A desinformação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é amplamente disseminada e pode causar impactos reais na vida de pessoas autistas e suas famílias, atrasando diagnósticos, tratamentos e direitos. Em um contexto de circulação intensa de informações falsas, a alfabetização científica e a comunicação clara se tornam essenciais para proteção, respeito e inclusão.

A desinformação é uma das maiores ameaças à saúde pública no autismo. Ela gera medo, culpa e afasta famílias de intervenções que realmente fazem diferença.”, afirma o neuropediatra Fábio Barbosa, PhD em Neurociências e membro da Sociedade Brasileira de Neuropediatria.

Dados recentes mostram que a desinformação sobre saúde e autismo é mais comum do que se imagina. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz, 71,4% dos brasileiros já acreditaram em alguma informação falsa sobre saúde, 85% das  informações falsas sobre saúde são compartilhadas em redes sociais e aplicativos de mensagens. 

Outro estudo realizado pelo Instituto Cordial, denominado Autismo e Realidade, aponta que 62% dos pais de pessoas autistas já se depararam com orientações falsas que colocam em risco a saúde e o desenvolvimento de seus filhos.

Já o artigo científico escrito por Zuckerman et al., Pediatrics, apontou que 37% dos atrasos no diagnóstico do autismo estão relacionados à busca por tratamentos não científicos ou ineficazes.

É fundamental que pais, cuidadores e profissionais busquem sempre informações em fontes confiáveis e baseadas em evidências científicas.”, explica a psiquiatra Mayra Carrasco, especialista em autismo, professora da USP.

Fizemos um levantamento sobre os mitos que a ciência já desmentiu e o que a ciência confirma:

Mitos que a ciência já desmentiu

  • Vacinas causam autismo – FALSO. Estudos com mais de 1,2 milhão de crianças mostram que não há qualquer relação entre vacinas e TEA (Taylor et al., Vaccine, 2014).
  • Autismo tem cura – FALSO. O autismo não é uma doença e não precisa de cura; intervenções adequadas promovem qualidade de vida e autonomia (American Psychiatric Association, 2022).
  • Dietas restritivas ou suplementos tratam o autismo – FALSO. Não há evidências científicas consistentes que comprovem eficácia de dietas ou suplementos no TEA (Buie et al., Pediatrics, 2010).
  • Pessoas autistas não têm empatia – FALSO. Estudos de neurociência mostram que pessoas autistas sentem e expressam empatia de formas diferentes, mas reais (Kleinhans et al., J. Autism Dev. Disord., 2015).

O que a ciência confirma

  • O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento, de origem multifatorial (genética e ambiental) (Sandin et al., JAMA, 2017).
  • Diagnóstico precoce e intervenções baseadas em evidências científicas melhoram significativamente os resultados no desenvolvimento e na qualidade de vida (Maenner et al., CDC, 2020).
  • Aceitação, respeito às diferenças e inclusão são fatores essenciais para o bem-estar das pessoas autistas (Hodges et al., Nat. Rev. Psychol., 2020).
  • Informação correta empodera famílias e protege direitos (OMS, Relatório sobre Autismo, 2022).

Dicas dos especialistas para não cair em fake news

Para reduzir riscos de cair em informações equivocadas sobre autismo, especialistas recomendam que é preciso:

  • Consultar sites de instituições científicas e de saúde confiáveis.
  • Verificar a fonte e a data das informações.
  • Desconfiar de promessas de cura ou soluções milagrosas.
  • Conversar com profissionais especializados.
  • Valorizar experiências pessoais, mas sempre priorizando evidências.

Mais ciência, menos mito. Mais respeito, mais inclusão. Combater a desinformação é promover dignidade, autonomia e inclusão para as pessoas autistas”, diz a psicóloga Lívia de Pontes, doutora em Psicologia Social, pesquisadora em inclusão e diversidade.

A  coluna Conexão TEA busca promover uma sociedade mais informada, empática e inclusiva, transformando dados científicos em proteção, reconhecimento e apoio real para pessoas autistas e suas famílias.
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