Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, 3% da população mundial (125 milhões de pessoas) são acometidos pela psoríase. No Brasil, 1,3% da população fazem parte dos afetados, o que representa cinco milhões de brasileiros.

A psoríase é uma doença crônica caracterizada por uma inflamação na pele, que ocasiona o aparecimento de manchas vermelhas, com escamas, principalmente nos joelhos, cotovelos e couro cabeludo, que além de gerar muita coceira e dor, podem provocar queimação.

Esta doença tem predisposição genética, mas pode aparecer também devido a estresse, problemas emocionais e fatores ambientais, manifestando-se em pessoas com cerca de 20 e 40 anos, com reações que aparecem e desaparecem de tempos em tempos. Apesar de não ser contagiosa, o preconceito e a vergonha são desafios que afetam significativamente a qualidade de vida daqueles que enfrentam a doença diariamente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologiapsoríase pode atingir as articulações com dores e inflamações, gerando a artrite psoríasica, impactando entre 20% e 40% dos homens e mulheres que são acometidos por essa doença. Trata-se de um tipo de artrite crônica que atinge as articulações de pessoas com psoríase,

Apesar de os sinais e sintomas serem um pouco diferentes, a psoríase e a artrite psoriásica estão interligadas e essa relação precisa ser levada em consideração na hora de fazer o diagnóstico. Por isso, o paciente e a sociedade em geral precisam ter conhecimento sobre os sinais e sintomas dessas duas doenças.

Em outubro, é celebrado o Dia da Conscientização da Psoríase (29/10), data importante para reforçar a importância de não subestimar os sintomas, diagnosticar precocemente e buscar pelo tratamento adequado, para assim reconquistar qualidade de vida. A data também se propõe a conscientizar a população e em apoio as pessoas que passam pela doença de pele autoimune.

Leia mais

Como a psoríase impacta na saúde mental do paciente
Teste seus conhecimentos sobre a psoríase
Sob forte preconceito, psoríase é confundida com alergias

Entenda a doença psoriásica

Identificar os pacientes com psoríase que tenham risco aumentado de desenvolver artrite psoriásica, para melhor compreender a história natural dessas doenças e saber as opções terapêuticas que existem para tratá-las, são papéis dos especialistas.

A doença psoriásica é uma condição inflamatória, crônica que atinge, em sua maioria, pessoas jovens – de 20 a 50 anos – em plena idade produtiva. Ela pode dificultar as atividades do dia a dia, a rotina do trabalho, os momentos de lazer e as relações sociais. No caso da psoríase, prurido, dor, sensação de queimação, espessamento, fragilidade ungueal e lesões escamativas na pele e couro cabeludo são os principais sintomas.

O acompanhamento médico e o tratamento adequados podem interromper o curso inflamatório da doença levando à consequente melhora dos sinais e sintomas, encurtando a jornada do paciente.

A artrite psoriásica atinge as enteses (locais de inserção de tendões, ligamentos e cápsula das articulações ao tecido ósseo e com função de ancoragem ou sustentação e de dissipação de energia entre os tendões e o osso; mais conhecidos como tendinites e bursites), articulações (artrite e dor articular) e ossos.

Também podem acontecer manifestações nos olhos (uveíte ou olho vermelho com turvação visual e dor local). A localização das lesões de psoríase, como couro cabeludo, unhas, sulco interglúteo, região axilar e virilha, também influenciam o maior risco do surgimento da artrite psoriásica.

“As lesões expostas geram vergonha em relação ao corpo, e a dor, em áreas sensíveis como planta dos pés, palma das mãos e região de dobras, gera desconforto. Bullying, isolamento social e discriminação também são comuns devido à manifestação visual da doença e o receio dela ser contagiosa”, explica a dermatologista Aline Bressan, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Diagnóstico correto pode levar até 5 anos

Os pacientes de artrite psoriásica passam por desafios importantes. Estudos apontam que até 50% dos pacientes permanecem sem diagnóstico e o atraso pode ser de até cinco anos desde o início dos sintomas.

“O que pode contribuir para a demora no diagnóstico e consequentemente para o início do tratamento adequado, é a falta de referenciamento do especialista correto. Muita gente não sabe, mas o especialista indicado para tratar a artrite psoriásica é o reumatologista”, explica o reumatologista Marcelo Pinheiro, membro da Comissão de Espondiloartrites da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Segundo o especialista, a artrite psoriásica não controlada causa dor crônica, comprometimento funcional e a redução da qualidade de vida. Isso traduz não só a importância de diagnosticar e tratar adequadamente essas doenças, como também de se adotar uma abordagem multidisciplinar desde a descoberta dos primeiros sinais e sintomas”, declara.

Leia também

Verão: banhos de sol podem ajudar nos cuidados da psoríase
Psoríase: é preciso tratar a doença e o preconceito
Impacto psicológico da psoríase é tão alto quanto o físico
Pele também sofre os danos causados pelo estresse: entenda esse efeito

Doença pode estar associada a comorbidades

É importante destacar que quando falamos de doença psoriásica, também estamos falando de doenças sistêmicas, com impacto em diferentes órgãos. A psoríase e a artrite psoriásica geralmente estão associadas a alguma comorbidade, como as doenças inflamatórias intestinais, depressão, ansiedade, distúrbios de humor, doença hepática gordurosa não alcoólica, doença renal crônica e aumento do risco de doenças cardiovasculares relacionado a obesidade, diabetes, hipertensão arterial, entre outras.

Daí a importância da abordagem multidisciplinar e do tratamento adequado desde o início”, afirma o reumatologista. “É também fundamental estar atento ao controle do peso corporal, a melhora da alimentação e a prática de exercícios físicos. O ganho de peso está associado ao pior controle da atividade inflamatória da doença e a maior necessidade de troca de medicações”, finaliza.

Diagnóstico de artrite psoriásica pode ser percebido na manicure

Muitas pessoas que possuem deformações como manchas esbranquiçadas, ondulações e até “furinhos” nas unhas as tratam como infecção fúngica, sem sucesso. Isso porque o diagnóstico está errado. Segundo a reumatologista Luiza Fuoco Rocha, diretora regional da Imuno Brasil, sinais como estes, embora sejam facilmente confundidos com outras enfermidades, podem sugerir o diagnóstico de artrite psoriásica.

“A artrite psoriásica é uma doença inflamatória crônica que acomete articulações, tendões e coluna causando dor, deformidade, fadiga e grande impacto na qualidade de vida dos pacientes. Na maioria dos casos as lesões de pele da psoríase precedem a manifestação articular, mas ocasionalmente podem surgir depois, se apresentar em locais escondidos (couro cabeludo, regiões de dobra ou genital) ou nas unhas”, diz Luiza.

Membro da Comissão de artrite psoriasica da SBR e do GRAPPAA, a médica ainda ressalta que outros sintomas desta forma de artrite como descamações, lesões avermelhadas, dores nos dedos e pernas podem ser reconhecidos durante um momento de cuidado, como ir a manicure.

Ela lembra que nenhum destes sintomas é contagioso, e que a doença pode afetar homens e mulheres igualmente. “Por isso, o importante é estar atento a todos os sinais”, afirma Luiza Fuoco Rocha, que é graduada em Medicina pela Uerj e doutora pela Faculdade de Medicina da USP.

Ccaso sejam percebidos o ideal é procurar por um reumatologista para avaliação e diagnóstico completo. O diagnóstico e tratamento precoce é fundamental, uma vez que o curso natural da doença pode progredir rapidamente. Entre os cuidados estão o controle de estresse, atividades físicas e acompanhamento psicológico.

Não tem cura, mas tem tratamento

A doença psoriásica não tem cura, mas tem tratamento, e ele deve ser individualizado levando em consideração a fase em que a doença se encontra e o perfil de cada paciente. Entre as terapias disponíveis para o tratamento da psoríase estão as medicações tópicas (cremes e pomadas), fototerapia (banhos de luz), as medicações orais, e os medicamentos imunobiológicos.

No caso da artrite psoriásica, dependendo do estágio da doença, os pacientes podem apresentar alívio dos sintomas articulares com o uso de anti-inflamatórios associados. Medicamentos remissivos costumam ser a melhor opção já que possibilitam mudança na evolução natural da doença.

Uma das inovações no tratamento da psoríase e artrite psoriásica, é a introdução do uso de imunobiológicos. Eles têm resultados robustos em estudos científicos melhorando de forma significativa os sintomas cutâneos e articulares em longo prazo.

“Os agentes biológicos são produzidos a partir de organismos vivos por meio de processos biotecnológicos e atuam em alvos específicos envolvidos no processo inflamatório. Eles conseguem mudar o curso e transformar a doença psoriásica, amenizando os sinais e sintomas e devolvendo a qualidade de vida ao paciente”, explica a dermatologista Aline Bressan.

O tratamento para artrite psoriásica, apesar de ser realizado com uso de antinflamatórios e imunossupressores, é individual e merece acompanhamento de um especialista, como alerta a reumatologista Luiza Fuoco Rocha.

“Os biológicos, como inibidores de TNF alfa, IL17i, 12/23i e IL23i, demonstraram um claro benefício em controlar os sinais e sintomas de psoríase e da artrite psoriásica. Ao bloquear essas substâncias observamos redução de dor e inflamação nas articulações, resolução da inflamação da pele, e interrupção dos processos que levam a destruição articular”, finaliza a médica.

Psoríase Pustulosa Generalizada também é desconhecida

Não é apenas a artrite psoriásica que é pouco conhecida. A Psoríase Pustulosa Generalizada (PPG) é uma doença inflamatória crônica da pele que afeta 9 em cada 1 milhão de habitantes no Brasil. Ela ataca principalmente a pele, mas pode comprometer o paciente também de forma sistêmica. É rara, crônica, frequentemente imprevisível e potencialmente grave, caracterizada pela presença de pústulas (pequenas bolhas de pus) estéreis e dolorosas em todo o corpo. É geneticamente e clinicamente diferente da psoríase em placas.

A PPG é causada pelo acúmulo de neutrófilos (um tipo de célula branca do sangue) na pele. A evolução clínica varia, com alguns pacientes tendo uma doença recorrente com crises repetidas e outros tendo uma doença persistente com crises intermitentes. Embora a gravidade das crises de PPG possa variar, se não forem tratadas, podem levar à hospitalização e representar risco de vida devido a complicações como sepse e falência de múltiplos órgãos e sistemas.

Para tornar a doença mais conhecida pela população, a Boehringer Ingelheim escolheu esse tema para reconhecer as melhores reportagens sobre a psoríase pustulosa generalizada (PPG) publicadas durante 2023. “A escolha deste tema é guiada pela urgente necessidade de discussão em torno da doença. Não apenas pela sua raridade e desconhecimento, mas também devido à invisibilidade dos pacientes que convivem com a PPG, muitas vezes silenciados pelo receio do preconceito”, diz a farmacêutica.

SBD: conheça outros tipos de psoríase

Dia Mundial da Psoríase – campanhas

Para o Dia Mundial da Psoríase, a Sociedade Brasileira de Dermatologia lança a campanha ‘Minha Segunda Pele’, criada pela Triunfo Sudler, agência especializada em Health & Wellness. No conceito desenvolvido para a campanha, as lesões provocadas pela psoríase são representadas de forma artística e sensível, com o objetivo de trazer mais leveza ao tema e ajudar pessoas a verem a doença de uma forma mais empática e positiva.

A Janssen também coloca no ar a sua campanha 2023 que reforça a parceria com o paciente, seus familiares e com os profissionais de saúde, ao disseminar informação de qualidade sobre diagnóstico, cuidado multidisciplinar, tratamento adequado e qualidade de vida. Para mais informações sobre a campanha e a doença psoriásica, acesse aqui.

Com Assessorias

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!
Shares:

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *