Condenado por tentativa de golpe de Estado e preso há dois meses na Papudinha, Jair Bolsonaro foi internado às pressas na manhã desta sexta-feira (13/03) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília. Aos 70 anos, o ex-presidente recebeu um novo diagnóstico que se soma aos anteriores: broncopneumonia bacteriana bilateral, possivelmente de origem aspirativa.

O hospital informou que ele apresentava febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios e iniciou tratamento com antibióticos por via venosa e suporte clínico não invasivo.   Apesar da suposta gravidade, o quadro é considerado estável. Bolsonaro está consciente e não precisou ser intubado, mas deve ficar hospitalizado pelo menos por uma semana.

Não temos prazo ainda para alta da UTI. Vai ficar o tempo necessário para receber a medicação e depois ir para o quarto. É um tratamento mais prolongado, diferente de uma pneumonia simples em que o paciente recebe a medicação oral e vai para casa”, disse Brasil Caiado, médico particular do presidente,  que também assina os boletins médicos.

O cardiologistaque é primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, aliado político de Bolsonaro e passou a atender o ex-presidente ano passado – classificou o quadro como “extremamente grave”, destacando que o acúmulo de comorbidades torna este o desafio clínico mais acentuado já enfrentado pelo paciente.

A tomografia confirmou a nossa suspeita inicial e mostrando uma broncopneumonia bilateral mais acentuada à esquerda. E o que chama atenção é que esta pneumonia é a maior, mais acentuada em relação às outras duas que ele teve no semestre passado. Isso requer um cuidado especial agora”, afirmou o médico à imprensa.

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Quadro de Bolsonaro piora renal: ele faz fisioterapia e previne trombose

Um novo boletim médico divulgado na manhã deste sábado (14) informou que Jair Bolsonaro teve piora da função renal e aumento nos indicadores inflamatórios. O  Hospital DF Star informou que, apesar do agravamento dos rins, o ex-presidente está clinicamente estável e mantém o tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa. Bolsonaro também faz exercícios de fisioterapia respiratória e motora e recebe medidas de prevenção de trombose venosa.

Bolsonaro continua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta.  O boletim médico é assinada pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini; os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado; o coordenador da UTI Geral, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior; e pelo diretor-geral do hospital, Allisson B. Barcelos Borges.

Nem toda pneumonia é grave, alerta pneumologista

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a pneumonia, em suas diversas formas, figura como uma das principais causas de mortalidade em pessoas idosas e em pacientes hospitalizados.

Sobre o caso de Bolsonaro, o diagnóstico pode ser considerado potencialmente grave e “inspira cuidados”, mas “não quer dizer que a pessoa não vai curar ou que necessariamente será uma forma grave“, ponderou a pneumologista Marcela de Oliveira, membro da Comissão Científica de Infecções Respiratórias da  SBPT, em entrevista à Agência Brasil,

Ela explicou que a pneumonia é a infecção das vias aéreas mais terminais, ou seja, quando o agente – geralmente uma bactéria ou um vírus – consegue vencer a primeira barreira, que é o nariz, a boca, a garganta, os brônquios, e chega às vias aéreas mais terminais, na última, que é o alvéolo.

Quando a infecção chega lá, é dita pneumonia. Essa é a forma realmente mais grave de infecção das vias respiratórias porque é lá onde ocorre a troca de oxigênio. Quer dizer que todo o sistema falhou em proteger a entrada desse microrganismo nas vidas respiratórias”, completou.

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O que é a broncopneumonia bilateral de origem aspirativa?

Diferente de uma pneumonia comum, a broncopneumonia apresenta múltiplos focos de infecção espalhados pelos pulmões. Isso ocorre porque a inflamação atinge os alvéolos pulmonares e os brônquios de forma multifocal. A médica destacou que, no caso específico da broncopneumonia, não há distribuição anatômica de áreas infeccionadas nas vias aéreas.

“São múltiplos focos de infecção em lobos diferentes.” No caso de Bolsonaro, o termo “bilateral” indica que ambos os pulmões foram comprometidos, dificultando drasticamente as trocas gasosas e a oxigenação do sangue (saturação).

A ‘origem aspirativa’ da broncopneumonia ocorre quando o conteúdo do estômago (suco gástrico ou restos alimentares) é “aspirado” para as vias respiratórias em vez de seguir para o esôfago. Ele causa uma irritação química e leva bactérias diretamente aos pulmões, gerando a infecção.

A suspeita é particularmente relevante devido ao histórico de Bolsonaro  de múltiplas cirurgias abdominais. que geraram aderências e obstruções recorrentes. As aderências abdominais podem causar lentidão no esvaziamento gástrico e refluxo gastroesofágico, condições que facilitam a entrada de conteúdo gástrico ou saliva nas vias respiratórias.

Veja ao final do texto uma lista de Perguntas e Respostas sobre o quadro

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Apenas familiares são autorizados a visitar Bolsonaro

Moraes proibiu a entrada de celulares e dispositivos eletrônicos no quarto da UTI, mantendo a guarda policial 24h.

Na manhã da sexta-feira (13), Bolsonaro chegou à unidade hospitalar privada socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em decisão divulgada pelo STF no início da tarde de sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a presença da esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, no hospital, como acompanhante.

Moraes também autorizou os filhos Jair Renan, Flávio, Carlos, Laura, bem como a enteada, Letícia, a visitarem Jair Bolsonaro durante a internação. O ministro ainda determinou que a vigilância do ex-presidente seja providenciada pelo Núcleo do Custódia do 19º BPM do Distrito Federal. Policiais deverão ficar de prontidão 24 horas, sendo dois na porta do quarto, além de equipes dentro e fora do hospital.

Moraes também proibiu a entrada de computadores, telefones celulares ou quaisquer dispositivos eletrônicos, salvo equipamentos médicos, na unidade onde Bolsonaro está internado.

O que observar nos próximos boletins médicos de Bolsonaro

O Hospital DF Star deve emitir novos boletins nas próximas 24 horas. Saiba o que deve ser monitorado nos próximos boletins:

  • Resposta inflamatória (PCR e keucograma): A queda nos marcadores inflamatórios indicará se o antibiótico está vencendo a barreira bacteriana nos pulmões.

  • Curva térmica: A persistência da febre alta é o sinal de que o foco infeccioso ainda não foi controlado.

  • Suporte respiratório: Verificar se o ex-presidente continuará apenas com suporte de oxigênio (cateter/máscara) ou se haverá necessidade de ventilação não invasiva (VNI) para expandir os alvéolos comprometidos pela bilateralidade da doença.

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Novo quadro clínico deve aumentar pressão sobre o STF

Assim que Bolsonaro deu entrada no Hospital DF Star, a defesa do ex-presidente já preparou uma petição urgente para anexar este novo prontuário ao processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) em mais uma tentativa de obter a ‘prisão domiciliar humanitária’. 

O novo quadro clínico surge em um momento de extrema tensão política, apenas um mês após laudos oficiais da Polícia Federal apontarem que a estrutura do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, era “plenamente compatível” com o tratamento das comorbidades de Bolsonaro.

Especialistas acreditam que isso deve ser utilizado pela defesa como o “fato novo” necessário para reforçar a pressão de aliados e familiares sobre o ministro Alexandre de Moraes por uma transferência definitiva para o regime domiciliar.

A defesa agora deve argumentar que o ambiente carcerário — mesmo em uma Sala de Estado-Maior com atendimento médico e ambulância 24 horas — não foi capaz de prevenir uma infecção aguda, grave e potencialmente fatal.

Por outro lado, o STF deve avaliar se o episódio é uma intercorrência isolada (tratável com os antibióticos já prescritos na UTI) ou se indica uma fragilidade sistêmica que justifique a prisão domiciliar humanitária. O próximo passo será o novo parecer da Procuradoria Geral da República (PGR), que deverá avaliar se este episódio de broncopneumonia é uma intercorrência tratável ou se configura a “vulnerabilidade extrema” necessária para a prisão domiciliar.

A conferir as cenas dos próximos capítulos da nova novela sobre a saúde do ex-presidente, que segue condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar a trama golpista de janeiro de 2023, entre e outros crimes relacionados. Até o momento, ele cumpriu apenas 6 meses da pena a que foi condenado em setembro de 2025.

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FAQ: Por que cirurgias abdominais aumentam o risco de pneumonia?

1. O que é a broncoaspiração?

É a entrada acidental de substâncias (como alimentos, saliva ou suco gástrico) nas vias respiratórias. Em vez de seguirem para o estômago, esses resíduos “caem” nos pulmões, causando inflamação química e infecção bacteriana.

2. Qual a relação com as aderências e cirurgias abdominais?

Pacientes com histórico de múltiplas cirurgias abdominais, como o ex-presidente, costumam apresentar aderências (tecidos cicatriciais) que podem causar obstruções ou lentidão no funcionamento do sistema digestivo. Isso favorece o refluxo gastroesofágico. Quando o conteúdo gástrico retorna ao esôfago com frequência, o risco de ser aspirado para os pulmões durante o sono ou episódios de vômito aumenta consideravelmente.

3. Por que a pneumonia é “bilateral” nestes casos?

Na broncopneumonia aspirativa, o material infectado não se restringe a um ponto do pulmão. Ele se espalha pelos brônquios e pode atingir múltiplos lobos em ambos os pulmões, resultando no quadro bilateral, que é mais grave por comprometer uma área maior de troca de oxigênio.

4. Quais são os principais sinais de alerta em idosos?

Além da febre e tosse, deve-se observar:

  • Queda súbita na oxigenação (saturação abaixo de 95%);

  • Confusão mental ou sonolência excessiva;

  • Cansaço extremo ao realizar pequenos esforços;

  • Sudorese e calafrios.

5. Como é o tratamento em pacientes com comorbidades?

O tratamento é feito com antibióticos venosos de largo espectro. Em pacientes com hipertensão e aterosclerose, o monitoramento em UTI é essencial para garantir que a infecção não sobrecarregue o coração, já que o pulmão inflamado exige um esforço maior de todo o sistema circulatório.

Com informações da Agência Brasil e outros sites

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