Em pleno outono, uma nova onda de calor com altas temperaturas deve atingir diferentes regiões do Brasil esta semana. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho, que indica grande perigo, para uma onda de calor que poderá atingir os estados do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O alerta está em vigor desde domingo e seguirá até as 18h de sábado (25).O grau de severidade se dá em razão do risco à saúde, uma vez que a previsão é de temperaturas 5ºC acima da média por período maior do que 5 dias.
Nutricionistas alertam para os sintomas de desidratação no período. Segundo um levantamento realizado pela marca Liquid I.V., 70% dos brasileiros sentem sintomas de desidratação, mesmo sem associá-los a essa condição. Agora, com a persistência das altas temperaturas, é importante reforçar que mesmo a desidratação leve nem sempre se manifesta apenas por meio da sede, afetando a produtividade e o bem-estar físico e mental.
De acordo com a nutricionista Rosana Perim, o corpo emite sinais claros quando o equilíbrio eletrolítico está comprometido, especialmente sob calor extremo. “Quando a sede aparece, o corpo já está operando com um certo déficit hídrico, ponto em que a performance cognitiva e a física começam a declinar”, explica.
Beber água pura é importante, mas em cenários de calor extremo, o organismo perde eletrólitos vitais que a água sozinha não consegue repor com a mesma velocidade e eficiência. É aí que se destaca a diferença entre apenas ingerir água e estar verdadeiramente hidratado.”
Calor extremo já impacta gestação e desenvolvimento infantil no Brasil
Gestantes que passaram por ondas de calor podem apresentar problemas de saúde mental, hipertensão e eclâmpsia
Um estudo do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância (CPAPI), coordenado pelo professor Naercio Menezes Filho, alerta que o aumento das ondas de calor já afeta diretamente o desenvolvimento de bebês e crianças desde a gestação no Brasil. Hoje, cerca de 60% dos municípios enfrentam esse fenômeno — frente a 20% nos anos 1980 — e seus efeitos incluem maior incidência de hipertensão, diabetes e eclâmpsia em gestantes.
Apresentada durante o 11º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, realizado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), a pesquisa também destaca que cerca de 40% das mães já receberam diagnóstico de algum problema de saúde mental. Esse quadro pode ser agravado pelo calor extremo, com aumento de estresse e ansiedade.
Além disso, a exposição às altas temperaturas durante a gestação afeta o bebê ainda no útero. Isso reduz, em média, 30 gramas do peso ao nascer por dia de onda de calor e eleva os riscos de prematuridade, malformações e menor perímetro cefálico.
Os efeitos seguem após o nascimento. O estudo mostra que cerca de 27% das crianças do estudo apresentam risco de atraso no desenvolvimento, com sinais como irritabilidade e dificuldade de adaptação, que podem afetar a aprendizagem ao longo da vida. Aquelas que passaram por ondas de calor durante a gestação tendem a ter mais problemas de irritabilidade e dificuldades com rotinas.
Leia mais
Como as mudanças climáticas impactam a saúde do trabalhador?
Onda de calor afeta o sistema digestivo: saiba como evitar
Calor extremo acende alerta para riscos de AVC e infarto
Como identificar os sinais silenciosos e menos óbvios de desidratação?
Muitas vezes confundidos com o estresse da rotina ou o cansaço do final do dia, estes sintomas são indicadores de que o equilíbrio mineral do corpo pode estar comprometido:
- névoa mental: dificuldade de concentração, lentidão no raciocínio e lapsos de memória recente podem ser sinais de desidratação;
- irritabilidade e oscilação de humor: a desidratação afeta a regulação dos neurotransmissores, o que nos torna mais vulneráveis ao estresse sem uma causa emocional aparente;
- fome persistente: o cérebro pode confundir os sinais de sede com os de fome, em uma tentativa de se reequilibrar e buscar eletrólitos e fontes de energia;
- mau hálito e boca seca: a redução na produção de saliva contribui para o crescimento de bactérias bucais, gerando desconforto mesmo após a escovação;
- câimbras e espasmos musculares: mesmo sentado no escritório, a falta de sódio, potássio e vitaminas pode causar pequenas contrações involuntárias, sinalizando que os músculos estão “descalibrados”.
- alterações na função cardíaca: a desidratação pode levar à queda da pressão arterial (hipotensão), causando tonturas, vertigens e até desmaios. Pode causar, ainda, alterações na frequência cardíaca, uma vez que a redução do fluxo sanguíneo resulta no aceleramento dos batimentos cardíacos e em palpitação (taquicardia).
Para combater esses sinais, a estratégia recomendada é a hidratação funcional. “Ao utilizar soluções que combinam eletrólitos, carboidratos e vitaminas, garantimos a eficiência da absorção de água na corrente sanguínea. Como consequência, recuperamos a vitalidade e a performance de forma muito mais eficiente do que com o consumo isolado de água. É importante ressaltar que, em casos graves, deve-se consultar um médico”, finaliza Rosana.
O papel estratégico da hidratação funcional
A hidratação funcional consiste na reposição estratégica de eletrólitos (sais minerais, como sódio e potássio), garantindo uma absorção mais rápida e eficiente. A hidratação funcional é a evolução da hidratação comum e tem o potencial de atuar em umas das principais causas do desequilíbrio eletrolítico. Na prática, beber água pura é essencial, mas nem sempre o corpo consegue absorvê-la na velocidade de que precisamos. Quando adicionamos a ciência para trazer o equilíbrio ideal de sais minerais, garantimos que a hidratação chegue aonde realmente importa: dentro das células, ajudando a reduzir e prevenir os sinais de desidratação leve, contribuindo para a saúde geral do corpo”, explica Evelyn Aguiar, Cientista de Liquid I.V. no Brasil.
Dicas práticas para o dia a dia:
- Intercale: Utilize repositores de eletrólitos associados à ingestão de água, especialmente em dias de calor intenso.
- Observe o corpo: se o cansaço surgir no final da tarde, experimente uma dose de hidratação funcional antes de recorrer à terceira xícara de café – que pode aumentar sua perda de líquidos.
- Cor da urina: o ideal é que ela tenha tom amarelo-claro (cor de palha). Se estiver muito escura ou transparente como água, o equilíbrio mineral precisa de atenção.
Entenda a previsão do tempo para esta semana
De acordo com comunicado do Inmet, a semana de 20 a 27 de abril inicia com temperaturas máximas em torno de 30 °C, declinando gradualmente ao longo da semana, especialmente na Região Sul. Santa Catarina terá chuva fraca e o Paraná terá tempo estável e seco.
O aviso cobre uma faixa que se estende do oeste do Mato Grosso do Sul (município de Corumbá) até a ponta noroeste do Rio Grande do Sul (Frederico Westphalen e cidades próximas). Confira no mapa abaixo:
Se aproximando da marca de dois anos das chuvas que causaram enchentes em quase todos os municípios, o Rio Grande do Sul poderá assistir “a formação de um sistema de baixa pressão que levará à ocorrência de tempo severo e fenômenos adversos”, entre eles temporais, chuvas intensas, rajadas, raios e granizo, logo nos primeiros dias da semana.
Conforme previsão do Inmet, o oeste gaúcho pode registrar mais de 100 mm de chuva acumulada. Para o estado, há alerta de perigo potencial de ventos intensos (de 40-60 km/h), e queda de granizo.
Outra área com indicação de perigo cobre uma extensa faixa sobre parte de três regiões, desde o Acre ao Ceará, que poderá levar chuvas intensas também a Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.
Os maiores volumes de chuva na Região Norte deverão cair no oeste amazonense e em Roraima. No Nordeste, o Inmet prevê chuva de até 100 mm em pontos isolados do Maranhão, Piauí e Ceará.
As condições do tempo são mais estáveis no Centro-Oeste. “No norte de Mato Grosso, pode chover até 40 mm. No Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul, há chances mínimas de chuvas rápidas e isoladas”, prevê o Inmet.
Com Agência Brasil e Assessorias






