Dados do Ministério da Saúde apontam que 30% dos óbitos no Brasil são ocasionados por doenças cardiovasculares, o que representa aproximadamente 400 mil mortes por ano. No mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas causaram cerca de 19,8 milhões de mortes.

Em meio a este cenário, o Dia do Cardiologista, celebrado em 14 de agosto, homenageia os profissionais comprometidos com os cuidados do coração e a conscientizar a população sobre a importância da saúde cardiovascular. A data ganha um peso ainda maior em um período de pleno inverno brasileiro, considerado crítico para a saúde do coração.

Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) apontam que os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante a estação mais fria do ano, enquanto os registros de Acidente Vascular Cerebral (AVC) podem crescer até 20%, principalmente nos dias em que os termômetros ficam abaixo dos 14°C.

Fatores de risco agravantes na estação fria

A elevação do risco ocorre por conta de um mecanismo de defesa natural do organismo para manter a temperatura interna. O fenômeno provoca a contração dos vasos sanguíneos, eleva a pressão arterial e exige um esforço adicional do coração. Esse processo desencadeia a vasoconstrição, reduzindo o calibre dos vasos anguíneos para reter calor, e aumentando a resistência à circulação sanguínea.

Com a queda das temperaturas neste final de semana, a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) alerta para a necessidade de intensificar os cuidados com o sistema cardiovascular. O cenário preocupa principalmente idosos, portadores de hipertensão arterial, diabetes e pessoas com histórico de infarto agudo do miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).

No inverno, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal, e isso pode representar uma sobrecarga adicional para o coração. Por isso, é fundamental manter o controle da pressão arterial, usar corretamente as medicações prescritas, evitar esforços excessivos em dias muito frios e procurar atendimento diante de sinais como dor no peito, falta de ar, tontura, sudorese, palpitações ou fraqueza súbita”, destaca o cardiologista André Luis Câmara Galvão, presidente da Socergs.

Outros fatores de risco que agravam as chances

Além das baixas temperaturas, que provocam o estreitamento dos vasos, O impacto das doenças cardíacas vai além do clima, variações de gênero na manifestação dos sintomas, o histórico genético, a intensidade de práticas esportivas e comportamentos de risco cotidianos tornam indispensável um olhar preventivo amplo, capaz de analisar as particularidades de cada indivíduo e identificar alterações antes que evoluam para quadros graves.

A combinação de temperaturas baixas, poluição atmosférica mais densa e o aumento de infecções respiratórias típicas do inverno exige atenção imediata. Muitas vezes, o coração precisa trabalhar muito mais para manter o corpo aquecido, e quem já possui fatores de risco silenciosos pode ser pego de surpresa. Por isso, compreender que cada perfil exige um cuidado específico e manter o acompanhamento médico regular é fundamental”, alerta o Thiago Ghorayeb Garcia, cardiologista do Centro Médico e Diagnóstico (CMD) do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO). 

Outros aspectos típicos do inverno contribuem para o aumento das intercorrências cardíacas e vasculares:

  • Infecções respiratórias: Doenças como gripe e pneumonia geram processos inflamatórios que sobrecarregam o organismo.

  • Sedentarismo e alimentação: A tendência a reduzir a atividade física e consumir alimentos mais calóricos e gordurosos impacta os níveis de colesterol e glicose.

  • Desidratação: A menor ingestão de água durante o inverno deixa o sangue mais denso e facilitando a formação de coágulos. A falta de água no organismo reduz o volume sanguíneo e pode alterar a pressão arterial.

Atenção aos sintomas e quando é hora de emergência

A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul reforça que pacientes com diagnósticos prévios não devem suspender tratamentos ou alterar dosagens de medicamentos por conta própria. A manutenção de hábitos saudáveis, hidratação adequada e proteção contra a exposição direta ao frio extremo são essenciais para atravessar o período com segurança.

Sinais de emergência como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, tontura, palpitações, desmaio, fraqueza súbita em um lado do corpo ou dificuldade na fala exigem busca imediata por atendimento médico de urgência.

A realização de exames preventivos é importante para detecção precoce de alterações cardíacas, sendo o recurso mais eficaz para evitar desfechos graves à saúde, pois permitem um tratamento adequado antes que evoluam para complicações fatais. A prevenção cardiovascular começa aos 20 anos, com avaliação periódica dos fatores de risco.

O check-up cardiológico regular é recomendado por volta dos 40 anos, no entanto, a prática de atividade física intensa ou a presença de fatores de risco, como histórico familiar de AVC ou doenças cardíacas, tabagismo, sedentarismo, estresse, obesidade, níveis elevados de colesterol, glicose ou pressão arterial exigem uma investigação antecipada.

Para praticantes de esporte, seja em nível amador ou profissional, a avaliação médica antes de treinos intensos é indispensável para investigar sintomas que possam identificar doenças cardíacas silenciosas, e prevenir arritmias graves ou morte súbita durante o esforço.

Manter a rotina de exames em dia e o acompanhamento constante dos indicadores de saúde são pilares indispensáveis para prevenir doenças e preservar a qualidade de vida.

Check-up cardiológico integrado é aliado no cuidado com a saúde

Para combater esses riscos e incentivar a prevenção, a medicina moderna tem focado em modelos de atendimento que otimizam o tempo e contornam a rotina corrida dos pacientes. Atualmente, algumas instituições de saúde estão substituindo o modelo de agendamentos fragmentados por avaliações integradas, o que permite a realização de todas as consultas e exames diagnósticos essenciais em um único período e local.

Alguns exames são fundamentais para um diagnóstico preciso:

  • Laboratoriais: avaliação de glicemia, perfil lipídico, presença de anemia, função da tireóide, entre outros.
  • Eletrocardiograma (ECG): avalia o ritmo e a atividade elétrica do coração;
  • Ecocardiograma: exame de imagem que analisa a estrutura anatômica e o fluxo sanguíneo;
  • Teste Ergométrico: essencial para avaliar o funcionamento cardíaco sob o estresse do esforço físico.

 

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