Nos últimos anos, o crescimento no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem despertado atenção no Brasil. Das 14,4 milhões de pessoas com deficiência, 2,4 milhões são autistas, segundo dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em maio de 2025.

O Rio de Janeiro é o terceiro estado com mais pessoas diagnosticadas com autismo: são quase 215 mil, o que representa 1,3% da população residente. A pesquisa aponta ainda que a prevalência de diagnóstico de autismo é maior entre as crianças: 2,1% no grupo de 0 e 4 anos, 2,6% entre 5 e 9 anos e 1,9% entre 10 e 14 anos. Esses percentuais representam mais de 868 mil crianças.

O transtorno do espectro autista (TEA) pode comprometer a interação social, a comunicação e o comportamento do paciente e ele pode se manifestar de diferentes maneiras e intensidades, indo de pessoas com independência até aquelas que precisam de apoio contínuo. Um dos principais problemas no tratamento é o diagnóstico tardio, o que atrapalha no desenvolvimento e evolução dos pacientes.

No Sistema Único de Saúde (SUS), existem alguns serviços para acolher pessoas com transtornos do desenvolvimento, como o TEA e outras questões de saúde mental. Entre os espaços de cuidado no Rio de Janeiro estão os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis (CAPSi), além de centros especializados como Centro de Estímulo ao Desenvolvimento no TEA, criado pelo município.

Fora do SUS, há ainda diversos espaços que oferecem atendimento gratuito, como a Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia, no Centro do Rio, e  a Policlínica Dr Guilherme Romano, ligada ao Instituto de Educação Médica (Idomed) Città America, na Barra da Tijuca.

Abaixo, reunimos informações sobre estes serviços.

CAPsi são ferramenta de tratamento para pessoas autistas

Os CAPSi atendem crianças e adolescentes, de até 17 anos, que apresentam sofrimento psíquico grave, transtornos do desenvolvimento, como o TEA, psicoses infantis, depressão, ansiedade severa e que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. No município do Rio existem 11 unidades, seis delas administradas pelo Viva Rio, sendo duas na modalidade III, com atendimento 24 horas.

Só as unidades sob cogestão do Viva Rio recebem mensalmente cerca de 420 crianças e adolescentes: aproximadamente 50% são autistas e 62,2% negros (somando pretos e pardos). Nos CAPSi são oferecidos atendimentos individuais e em grupo, oficinas terapêuticas, atendimento familiar, visitas domiciliares e ações de matriciamento com escolas e unidades básicas de saúde, além de suporte em situações de crise.

Contam com uma equipe multidisciplinar que trabalha de forma integrada, com foco na reabilitação psicossocial, no fortalecimento dos vínculos familiares e sociais e na promoção da autonomia. Luciana, mãe de Emerson Júnior, de 15 anos, relata as mudanças no comportamento do filho.

Desde que meu filho começou a frequentar o CAPSi, há dois anos, sua vida tem melhorado muito. As atividades realizadas lá são maravilhosas, a criança se envolve em tudo. A unidade é boa não só para as crianças, mas também para as mães. A gente chega lá derrotada, cheia de problemas e somos acolhidas pelos profissionais. Somos atendidas pelos psicólogos, com quem podemos conversar. As mães também precisam ser tratadas”, enfatizou.

Centro de Estímulo ao Desenvolvimento no TEA

Ainda no Rio de Janeiro, pessoas com autismo podem ser atendidas no Centro de Estímulo ao Desenvolvimento no TEA, inaugurado pela prefeitura em parceria com o Viva Rio, em janeiro de 2024. O espaço fica no Centro Municipal de Reabilitação Instituto Oscar Clark, no Maracanã. A unidade recebe pacientes com suspeita ou confirmação de transtorno do espectro autista, com até 18 anos de idade, e oferece atendimentos de reabilitação.

O serviço disponibiliza um projeto terapêutico individualizado e multiprofissional para cada paciente, com oferta de especialidades como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e musicoterapia. A unidade tem capacidade para realizar até 150 atendimentos por semana, sendo destinada a pessoas previamente rastreadas na rede de Atenção Primária, em uma Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde. Caso receba indicação ao atendimento no centro, o paciente será encaminhado pelo Sistema de Regulação (Sisreg). 

Anelise Muniz, gerente técnica do serviço, explica que o tipo de atendimento varia de acordo com o diagnóstico da criança ou adolescente, mas que o principal objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas.

As intervenções terapêuticas variam de acordo com a categoria profissional e a necessidade ou grau de comprometimento do atraso do indivíduo. Para reabilitação intelectual, trabalhamos os estímulos através do perfil sensorial, da comunicação e da interação social, habilidades para serem trabalhadas na rotina diária da pessoa”, relata.

Com um ambiente lúdico e acolhedor, o centro conta com uma sala sensorial com diversos equipamentos, incluindo uma tirolesa e parede de escalada. O espaço também tem uma sala de interação coletiva com jogos para estimular a comunicação, a fala e a interação social, além de consultórios multiprofissionais para consultas individuais.

Também dispõe de uma sala com brinquedos terapêuticos para avaliar cognição, fala e motricidade ampla. Nesta sala também são realizados os testes e escalas de cada categoria profissional.

Existe ainda um ambiente confortável, projetado para garantir a possibilidade de a criança se recompor em quadros de agitação, chamado sala do “aconchego”, onde há poucos estímulos. A unidade também dispõe de brinquedos terapêuticos e instrumentos musicais que estimulam o desenvolvimento infantil.

Faculdade de Medicina no Rio oferece serviços gratuitos

A Policlínica Dr Guilherme Romano, ligada ao Instituto de Educação Médica (Idomed) Città America, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, oferece consultas gratuitas para diagnóstico e acompanhamento pediátrico e neuropediátrico para crianças com autismo, além de orientação para as famílias.
A equipe do Idomed, incluindo nossos alunos de Medicina, oferece atendimento humanizado, interdisciplinar e de qualidade, com análise, avaliação e diagnóstico das crianças com autismo, incluindo avaliação fisioterápica e psicológica“, afirma a neurocientista Teresa Ruas, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI), do setor de Pediatria da policlínica.
Para agendar consultas médicas, pais e responsáveis podem mandar mensagens por meio do Whatsapp (21) 99046-8938. A Policlínica fica no Shopping Downtown, na Avenida das Américas, 500, Bloco 7 – sala 202 A, na Barra da Tijuca.

Santa Casa oferece terapias tradicionais aliadas a práticas integrativas

A Sétima Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro mantém, desde 1996, o Ambulatório de Doenças Neurológicas e do Desenvolvimento, que já atendeu mais de 5 mil pessoas. O serviço atua em rede com instituições como o Ministério da Saúde, Hospital da Lagoa, ABBR e Acadin, fortalecendo o encaminhamento e o acompanhamento contínuo de pacientes.

O tratamento do autismo é multifatorial e envolve diferentes estratégias. Além das terapias tradicionais, como fonoaudiologia e psicopedagogia, algumas Práticas Integrativas Complementares (PICs), como homeopatia e acupuntura, vêm sendo adotadas no ambulatório, mediante pagamento de taxas mais acessíveis (de R$ 120 a R$ 150 cada consulta)

Com Assessorias
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