O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo e o câncer de pulmão de não pequenas células representa aproximadamente 85% dos casos. O diagnóstico tardio é o principal gargalo para a cura da doença no Brasil.

Um levantamento do Instituto Lado a Lado pela Vida, realizado por meio da plataforma Data Câncer 360º com dados de 2023 do Sistema Único de Saúde (SUS), revelou que 89,6% dos pacientes chegam ao tratamento já nos estágios 3 e 4, quando as chances de recuperação são drasticamente reduzidas. Apenas 10,4% identificam o tumor em fases iniciais.

Neste mês, a campanha Agosto Branco engaja o país para conscientizar sobre os sintomas, a prevenção e a importância da detecção precoce. Iluminações especiais no Congresso Nacional e ações como a campanha “Respire Agosto” reforçam o alerta, amparadas pela Lei 15.207/25, que instituiu oficialmente o mês de conscientização sobre o tumor.

Fatores de risco e gargalos no rastreamento

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para 35.380 novos casos anuais no triênio 2026–2028 no Brasil,, sendo aproximadamente 18.730 casos em homens e 16.650 em mulheres. O câncer de pulmão é o segundo mais comum entre homens e o quarto entre mulheres no Brasil.

A enfermidade é responsável por aproximadamente 27 mil mortes anuais, sendo a principal causa de morte por câncer no Brasil. Mais de 70% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, o que reduz drasticamente as chances de cura.

O tabagismo segue como o principal vilão, associado a cerca de 85% dos diagnósticos,assim como a exposição passiva à fumaça do cigarro, permanece entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Estima-se que cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estejam associados ao consumo de produtos derivados do tabaco.

No entanto, especialistas alertam que a poluição atmosférica, exposições ocupacionais a agentes químicos e o uso crescente de cigarros eletrônicos entre jovens agravam o cenário. A incidência do câncer de pulmão apresenta queda desde meados da década de 1980 entre os homens e, entre as mulheres, desde os anos 2000. Segundo especialistas, essa diferença está relacionada aos diferentes padrões de adesão e abandono do tabagismo observados entre os sexos.

Dificuldade no diagnóstico compromete tratamento

O oncologista Igor Morbeck, do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, aponta que o atraso nos diagnósticos é acentuado pela ausência de um programa nacional de rastreamento contínuo e pela semelhança dos sintomas com doenças comuns.

  • Sintomas mascarados: Tosse persistente, leve falta de ar e dores ao respirar costumam ser confundidos com infecções, asma, bronquite ou gripe, fazendo o paciente adiar a busca médica.

  • Inadequação de exames simples: O raio X de tórax comum, frequentemente realizado na atenção primária, é inadequado para flagrar o tumor em estágio inicial. A indicação médica para rastreamento efetivo é a tomografia computadorizada.

  • Impacto econômico e social: A identificação precoce permite intervenções cirúrgicas resolutivas, gerando economia aos cofres públicos em comparação aos custos de tratamentos crônicos em estágios avançados.

Conscientização e esperança de cura

Ex-fumantes e fumantes ativos que pararam nos últimos 15 anos devem manter o acompanhamento preventivo constante. A história de Mônica Chain Montone, paciente do Instituto Lado a Lado pela Vida, ilustra o impacto do diagnóstico no início da doença.

Diagnosticada em 2008 após parar de fumar, Mônica teve uma probabilidade de cura de 94% graças ao diagnóstico precoce. Cura desde 2010 após tratar uma recidiva, ela hoje realiza tomografia anual de baixa radiação e atua como exemplo na conscientização de outros pacientes.

Principais sintomas do câncer de pulmão

Os principais sintomas do câncer de pulmão são tosse incessante ou que piora com o tempo, tosse com sangue ou muco com sangue, falta de ar e dor ao respirar ou tossir.

  • Tosse incessante ou que piora gradativamente;

  • Tosse acompanhada de sangue ou muco com sangue;

  • Falta de ar contínua e dor ao respirar ou tossir.

As opções terapêuticas evoluíram e abrangem desde cirurgias para remoção do tumor até quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Contudo, o acesso rápido aos exames adequados continua sendo a principal ferramenta para salvar vidas.

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pulmão

As formas de tratamento incluem cirurgia para retirar o tumor em fases iniciais, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo com remédios. Entre os pacientes com adenocarcinoma pulmonar, as mutações ativadoras do EGFR constituem importante subgrupo molecular, estando associadas ao uso de terapias-alvo específicas.

Após a progressão ao tratamento com inibidores de EGFR e quimioterapia à base de platina, as opções terapêuticas disponíveis apresentam benefício clínico limitado, o que caracteriza uma importante necessidade médica não atendida.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a inclusão de nova indicação terapêutica para o medicamento Datroway® (datopotamabe deruxtecana). O registro foi publicado nesta segunda-feira (27/7) no Diário Oficial da União (DOU) – Leia a Resolução 2.871/2026.

Agora, o produto passa a ser indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) localmente avançado ou metastático com mutação do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFRm) que tenham recebido terapia direcionada ao EGFR e quimioterapia à base de platina previamente.

O medicamento, do laboratório Daiichi Sankyo Brasil Farmacêutica Ltda., já tinha registro para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama.

Iluminação no Congresso Nacional

A fachada do Palácio do Congresso Nacional recebe neste sábado (8/8) e domingo (9/8), das 19h às 24h, uma projeção de frases para conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pulmão, seguida pela iluminação na cor branca, em referência à campanha “Agosto Branco”.

Uma das frases expostas é “No câncer de pulmão, cada dia importa. Esperar não é uma opção”. Também serão expostas as hashtags #CadaDiaImporta e #JuntosContraOCancerDePulmao.

A campanha foi instituída no ano passado, com a sanção da Lei 15.207/25, que prevê sua realização todo mês de agosto a fim de esclarecer a população sobre os sintomas, o prognóstico e o tratamento da doença. Também haverá divulgação dos serviços de atenção à saúde de referência para o cuidado dos pacientes com o tumor.

Com informações da Agência Brasil e da Anvisa

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