Ídolo do basquete brasileiro e hall da Fama, Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira, 17, aos 68 anos, poucos minutos após receber atendimento médico por um mal-estar súbito, sem causa confirmada. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada oficialmente. Diagnosticado com tumor cerebral há 15 anos, o ‘Mão Santa’, como era conhecido dentro e fora das quadras, passou por cirurgias, quimioterapia e radioterapia.

Para especialistas, a trajetória do ex-atleta reforça a importância de compreender os diferentes tipos de câncer no sistema nervoso central e suas possibilidades de tratamento. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam mais de 11 mil novos casos por ano no Brasil. Eles representam cerca de 4% de todos os diagnósticos de câncer no país, mas estão entre os mais desafiadores do ponto de vista clínico.

Sintomas e diagnóstico dos tumores cerebrais

Cefaleias persistentes, convulsões, alterações motoras e mudanças de comportamento podem estar associadas à presença de tumores cerebrais. Embora os sintomas possam ser confundidos com outras condições neurológicas, sinais como perda de força, formigamentos, alterações de comportamento, crises convulsivas ou dores de cabeça persistentes e intensas devem sempre acender um alerta para a possibilidade de um tumor cerebral.

O diagnóstico precoce ainda é um desafio. Os sintomas são inespecíficos e podem ser atribuídos a diferentes condições clínicas, o que frequentemente retarda a investigação. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, são fundamentais para identificar lesões no cérebro, enquanto a confirmação diagnóstica costuma depender de biópsia e análise molecular, que orientam o planejamento terapêutico.

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Radioterapia tem papel relevante no tratamento

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR) explica que o câncer no cérebro abrange um conjunto heterogêneo de tumores que podem se originar no próprio sistema nervoso central ou resultar de metástases de outros órgãos. Entre os tumores primários (surgidos no cérebro), os gliomas são os mais frequentes.

Eles se desenvolvem a partir das células gliais, responsáveis por dar suporte e proteção aos neurônios, e apresentam comportamentos distintos, que variam de formas de crescimento lento até variantes altamente agressivas. Essa diversidade biológica é determinante para o prognóstico e para a escolha do tratamento.

De maneira geral, as estratégias terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou em combinação, dependendo das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

A escolha da estratégia terapêutica leva em conta uma série de fatores, incluindo o número e o tamanho das lesões, a presença de sintomas e o estágio da doença. Em alguns pacientes assintomáticos e com acesso a tratamentos sistêmicos eficazes, a intervenção local pode ser postergada com segurança, desde que a decisão seja tomada por uma equipe multidisciplinar.

O planejamento da radioterapia ocorre a partir da consulta médica para avaliação do número de aplicações, além de exames de tomografia e ressonância magnética de crânio, para definição do volume que receberá radiação”, explica o radio-oncologista Paulo Lázaro de Moraes. O objetivo é interromper o crescimento tumoral, preservar funções neurológicas e manter a qualidade de vida.

Os diferentes usos da radioterapia

Nos tumores cerebrais primários, a cirurgia costuma ser a primeira opção terapêutica, sempre que possível. Após a retirada da lesão, a radioterapia é frequentemente indicada no pós-operatório, com o objetivo de reduzir o risco de progressão e prolongar o tempo livre de doença.

A radioterapia, em particular, desempenha um papel central em diferentes momentos do tratamento. Quando os tumores são maiores ou provocam aumento da pressão intracraniana, a cirurgia pode ser indicada para alívio dos sintomas, sendo frequentemente seguida de radioterapia complementar. Já nos casos com múltiplas lesões, a radioterapia de todo o cérebro pode ser considerada, muitas vezes em associação com terapias sistêmicas.

Em situações nas quais a cirurgia não é viável, seja pela localização do tumor em áreas críticas do cérebro ou pelas condições clínicas do paciente, a radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal, muitas vezes associada à quimioterapia.

A abordagem contribui para o controle da doença, alívio dos sintomas neurológicos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Principalmente quando a cirurgia não é uma opção viável e t de forma complementar a cirurgia em algumas situações”, explica o radio-oncologista Gustavo Nader Marta, ex-presidente da SBRT.

Nas metástases cerebrais, que representam uma das complicações mais comuns em pacientes com câncer, o tratamento é individualizado. “Quando as metástases são pequenas, especialmente com até 3 cm, a melhor técnica é a radiocirurgia estereotáxica”, afirma Marta.

Esse tipo de abordagem permite a administração de altas doses de radiação de forma precisa, em geral em dose única, preservando o tecido saudável ao redor. Além de seu papel no controle tumoral, a radioterapia também é importante para o manejo de sintomas neurológicos.

Progressão dos tumores pode ser fatal

De acordo com o radio-oncologista Eduardo Weltman, que também presidiu a SBRT, a complexidade desses tumores também se reflete nas limitações do tratamento.

Embora alguns desses tumores respondam bem à radioterapia e à quimioterapia, esta resposta frequentemente não leva à cura dos pacientes. E uma vez não curados, a progressão desses tumores, comprimindo e infiltrando estruturas nobres, pode acabar sendo fatal”, explica.

Apesar desses desafios, os avanços tecnológicos têm ampliado as possibilidades terapêuticas. Técnicas modernas de radioterapia permitem maior precisão na entrega de dose, reduzindo efeitos colaterais e aumentando as taxas de controle da doença. Em metástases cerebrais, por exemplo, índices de controle local podem chegar a até 90 por cento quando o tratamento é realizado de forma adequada e em centros especializados.

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