Criado em 1970, o Dia da Terra – celebrado em 22 de abril – promove a reflexão sobre as mudanças climáticas, a proteção da natureza e o uso sustentável de recursos naturais. Este ano a data traz o tema “Our Power, Our Planet” (“Nosso Poder, Nosso Planeta”), reforçando que a resposta à crise climática e à perda da biodiversidade depende, cada vez mais, da mobilização coletiva e do engajamento contínuo da sociedade.

Um chamado e um alerta diante de um contexto global marcado por uma onda crescente de eventos extremos mais frequentes e mais impactantes. A proposta coloca o poder das pessoas como centro das soluções — seja por mudanças de hábito, participação em ações comunitárias ou engajamento em redes sociais. A lógica é clara: pequenas ações, quando realizadas de forma consistente e em escala, têm potencial para gerar impactos significativos e influenciar decisões públicas.

Para a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), o movimento evidencia que a conservação da natureza depende da conexão entre pessoas, conhecimento e ação. Iniciativas coletivas, projetos baseados em ciência e o fortalecimento de redes de colaboração são apontados como caminhos para transformar preocupação ambiental em impacto real.

Como enfrentar um sistema climático cada vez mais complexo?

Estudo inédito do OCTI/CGEE aponta caminhos estratégicos no BRICS

Diante do avanço acelerado das mudanças climáticas e da crescente fragmentação das respostas globais, um novo estudo do Observatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (OCTI) mostra que os países dos Brics já respondem por 54,5% da produção mundial em inteligência climática, evidenciando seu papel central na agenda global. Esse protagonismo cresce rapidamente: a produção do bloco, no período acumulado, saltou de 2.830 artigos em 2022 para 6.809 em 2025, indicando uma consolidação acelerada dessas economias como polos de conhecimento climático.

O observatório do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) propõe uma virada de chave: transformar capacidades científicas dispersas em coordenação estratégica internacional. A análise, que integra o Informe OCTI – Panorama da Produção Cientifica em Inteligência Climática no Brics, revela que a resposta ao desafio climático passa por integração de dados, cooperação entre países e uso intensivo de inteligência artificial. O levantamento é baseado em mais de 17 mil artigos científicos publicados pelos países que compõem o Brics entre 2022 e 2025 na Web of Science

Apesar do avanço, o estudo aponta um desafio estrutural: a produção científica e tecnológica está altamente concentrada. China e Índia respondem por cerca de 80% da produção recente (2024-2025), com forte centralidade da China em redes de colaboração científica (presente em 66% dos artigos dos 11 países Brics analisados). Ao mesmo tempo, cada país apresenta especializações distintas. Como exemplo, a ênfase no uso de inteligência artificial para previsão climática na China, à agricultura digital na Índia e à modelagem de ecossistemas tropicais no Brasil.

O estudo do OCTI aponta três respostas centrais para o problema: integrar ciência do clima, dados e tecnologia; transformar especializações em cooperação estratégica e avançar da agenda científica para a ação política.

“A complexidade do sistema climático exige combinar modelagem do sistema terrestre, inteligência artificial e ciência de dados, ampliando a capacidade de previsão e antecipação de eventos extremos. Os países não precisam apenas aprofundar capacidades, mas sim, conectar suas competências complementares. Porém, o maior gargalo não é apenas gerar mais conhecimento, mas transformar esse conhecimento em políticas públicas integradas, orientando investimentos em mitigação, adaptação e transição energética”, explica o assessor técnico do CGEE, Marcelo Paiva, responsável pela modelagem do estudo.

O Informe OCTI também destaca aplicações concretas da inteligência climática, desde o uso de gêmeos digitais para prever inundações urbanas na China, até programas de energia solar descentralizada na Índia e modelos brasileiros de previsão de desmatamento com machine learning. Esses exemplos mostram que já existem soluções — o desafio agora é escalá-las e conectá-las.

Ao propor um framework de análise e ação no contexto BRICS, o OCTI reforça que enfrentar a crise climática não depende apenas de mais dados, mas de coordenação global baseada em evidências (compreender, antecipar e analisar impactos). Em um cenário de crescente complexidade, a inteligência climática surge como ferramenta essencial para transformar conhecimento em ação efetiva.

Acesse o estudo

Logística reserva para reduzir o lixo eletroeletrônico

Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia, repensar o consumo e o encaminhamento adequado de equipamentos tornou-se essencial para a preservação ambiental. De acordo com o Global E-Waste Monitor 2024, o volume de resíduos eletroeletrônicos gerados no mundo atingiu 62 milhões de toneladas em 2023 e deve ultrapassar 82 milhões de toneladas até 2030, caso nenhum avanço significativo seja feito para reverter essa tendência.

Esses resíduos estão entre os que mais crescem globalmente, com aumento de cerca de 3% ao ano. Quando destinados de forma inadequada, componentes tóxicos podem contaminar o solo e a água, enquanto materiais como metais, vidro e plástico deixam de retornar ao ciclo produtivo.

Para a ABREE – Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, o cenário reforça a crescente importância da logística reversa como uma das estratégias mais eficientes para reduzir impactos ambientais e promover um modelo de desenvolvimento mais sustentável.

A logística reversa é uma ferramenta essencial para proteger o meio ambiente e reduzir a extração de recursos naturais”, afirma Fernando Rodrigues, Engenheiro Ambiental e Gerente de Relações Institucionais da ABREE.  “Cada consumidor, ao descartar corretamente seus equipamentos, contribui diretamente para um ciclo produtivo mais sustentável e para a saúde do planeta. Nosso compromisso é ampliar as parcerias e a conscientização da sociedade.”

Neste Dia do Planeta Terra, a ABREE reforça que a proteção ambiental é uma responsabilidade compartilhada. “Cada equipamento destinado corretamente representa menos contaminação, mais reciclagem e um passo concreto em direção a um futuro mais limpo e equilibrado, alinhado aos princípios da economia circular. A mudança começa com pequenas atitudes, e a logística reversa é uma das mais importantes ferramentas para garantir a saúde do planeta”, finaliza.

O papel da logística reversa na proteção ambiental

Em alusão à data, entidade gestora destaca como a destinação adequada de eletroeletrônicos e eletrodomésticos reduz impactos ambientais, preserva recursos naturais e fortalece a economia circular no Brasil

A entidade reforça a urgência de ampliar canais seguros e acessíveis para a destinação responsável, consolidando a logística reversa como uma solução ambientalmente necessária e economicamente estratégica. Ao garantir que produtos pós-consumo retornem para reciclagem, tratamento ou reinserção na cadeia industrial, esse sistema reduz emissões de gases de efeito estufa associadas à extração de matérias-primas, diminui a pressão sobre recursos naturais e viabiliza a economia circular — modelo que transforma resíduos em novos insumos e reduz a dependência de matérias-primas virgens.

Como uma das principais entidades gestoras do país, a ABREE atua de forma estruturada para expandir essa cadeia. Atualmente, a associação possui mais de 7 mil pontos de recebimento distribuídos em mais de 1,5 mil municípios, oferecendo à população acesso facilitado para a destinação adequada de celulares, televisores, refrigeradores, micro-ondas, computadores, entre outros produtos. A entidade também assegura total rastreabilidade dos processos, estabelecendo parcerias com fabricantes, empresas do varejo e prefeituras para atender às metas previstas pelo Acordo Setorial e demais legislações ambientais.

Além da atuação operacional, a ABREE investe continuamente na orientação ao consumidor. No site oficial, qualquer cidadão pode localizar rapidamente o ponto de recebimento mais próximo, tornando o processo simples, seguro e responsável. Essas iniciativas ampliam o acesso à informação, reduzem a poluição e fortalecem a cultura da sustentabilidade em todo o país.

Com Assessorias

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