Muito se fala sobre o que devemos comer para manter a saúde e os cuidados na escolha dos alimentos. Mas, afinal, o que realmente importa? Estudos indicam que a diversidade de cores e nutrientes no prato, com menos conservantes e corantes, está diretamente ligada ao nosso bem-estar.

Diante disso, surge a dúvida: o que é, de fato, um prato saudável? E mais: é caro adotar uma alimentação que atenda às nossas necessidades nutricionais? Ou o desafio está em outro lugar: na rotina, no acesso ou nas escolhas do dia a dia?

Comida de verdade

Segundo a nutricionista Elisabetta Recine, professora e coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), a expressão “comida de verdade” é, na prática, uma maneira simples de falar em alimentação adequada e saudável.

A relação entre o que colocamos no prato e a nossa saúde é direta: tudo o que comemos transforma o nosso corpo e também a nossa mente. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, comer de forma saudável significa dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados.

Para a Harvard T.H. Chan School of Public Health, uma alimentação saudável passa pela incorporação desses hábitos na rotina diária: metade do prato deve ser composta por legumes e frutas. Já a outra parte inclui, em um quarto, grãos integrais, como trigo, quinoa, aveia e arroz integral , além de alimentos derivados, como massas integrais.

Além disso, a instituição recomenda reservar um quarto do prato para proteínas saudáveis, como peixe, frango, feijão e nozes,  com saladas e vegetais. Também orienta limitar o consumo de carne vermelha e evitar carnes processadas, como bacon, linguiça e salsicha.

Escolher também óleos vegetais saudáveis, como azeite de oliva, óleo de canola, soja, milho, girassol e amendoim.

Ultraprocessados

Embora possamos entender o que torna um prato mais saudável, por outro lado, estudos indicam que, enquanto os alimentos ultraprocessados ficaram mais baratos ao longo do tempo, os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários se tornaram progressivamente mais caros.

Não é novidade que os ultraprocessados trazem inúmeras consequências para a saúde, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Mas, afinal, o que falta para que os alimentos saudáveis se tornem mais acessíveis?

Combater o consumo excessivo de ultraprocessados vai além de uma escolha individual: trata-se também de uma estratégia de saúde pública. Ao reduzir o risco de doenças crônicas, é possível, a longo prazo, aliviar a pressão sobre o sistema de saúde, com menos internações e atendimentos recorrentes.

Esse movimento, por sua vez, também pode impactar os custos da assistência médica. Com menos diagnósticos e tratamentos contínuos, a tendência é de redução na demanda por serviços. Nesse sentido, em um cenário mais amplo, pode contribuir também para conter o avanço dos preços dos planos de saúde. Quem sabe?

Estamos em 2026 e já passou da hora de conter o avanço desse tipo de “alimentação”, que impacta a saúde da população, pressiona os serviços e contribui para encarecer o cuidado médico. Ao mesmo tempo, a alimentação saudável ainda esbarra em um desafio concreto: o custo.

No fim das contas, a escolha não está apenas no hábito, muitas vezes, ela começa no bolso.

Leia o artigo originalmente publicado no site Comida na Mesa aqui.
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