos do tratamento.
O A.C.Camargo se inspira em histórias reais de quem trata o câncer vivendo e não podíamos deixar de reconhecer e exaltar a história do Tiago como um exemplo disso”, declarou. “Nós apoiamos todas as pessoas, cada uma com suas necessidades e vontades individuais, de qualquer tipo de câncer, em qualquer situação, avançado ou não, independente da fase da jornada oncológica, a continuarem VIVENDO com seus familiares, seus amigos e todos aqueles que lhe são importantes”, afirma.
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Tiago tinha rotina saudável até receber o diagnóstico
O caso de Tiago também chama atenção para a gravide do câncer de estômago, considerado um dos mais letais. O empresário levava uma muito ativa e saudável, sendo um homem profundamente ligado à atividade física. O diagnóstico de adenocarcinoma gástrico em 2024 foi um grande choque justamente por não dar sinais prévios e afetar alguém com hábitos saudáveis. A rotina dele mudou drasticamente em duas fases marcantes:
A rotina antes do agravamento da doença
- Treinos regulares: Ele continuou praticando atividades físicas com frequência.
- Trabalho e estudos: Manteve suas obrigações profissionais como advogado e seguiu estudando.
- Futebol: Era uma de suas grandes paixões esportivas, praticada regularmente até que o corpo exigisse repouso.
A mudança na rotina com o tratamento paliativo
- Novos aprendizados: Sem fôlego para o futebol, ele começou a aprender a tocar guitarra.
- Lista de sonhos: Passou a focar em experiências intensas que sempre quis viver, como pular de paraquedas e planejar viagens em família.
- Convivência: Dedicou quase a totalidade de seu tempo para estar perto de amigos, de sua namorada Roberta e de seus pais. [1, 2, 4, 5]
“Eu tenho câncer, mas o câncer não me tem”
- Homens: São os mais afetados, com 13.830 casos anuais estimados.
- Mulheres: Registram cerca de 8.700 casos por ano.
- Posição no ranking: Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o câncer gástrico ocupa a 5ª posição entre os tipos de tumores mais frequentes no país.
Taxa de letalidade e mortalidade
- Letalidade geral: A taxa de letalidade específica (proporção de pessoas diagnosticadas que evoluem para óbito) varia muito de acordo com o estágio da doença. No cenário brasileiro atual, a taxa de letalidade em dados consolidados de acompanhamento hospitalar gira em torno de 14,7% a 15% de forma global, mas pode passar de 80% a 90% em casos diagnosticados já em fase avançada ou metastática.
- Volume de óbitos: O Brasil registra uma média superior a 13.800 mortes anuais causadas diretamente por essa neoplasia.
- Disparidades regionais: A letalidade e a mortalidade são marcadamente mais agressivas nas regiões Norte e Nordeste do país. Na região Norte, por exemplo, a taxa de letalidade chega a atingir 22,8% devido, principalmente, às dificuldades de acesso a diagnósticos precoces.
Com Assessorias
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