

Em março, a agência chegou a publicar um alerta de farmacovigilância, para advertir pessoas que fazem uso dos produtos a respeito dos riscos. A Anvisa esclareceu, na época, que o risco de toxicidade não está relacionado ao uso da cúrcuma para o preparo de alimentos no dia a dia.
O alerta envolvia apenas medicamentos e suplementos, nos quais as concentrações são maiores. O comunicado se baseou em avaliações internacionais que identificaram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminoides.
O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, destacou a Anvisa.
Confira as três principais atualizações
- Inclusão obrigatória da seguinte advertência na rotulagem dos suplementos: “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas, biliares ou com úlceras gástricas. Pessoas com enfermidades e/ou sob o uso de medicamentos, consulte seu médico.”
- Os limites de consumo da curcumina devem ser calculados pela soma de seus três principais componentes (curcuminoides totais).
- Inclusão dos tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos, com restrição de mistura desse novo componente com o extrato natural da planta no mesmo produto, para evitar sobrecarga da substância no organismo.
Cúrcuma: conheça suas propriedades e como aproveitá-las
Entenda como essa planta milenar pode contribuir para o seu bem-estar
Uma revisão sistemática publicada na revista Phytotherapy Research, que analisou mais de 100 ensaios clínicos e incluiu mais de 7.000 participantes, identificou que a cúrcuma pode trazer benefícios para vários aspectos da saúde. Em particular, os resultados sobre quatro parâmetros — glicemia de jejum, colesterol bom (HDL), peso corporal e um marcador de inflamação (PCR) — foram considerados muito confiáveis pela qualidade dos estudos.
Para a a nutricionista Carolina Chevallier, gerente sênior de Assuntos Científicos da Herbalife para a América Central e do Sul, isso significa que há boas evidências científicas sustentando esses efeitos.
A ciência já demonstra que a curcumina, o composto ativo da cúrcuma, pode interagir com muitas moléculas no organismo, o que lhe permite influenciar vários processos biológicos ao mesmo tempo. Por exemplo, tem ação antioxidante, ajudando a proteger as células do envelhecimento precoce e dos danos causados pelo estresse oxidativo”, explica.
Segundo a especialista, a cúrcuma também possui propriedades anti-inflamatórias, atuando sobre mecanismos relacionados a doenças crônicas. Além disso, estudos indicam atividade antimicrobiana e sugerem um potencial efeito anticancerígeno e neuroprotetor, ainda em investigação.
Como escolher a cúrcuma adequada?
Apesar de todo o seu potencial, a curcumina apresenta baixa biodisponibilidade, ou seja, o corpo aproveita muito pouco do composto em sua forma natural, já que sua absorção é baixa e o que chega ao sangue é rapidamente metabolizado e eliminado, restando pouco tempo para atuar. É nesse ponto que os suplementos ganham relevância, pois muitas formulações são desenvolvidas justamente para superar essas limitações e otimizar o aproveitamento pelo organismo.
A versão da cúrcuma em pó é mais indicada para uso culinário (como condimento), enquanto os extratos padronizados (que concentram e medem a quantidade de curcuminóides presentes) ou as formulações avançadas de alta biodisponibilidade (com nanotecnologia, combinadas a outros bioativos ou outras tecnologias) são opções mais adequadas para fins nutricionais (como antioxidante para promoção e proteção da saúde) ou terapêuticos (como os que estão sendo estudados para câncer, doenças neurodegenerativas, osteoartrite etc.)”, comenta Carolina.
Não existe uma dose única recomendada de cúrcuma, já que a quantidade necessária pode variar conforme o tipo de formulação. Alguns suplementos trazem a dose em miligramas (mg), enquanto outros pedem quantidades maiores, como 1,5 grama ou mais. Isso varia conforme o tipo de ingrediente usado no produto.
Por isso, é importante checar se o suplemento usa um ingrediente patenteado e se há estudos clínicos que comprovam a dose recomendada. A especialista da Herbalife também recomenda observar outros pontos importantes na hora de escolher um suplemento:
• Concentração de curcuminóides: verifique no rótulo se o produto indica claramente a quantidade de curcumina ou curcuminóides que oferece e se utiliza um ingrediente patenteado.
• Biodisponibilidade: prefira produtos que indiquem tecnologias capazes de melhorar a absorção, como a associação com adjuvantes — por exemplo, a piperina (composto da pimenta-preta) — ou formulações avançadas de alta biodisponibilidade.
• Segurança e qualidade: confira se o suplemento possui registro no principal órgão regulador do seu país e se é produzido por um fabricante reconhecido e também registrado. Isso garante que tenham sido feitos testes de controle de contaminantes (metais pesados, pesticidas e microrganismos) e outros parâmetros de qualidade e segurança.
É importante que todo suplemento tenha a recomendação de um nutricionista ou médico, e que o especialista acompanhe o paciente para assegurar o uso adequado e seguro”, finaliza Carolina.
Com Agência Brasil, Anvisa e Herbalife





