Seis anos após o início da maior crise sanitária do século, o Brasil mobiliza suas principais instituições de saúde e cultura para garantir que as lições da pandemia não sejam esquecidas. Duas grandes iniciativas, capitaneadas pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz, trazem ao público mostras que entrelaçam a dor das perdas, a solidariedade das periferias e o papel crucial da ciência pública na defesa da vida.
Em Brasília, a exposição itinerante “A Infinita Memória da Pandemia: a história da Covid-19 por todos nós, brasileiros” propõe uma experiência sensorial e coletiva. A mostra inaugurada no Shopping Conjunto Nacional é a primeira atividade promovida após a reinauguração do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), hoje gerido em parceria com a Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio).
No Rio, o histórico Pavilhão do Relógio, no campus da Fiocruz em Manguinhos, agora climatizado e modernizado. reabre suas portas para receber o público. Batizado de “Pavilhão da Peste” (onde se produziam soros contra a peste bubônica), o prédio construído em 1904 e tombado como patrimônio histórico nacional será o palco da mostra “Favela viva: enfrentamentos à pandemia de Covid-19 em Maré e Manguinhos”, a partir de 1º de junho.
‘`Pelo menos metade das mortes seriam evitadas’, diz ministro
Durante a abertura da exposição em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou os esforços para a reconstrução das políticas públicas e a recuperação das coberturas vacinais no país, além de enfatizar o impacto destrutivo da desinformação:
Todos os estudos mostram que pelo menos metade das mortes seriam evitadas se o Brasil não tivesse sido tão irresponsável na oferta da vacina para o povo brasileiro. Se não houvesse também o negacionismo e o desmonte de políticas públicas na época da pandemia, a tragédia teria sido menor.”
As ações ganham ainda mais relevância com a sanção recente do Projeto de Lei nº 2.120/2022, que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, a ser lembrado anualmente em 12 de março — data que marca o primeiro óbito registrado pela doença no país, que somou mais de 700 mil vidas perdidas.
Plano que levou saúde às favela completa 6 anos
No Rio de Janeiro, o legado de enfrentamento à Covid-19 consolida-se não apenas na história, mas em ações estruturantes de saúde pública. O Comitê Interinstitucional do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro celebrou seus seis anos de existência nesta sexta-feira (29 de maio), em reunião comemorativa no campus Maré da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O projeto, que nasceu em 2020 para socorrer as populações mais vulneráveis no pico da pandemia, consolidou-se como um dos maiores programas de saúde territorial do Brasil. O impacto da iniciativa é traduzido em indicadores robustos: hoje o plano atua em 175 comunidades espalhadas por 33 municípios fluminenses, tendo beneficiado diretamente mais de um milhão de moradores por meio de 146 projetos de promoção da saúde e segurança alimentar.
Como próximos passos, o comitê anunciou o lançamento de novos editais de parceria, a abertura de cursos de atenção básica comunitária e a produção de um documentário institucional que registrará o impacto desse trabalho nas redes locais.
Parceria histórica e política de Estado nas favelas cariocas
A estruturação do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro foi viabilizada pelo apoio decisivo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Sob a presidência do então deputado André Ceciliano (PT), a Casa garantiu um repasse orçamentário histórico de R$ 20 milhões, somados a R$ 3 milhões da Fiocruz e R$ 700 mil em emendas parlamentares federais.
Durante o evento, Ceciliano foi homenageado pelo comitê pelo suporte técnico e financeiro que transformou o socorro emergencial em política pública permanente.
Esse projeto nasceu em um dos momentos mais difíceis da nossa história recente, em meio à pandemia da Covid-19, quando as desigualdades ficaram ainda mais evidentes. Tenho muito orgulho de a Alerj ter contribuído para transformar ciência, solidariedade e ação concreta em política pública”, afirmou André Ceciliano.
Para o coordenador do comitê executivo pela Fiocruz, Richarlls Martins (foto abaixo), o aporte permitiu valorizar o saber local e estruturar uma rede permanente de cuidado construída de dentro para fora das comunidades.
A deputada Renata Souza (PSOL) enfatizou a mudança profunda de paradigma trazida pelo projeto, destacando que “durante décadas, o Estado insistiu em olhar para as periferias exclusivamente pelo prisma da segurança pública”.
Exposições resgatam história da Covid-19 no Rio e Brasília
Essa mesma trajetória de luta e sobrevivência nas periferias ganha as telas e os espaços culturais. Composta por dez estações imersivas projetadas pelo Estúdio Bijari, a exposição “A Infinita Memória da Pandemia: a história da Covid-19 por todos nós, brasileiros” transforma o acervo do Memorial Digital da Pandemia em um mosaico de cartas, diários, fotos, vídeos e áudios enviados por cidadãos de diversas realidades do país.
A exposição permanece em Brasília até 28 de junho e, depois, seguirá em formato itinerante por São Paulo, Fortaleza, Manaus e Porto Alegre, antes de se fixar permanentemente na sede do CCMS, no Rio de Janeiro. O projeto conta com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da Bireme e do Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.
Diferente das análises puramente estatísticas, a exposição “Favela viva: enfrentamentos à pandemia de Covid-19 em Maré e Manguinhos” adota uma curadoria participativa construída junto a movimentos sociais, moradores e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Dividida em oito módulos acessíveis — com objetos táteis e jogos de combate a fake news —, a narrativa destaca a rede de apoio, a subsistência e a luta por condições básicas de higiene travada pelas comunidades durante o isolamento social. Paralelamente, a Fiocruz lança a exposição virtual “Memórias da Covid”, um desdobramento da pesquisa coordenada pela historiadora Simone Kropf.
A plataforma digital funciona como uma linha do tempo detalhada que vai de dezembro de 2019 (os primeiros alertas globais) a maio de 2023 (fim da emergência sanitária pela OMS). O espaço reúne matérias jornalísticas, documentos oficiais e depoimentos de cientistas e lideranças comunitárias, servindo como um repositório essencial de evidências contra o negacionismo científico.
Serviço
Exposição “A Infinita Memória da Pandemia” (Brasília)
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Onde: Shopping Conjunto Nacional.
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Quando: Até 28 de junho, no horário de funcionamento do shopping.
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Entrada: Gratuita.
Inauguração das Mostras “Favela Viva” e “Memórias da Covid” (Rio de Janeiro)
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Onde: Tenda da Ciência Virgínia Schall / Pavilhão do Relógio – Museu da Vida Fiocruz (Campus Manguinhos).
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Quando: 1º de junho, às 10h.
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Entrada: Gratuita.
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Mais informações: O conteúdo digital poderá ser acessado na plataforma oficial da Fiocruz.
Com Assessorias











