A imagem da ex-ginasta Laís Souza de pé no palco do VTEX Day 2026, em São Paulo, tornou-se um dos registros mais emocionantes das redes sociais nos últimos dias. Após mais de uma década do acidente que a deixou tetraplégica, Laís utilizou uma órtese de tecnologia assistiva para realizar um gesto simbólico e potente: entregar o Brazilian Engineering Award à cientista Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela descoberta da polilaminina.

Durante a premiação, Laís não escondeu o nervosismo, descrevendo a sensação como um “frio na barriga” por aparecer de pé em público pela primeira vez em anos. Em sua fala, a atleta destacou que, embora ainda não tenha experimentado a polilaminina, o trabalho de Tatiana representa a esperança de milhões de brasileiros que vivem com lesões medulares. “Sou uma grande admiradora do seu trabalho e torço muito para que todos consigam colher frutos da sua pesquisa no futuro”, afirmou a ex-ginasta.

Desafios e o caminho até o tratamento

Apesar do otimismo gerado pela imagem de Laís Souza e pelos resultados preliminares, a cientista Tatiana Sampaio mantém a cautela necessária ao rigor científico. O composto ainda precisa cumprir exigências regulatórias rigorosas da Anvisa e passar por testes clínicos em larga escala para garantir sua eficácia e segurança em diferentes tipos de lesões (agudas e crônicas).

A presença de Laís no evento, apoiada por tecnologia assistiva, reforça a importância do investimento em ciência e engenharia no Brasil. Mais do que um avanço técnico, a homenagem celebrou a resiliência humana e o impacto direto que a pesquisa acadêmica pode ter na qualidade de vida e na autonomia de pacientes com deficiências físicas.

Embora o registro no evento tenha ganhado contornos históricos pela homenagem à cientista Tatiana Sampaio, Laís já compartilha com seus seguidores, há alguns anos, sua evolução em sessões de fisioterapia onde utiliza estabilizadores e órteses para se manter na vertical.

Ficar de pé não é apenas um gesto simbólico; para pacientes com lesão medular, o uso da tecnologia assistiva é uma necessidade clínica. Equipamentos como o ortostatismo (que permite a posição vertical) auxiliam na melhora da circulação sanguínea, no fortalecimento da densidade óssea e no funcionamento do sistema digestivo e urinário, prevenindo complicações comuns à rotina de quem utiliza cadeira de rodas permanentemente.

Tecnologia assistiva e o futuro da reabilitação

A tecnologia assistiva engloba desde dispositivos simples até robótica avançada. No caso de Laís, o uso de órteses modernas permite que ela tenha suporte estrutural para as articulações, garantindo que o corpo suporte o próprio peso de forma segura. Esses avanços, somados a tratamentos experimentais, formam a linha de frente da busca por qualidade de vida para pessoas com deficiência.

A polilaminina, citada por Laís em sua homenagem à Tatiana Sampaio, surge como o próximo passo dessa jornada: enquanto a tecnologia assistiva foca na funcionalidade externa e adaptação, a pesquisa da UFRJ busca a regeneração biológica interna. De acordo com fontes científicas, a molécula atua como um “andaime” que estimula as células nervosas a reconstruírem pontes na medula lesionada.

O acidente que mudou sua trajetória

A trajetória de Laís Souza mudou drasticamente em janeiro de 2014. A então ginasta, que já havia representado o Brasil em duas Olimpíadas (Atenas 2004 e Pequim 2008), estava em Salt Lake City, nos Estados Unidos, treinando para os Jogos de Inverno de Sochi no esqui estilo livre.

Durante um treino, Laís sofreu um acidente grave que resultou em uma entorse na coluna cervical. A lesão causou um trauma severo na medula espinhal, especificamente na altura das vértebras C3 e C4, retirando a sensibilidade e os movimentos do pescoço para baixo (tetraplegia).

Desde então, ela se tornou uma das principais vozes no Brasil em defesa da acessibilidade e do apoio à pesquisa científica. O caso de Laís Souza reforça que a ciência brasileira, aliada à resiliência dos pacientes, continua quebrando barreiras que antes eram consideradas intransponíveis.

O que é a polilaminina e como ela funciona?

A polilaminina é uma molécula inovadora, desenvolvida a partir de quase três décadas de estudos liderados por Tatiana Sampaio. A substância é uma variante polimerizada da laminina — uma proteína naturalmente presente no organismo que auxilia na adesão e crescimento celular. O diferencial da polilaminina é sua capacidade de criar um ambiente favorável para que os neurônios voltem a crescer e estabeleçam novas conexões após uma lesão na medula espinhal.

Em estudos experimentais, a substância demonstrou potencial para reverter quadros de paralisia, estimulando a regeneração dos tecidos nervosos. Atualmente, a pesquisa brasileira já conta com patente nacional e busca avançar para as etapas finais de validação científica e aprovação sanitária para que possa, futuramente, ser disponibilizada como um tratamento clínico regulamentado.

Para acompanhar mais detalhes sobre os avanços científicos brasileiros e alertas de saúde, acompanhe as atualizações da Anvisa e as publicações da UFRJ

 

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *