Em rede nacional, a atriz Rafa Kalimann, de 22 anos, rompeu o silêncio e expôs uma dor muito comum na gestação: as frustrações e os desafios emocionais de quem se sente sozinha em um momento tão sensível para a mulher. Romantizar a maternidade é fácil; difícil é encarar a falta de acolhimento, parceria e presença emocional, principalmente do companheiro.

O relato de abandono nos momentos mais necessários durante a gestação, ou mesmo ao longo do desenvolvimento do papel mais sublime da mulher, constata que ela não está isenta de sentir frustração, insegurança ou medo. Afinal, nem tudo são flores, e é preciso olhar com mais atenção e empatia para a saúde mental de quem enfrenta desafios na busca por ser mãe.

Assim como Rafa, muitas mulheres vivem esse silêncio e precisam enfrentar seus medos, ansiedade e angústias sem contar com o apoio do pai do bebê. A chegada de um filho transforma rotina, relações e identidades, além de despertar vulnerabilidades até então desconhecidas. E, quando esse momento acontece em meio à falta de apoio emocional do companheiro, os impactos podem ser desastrosos, principalmente em uma primeira gestação.

Os principais desafios dessa etapa da vida são: a culpa materna constante, ocasionada pela autocobrança em ser uma mãe perfeita; as intensas alterações no corpo e no emocional, causadas pelos hormônios, que geram ansiedade, tristeza e medo; a sobrecarga física e mental, que potencializa o cansaço e a sensação de alerta; o sentimento de perda da identidade, já que a mulher passa a viver em função do filho que vai nascer; a privação do sono; a solidão intensa; e a exaustão mental.

Imaturidade, fuga da responsabilidade ou puro suco de machismo

Em relação às justificativas para que o companheiro se ausente e provoque o sentimento de solidão nessa mulher, podemos destacar alguns fatores específicos, como imaturidade masculina e fuga da responsabilidade, muitas vezes por acreditar não ser capaz de lidar com as mudanças da relação ou por não se sentir preparado para auxiliar a companheira em momentos de ansiedade, medo e frustração.

O puro suco do machismo também pode ser uma causa, quando esse homem entende que é apenas um provedor e não se sente responsável pelo acolhimento afetivo. Por fim, a dificuldade em compreender as reais dimensões da maternidade, bem como o ciúme em relação ao filho que vai chegar.

Enfim, a exposição da atriz expressa um comportamento louvável e educativo, de grande responsabilidade, permitindo ensinar ao mundo que romantizar a maternidade é, no mínimo, uma ilusão perigosa, pois induz à omissão das dores e dos sentimentos da mulher.

Além disso, mostra que a falta de apoio emocional não significa apenas ausência física. Muitas vezes, o parceiro está presente dentro de casa, mas emocionalmente distante, invalidando sentimentos, minimizando dores ou deixando toda a carga mental para a mulher.

Falar sobre isso é importante porque normalizar o sofrimento materno silencioso adoece mulheres. Portanto, a maternidade não deveria ser sinônimo de abandono emocional, e pedir acolhimento não é excesso: é necessidade humana.

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