Condenado a 27 anos e três meses por liderar a tentativa de golpe de janeiro de 2023 e cumprindo prisão domiciliar humanitária provisória desde 27 de março deste ano, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de 71 anos, deve passar por mais uma cirurgia, desta vez, no ombro. A defesa alega que ele relata supostas dores intensas e limitações de movimento, mesmo após “tratamento conservador com fisioterapia e uso de medicamentos”.
O pedido de internação para a nova cirurgia – que deverá ocorrer mais uma vez no luxuoso Hospital DF Star – foi apresentado na terça-feira (21/4) pela defesa ao ministro do Supremo tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os advogados solicitam que o procedimento ocorra ainda nesta semana, entre sexta-feira (24) e sábado (25).
O problema já vinha sendo observado desde março, quando apresentou um quadro de infecção após um episódio de broncoaspiração e ficou internado por duas semanas. Laudos médicos encaminhados ao STF apontam que o quadro é decorrente de uma lesão traumática e indicam a necessidade de intervenção cirúrgica – uma artroscopia no ombro direito.
Tentativa de vincular dor no ombro a suposta queda na prisão
Em pleno ano eleitoral, empenhada em forçar a suspensão da pena de prisão do ex-presidente, a família tenta atribuir a dor no ombro de Bolsonaro a uma suposta lesão decorrente de uma queda da cama na prisão quando ele ainda na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em janeiro, após a queda, ele foi submetido a tomografia, ressonância e eletroencefalograma. No entanto, os exames na época não indicaram a necessidade de qualquer cirurgia.
Na petição, os advogados pedem que a eventual autorização judicial abranja todas as fases do tratamento, incluindo etapas pré-operatórias, internação, cirurgia e reabilitação. A defesa sustenta que a medida busca garantir a integridade física, a funcionalidade do membro afetado e a qualidade de vida do ex-presidente, classificando o pedido como de caráter “humanitário e sanitário”.
De acordo com a defesa, o procedimento será feito por via artroscópica, técnica minimamente invasiva, com o objetivo de reparar o manguito rotador e outras lesões associadas. Laudos médicos também relatam comprometimentos como lesão de alto grau em tendões do ombro e subluxação do bíceps.
Mas, afinal, quando a dor no ombro realmente exige cirurgia?
A dor no ombro – articulação mais móvel e flexível do corpo humano – costuma ser comum e, muitas vezes, acaba sendo ignorada no dia a dia, principalmente por quem convive com uma rotina corrida ou realiza movimentos repetitivos no trabalho ou na academia.
No entanto, quando o incômodo persiste, limita atividades simples ou até interfere no sono, pode ser um sinal de que o problema vai além de uma sobrecarga momentânea e merece uma avaliação mais cuidadosa, como por exemplo, um procedimento cirúrgico.
Em muitos casos, o paciente só procura ajuda quando a dor já está impactando a rotina de forma mais significativa. Esse atraso pode dificultar o tratamento e, em algumas situações, levar à necessidade de intervenções mais complexas”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Eduardo Malavolta.
O especialista explica que a dor pode se apresentar de forma discreta e intermitente no início, o que faz com que muitos pacientes adiem a busca por atendimento. Os principais casos em que o quadro pode levar à indicação cirúrgica incluem lesões do manguito rotador, caracterizadas por dor persistente, especialmente à noite e fraqueza para levantar ou sustentar o braço.
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Dor no ombro é mais comum em trabalhadores braçais e atletas
Elas são mais comuns em pessoas que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça, como em atividades de trabalho braçal, construção civil, pintura e até em esportes como musculação, natação e tênis. Também podem surgir de forma progressiva, ao longo do tempo, devido ao desgaste natural dos tendões, principalmente em pessoas mais velhas”, diz o médico.
Também entram nesse grupo as lesões traumáticas, geralmente provocadas por quedas ou acidentes, que podem causar dor intensa, perda súbita de movimento e suspeita de ruptura de tendões ou luxação, podendo exigir correção cirúrgica em alguns casos.
Outro fator é a instabilidade do ombro, quando há episódios recorrentes de deslocamento da articulação, acompanhados de sensação de falseio ou insegurança ao movimentar o braço, situação em que a cirurgia pode ser indicada para estabilização.
A cirurgia também pode ser considerada quando há falha do tratamento conservador, mesmo em lesões menos complexas, especialmente quando não há melhora após meses de fisioterapia e uso de medicamentos, e quando a dor passa a comprometer de forma significativa a rotina e a qualidade de vida do paciente”, diz o médico.
O acompanhamento médico adequado é essencial para garantir um diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado para a situação. Mais do que aliviar a dor, o cuidado com a saúde do ombro está diretamente relacionado à manutenção da autonomia e da qualidade de vida no dia a dia.
O mais importante é não normalizar a dor. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para definir o melhor tratamento e evitar a progressão do problema, garantindo mais qualidade de vida ao paciente”, conclui.
Com informações de Carta Capital e SBCOC






