Pacientes com doenças hematológicas passarão a contar com novas possibilidades de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (15/6) a inclusão do tratamento combinado de venetoclax com azacitidina para pacientes adultos com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada.
A combinação dos medicamentos é indicada a pacientes que, por condições clínicas, não são elegíveis ao tratamento padrão com quimioterapia intensiva, sendo mais uma alternativa de terapia para esse público.
De acordo com Portaria nº 30/2026, publicada nesta segunda-feira (15), a nova opção será disponibilizada na rede pública de saúde em 180 dias, conforme prevê norma federal que regula a incorporação de tecnologias no SUS.
A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e está alinhada ao Protocolo Clínico do Ministério da Saúde. O relatório técnico que embasou a decisão ficará disponível para consulta pública no portal da Conitec.
Inclusão do medicamento representa avanço na Oncohematologia
A incorporação da combinação venetoclax + azacitidina para adultos com leucemia mieloide aguda (LMA) inelegíveis à quimioterapia intensiva foi aprovada em maio deste ano na Conitec, uma decisão comemorada pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).
Foi uma vitória construída a muitas mãos para que possamos oferecer o melhor tratamento disponível para essa população de pacientes”, disse o coordenador do Comitê de Leucemias Agudas da ABHH, Evandro Fagundes.
A combinação também já é adotada internacionalmente para pacientes com leucemia mieloide aguda inelegíveis à quimioterapia intensiva e é considerada uma importante alternativa terapêutica para essa população.
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SUS também vai incluir nova terapia para mieloma múltiplo
Também em maio, a Conitec aprovou a incorporação da lenalidomida, a ser usada como terapia de manutenção para pacientes com mieloma múltiplo submetidos ao transplante de células-tronco hematopoéticas.
Para Angelo Maiolino, diretor de Ações Sociais, Acesso e Equidade da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), a chegada da lenalidomida ao SUS é resultado de uma mobilização coletiva ao longo do processo de consulta pública.
Finalmente, a lenalidomida vai chegar aos nossos pacientes do SUS. Essa, sem dúvida nenhuma, foi uma vitória da ABHH, mas mais do que isso, uma vitória de toda a sociedade que participou ativamente do processo de consulta pública”, afirma.
A terapia de manutenção com lenalidomida já integra protocolos internacionais e é utilizada em países como Estados Unidos e membros da União Europeia para pacientes com mieloma múltiplo após transplante.
As aprovações representam um avanço importante no acesso a terapias inovadoras na hematologia pública brasileira e aproximam o país de protocolos terapêuticos já adotados em sistemas de saúde internacionais para essas indicações. As incorporações devem impactar diretamente a qualidade de vida, o controle da doença e a sobrevida de milhares de pacientes”, afirmou a entidade, em nota.
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A novidade no tratamento da leucemia mieloide aguda em sua fase inicial representa um marco importante em pleno Junho Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a leucemia e as anemias, chama atenção para a importância do diagnóstico precoce das doenças que afetam o sangue.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 12,2 mil novos casos de leucemia por ano entre 2026 e 2028, consolidando a doença entre os tipos de câncer mais incidentes no país.
Segundo o Ministério da Saúde, a leucemia é um tipo de câncer sanguíneo originado na medula óssea, tecido responsável por produzir glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Quando há alguma mutação genética, esses componentes podem se transformar em células cancerígenas.
Na forma aguda, a doença se torna ainda mais fatal se não tratada de forma precoce. O diagnóstico nos primeiros estágios e o encaminhamento especializado são essenciais para bons resultados do tratamento. Essa é a forma mais comum da leucemia aguda em adultos e atinge, principalmente, pacientes idosos.
Embora a leucemia seja o câncer hematológico mais conhecido pela população, especialistas alertam que seus sinais iniciais podem ser confundidos com problemas de saúde mais comuns. Além disso, a campanha também busca ampliar o conhecimento sobre as anemias, condição caracterizada pela redução da hemoglobina no sangue e que pode estar associada a diferentes causas, incluindo deficiências nutricionais, doenças da medula óssea e até mesmo alguns tipos de câncer.
Falamos de doenças que, muitas vezes, se manifestam por sintomas aparentemente simples, como cansaço excessivo, palidez, falta de disposição ou infecções frequentes. Por isso, a conscientização é tão importante. Quanto mais cedo identificamos alterações no sangue, maiores são as chances de iniciar o tratamento adequado rapidamente”, explica Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo Cancer Center.
A leucemia se desenvolve quando células sanguíneas passam a se multiplicar de forma descontrolada na medula óssea. A doença pode se apresentar de diferentes formas, sendo classificada como mieloide ou linfoide, além de aguda ou crônica. Enquanto as leucemias agudas costumam evoluir rapidamente e provocar sintomas mais intensos, as formas crônicas frequentemente são descobertas em exames de rotina.
Sinais de alerta
Entre os principais sintomas que merecem atenção estão cansaço persistente, fraqueza, sonolência excessiva, palidez, falta de ar, infecções recorrentes, febre sem causa aparente, surgimento de manchas roxas pelo corpo, sangramentos prolongados e perda de peso involuntária.
No caso das anemias, também podem ocorrer palpitações, alteração do paladar, redução do apetite e formigamento nas mãos e nos pés, especialmente quando relacionadas à deficiência de vitamina B12.
Nem todo quadro de anemia está relacionado ao câncer, mas toda alteração persistente merece investigação médica. O hemograma é um exame simples, acessível e frequentemente o primeiro passo para identificar tanto anemias quanto doenças hematológicas mais complexas”, conclui o médico.
Além do transplante
Nos últimos anos, os avanços terapêuticos têm ampliado significativamente as perspectivas para os pacientes. Além do transplante de medula óssea, terapias-alvo e tratamentos celulares, como o CAR-T Cell, vêm transformando o cenário do tratamento das neoplasias hematológicas.
A onco-hematologia passou por uma verdadeira revolução. Hoje conseguimos personalizar tratamentos, oferecer terapias cada vez mais precisas e alcançar resultados que eram inimagináveis há algumas décadas. Ainda assim, o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para o sucesso terapêutico”, destaca o oncologista Jayr Schmidt Filho.
Com Assessorias






