Quem nunca escorregou no banheiro, tropeçou no tapete ou quase caiu ao descer uma escada? Situações comuns do cotidiano que, com o passar dos anos, tornam-se armadilhas perigosas. Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o dia 24 de junho marca o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, acendendo o alerta para um problema que afeta a saúde, a autonomia e a economia do país.
Novos dados do Ministério da Saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) revelam um cenário alarmante: os atendimentos ambulatoriais a idosos (entre 60 e 100 anos) decorrentes de quedas saltaram de 4.624 no primeiro bimestre de 2024 para 14.044 no mesmo período de 2026 — um crescimento expressivo de 203,7%.
As internações seguiram a mesma tendência de alta. Nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados 8.319 procedimentos assistenciais, representando um avanço de 28,8% em comparação com o primeiro bimestre de 2024. No acumulado entre 2024 e 2025, o SUS registrou 392.784 internações hospitalares de idosos por quedas, gerando um custo assistencial estimado superior a R$ 6,5 bilhões.
Fratura de quadril e fêmur é a mais temida
Aproximadamente 12 mil idosos morreram por acidentes domésticos no Brasil nos últimos dois anos, sendo as quedas a principal causa. De acordo com a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico (SBTO), as quedas em idosos representam hoje um dos maiores desafios para a saúde pública devido ao risco elevado de fraturas complexas e isolamento social.
A fratura no quadril e no fêmur é a condição mais temida na medicina geriátrica. Dados do DATASUS apontam que essa lesão correspondeu a 33,9% dos casos analisados (118.987 internações entre 2024 e 2025). O impacto clínico é severo:
Uma fratura de quadril no idoso não deve ser encarada apenas como um osso quebrado, mas como um evento de grande complexidade clínica, que pode comprometer significativamente a autonomia, a mobilidade e até a sobrevida do paciente”, ressalta o ortopedista Luiz Henrique Penteado da Silva, presidente da SBTO.
Além do quadril, o balanço epidemiológico indica alta incidência de outras lesões graves, como fraturas do antebraço (12,3%), traumatismos intracranianos (11,4%) e casos de estupor traumático e coma (8,3%), que indicam a violência do impacto na cabeça.
O impacto bilionário: os números levantados pelo Grupo IAG Saúde
Para detalhar a magnitude financeira e assistencial desse problema, um levantamento robusto conduzido pelo Grupo IAG Saúde, entre 2024 e 2025, revela por que proteger a população idosa é uma verdadeira emergência de saúde pública no Brasil.
A análise combinou os microdados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) com os indicadores da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, que avalia a complexidade clínica em hospitais públicos e privados. Os resultados mostram uma conta bilionária:
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Volume de internações: Foram registradas 392.784 internações de idosos por quedas no SUS no período de dois anos.
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Custo financeiro real: Esse volume gerou quase R$ 813 milhões apenas em remuneração hospitalar pública regular. No entanto, o impacto econômico real estimado pelo Grupo IAG Saúde ultrapassa os R$ 6,5 bilhões devido à cadeia de insumos, complicações e terapias necessárias.
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Complexidade assistencial: De acordo com a plataforma tecnológica, o índice de complexidade médio dessas internações ficou em 1,76 (em uma escala onde 1,0 representa a média padrão). Na prática, isso significa que um idoso internado por queda exige 76% mais recursos assistenciais e financeiros do que uma internação hospitalar típica.
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O cenário crítico em São Paulo: O estado de São Paulo concentrou a maior fatia do problema, com 99.059 internações e 6.470 óbitos. A taxa de mortalidade hospitalar por quedas no estado atingiu 6,5%, ficando significativamente acima da média nacional, que foi de 4,8% (com 18.874 óbitos hospitalares no país).
Os dados parciais compilados até o início de 2026 mostram estabilidade nos indicadores, provando que o problema não está diminuindo espontaneamente e exige intervenção estrutural urgente.
O perigo real das fraturas de fêmur e quadril
Embora representem cerca de um terço dos pacientes, as fraturas de fêmur consumiram 54% de toda a verba de remuneração hospitalar destinada a quedas. O custo médio por internação desse grupo chega a R$ 18,4 mil — valor 10% acima da média global.
O risco clínico também é severo:
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Unidade de Terapia Intensiva (UTI): Mais da metade (52,1%) dos pacientes com fratura de fêmur ou quadril precisou de cuidados intensivos em algum momento da internação, contra 35% no resultado geral de quedas.
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Mortalidade secundária: A taxa de mortalidade no primeiro ano após o acidente pode chegar a 20% ou 30% devido a complicações como infecções, trombose e pneumonia decorrentes da imobilidade prolongada.
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Vulnerabilidade de gênero: As mulheres representam cerca de 70% das vítimas dessas fraturas graves, um reflexo direto da osteoporose pós-menopausa. Além disso, as lesões concentram-se nos octogenários (55% tinham 80 anos ou mais).
Prevenção começa dentro de casa
A boa notícia é que a maioria desses eventos pode ser evitada com medidas simples de adaptação e estilo de vida. O ortopedista Robinson Esteves, ex-presidente da SBTO, reforça que a engenharia doméstica e os hábitos diários são os maiores aliados da longevidade.
Na questão estrutural, remova fios soltos que cruzam os cômodos e, se possível, troque o piso do banheiro por um modelo antiderrapante. Evite prateleiras de vidro e mantenha a casa sempre bem iluminada, principalmente o caminho até o banheiro durante a noite. Instalar lâmpadas sensoriais pode ajudar a evitar a necessidade de procurar o interruptor no escuro”, recomenda o médico.
O especialista lembra ainda que pequenos cuidados no dia a dia ajudam a blindar a saúde da terceira idade.
Também é importante adaptar os ambientes com suportes, corrimãos e outros acessórios de segurança no banheiro, sala, corredores e quarto. E, por fim, a prática regular de atividades físicas deve ser incentivada, pois ajuda a manter a força, o equilíbrio e a mobilidade, fatores essenciais para evitar quedas e preservar a autonomia na terceira idade”, conclui Esteves.
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Principais recomendações para evitar quedas
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Adaptação estrutural: Instale barras de apoio no banheiro, remova tapetes soltos e fios que cruzam os cômodos.
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Iluminação estratégica: Mantenha os ambientes claros, especialmente o caminho do quarto ao banheiro durante a noite. Lâmpadas com sensores de movimento são excelentes opções.
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Calçados seguros: Estimule o uso de sapatos fechados com solado antiderrapante. Evite andar apenas de meias ou chinelos soltos.
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Cuidado com acessórios: Verifique se as borrachas de ponteiras de bengalas ou andarilhos estão gastas e faça a substituição.
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Atividade física e saúde óssea: Incentive a prática regular de exercícios focados em equilíbrio e força muscular (como pilates, caminhada e tai chi), além do acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento da osteoporose.
Primeiros socorros: o que fazer em caso de queda?
Ao presenciar a queda de um idoso, o atendimento imediato e correto pode evitar o agravamento de lesões:
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Mantenha a calma e avalie a consciência: Verifique se o idoso está acordado e pergunte se há dor forte em alguma região.
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Evite a movimentação brusca: Se houver suspeita de fratura (dor intensa, incapacidade de locomoção ou deformidade), não movimente o idoso. Mantenha-o deitado em posição confortável e ligue imediatamente para o socorro médico (SAMU 192).
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Quedas aparentemente leves: Se o idoso não tiver dores fortes, ajude-o a se sentar devagar. Monitore as próximas 24 horas. Caso surjam hematomas, tonturas ou dores persistentes, procure um hospital.
Fontes de dados oficiais de SEO: Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA e Microdados SIH/SUS no DATASUS – Ministério da Saúde.
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