Ao longo das últimas duas décadas atuando no Jornalismo e na Comunicação Corporativa, vivenciei na pele o peso de uma engrenagem que frequentemente sufoca quem a faz girar. Sofri assédio moral em pelo menos cinco ocasiões distintas, em redações e assessorias. Em algumas delas, o ciclo de cobranças desmedidas, humilhações veladas e pressão desproporcional culminou no mesmo desfecho traumático: a demissão.
O impacto emocional de ser descartado após dar o seu melhor deixa marcas profundas. Fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e Síndrome do Pânico. Numa das crises, minha agressora me deixou na porta da emergência. A sensação de impotência e o desgaste acumulado minam a autoestima, a saúde mental e o próprio sentimento de identidade profissional. Trata-se de uma dor silenciosa, mas compartilhada por uma parcela assustadora de colegas.
Os números confirmam que as minhas vivências não foram episódios isolados. Uma pesquisa recente da Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), realizada em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), expõe o cenário alarmante que afeta os profissionais de imprensa e comunicação no Brasil.
A urgência de encarar a saúde mental no ambiente de trabalho

Segundo o estudo Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil, até 37% dos profissionais relatam ter sido vítimas de assédio moral no ambiente profissional, além de 30% expostos ao cyberbullying.
Essa violência psicossocial contínua se reflete diretamente na saúde física e mental da categoria:
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Insônia: 48% dos entrevistados sofrem com distúrbios do sono — taxa significativamente superior à média nacional registrada pelo Ministério da Saúde.
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Depressão: Metade dos profissionais (50%) relata quadros depressivos, sendo que 25% apresentam sintomas entre severos e extremamente severos.
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Ansiedade: 36% dos participantes relataram episódios característicos de quadros ansiosos.
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Consumo de risco de álcool: Mais de 21% demonstram padrões de uso nocivo ou provável dependência de bebidas alcoólicas.
A pesquisa aponta ainda que 61% dos comunicadores sentem que recebem baixo apoio social no trabalho — ou seja, faltam redes de acolhimento e escata empática por parte de pares e lideranças.
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Neste mês dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, a reflexão sobre as relações de trabalho torna-se ainda mais imperativa. O assédio moral sistemático e a cultura da sobrecarga não apenas reduzem a satisfação profissional, mas atingem o cerne da dignidade humana, empurrando muitos profissionais para limites perigosos de exaustão e sofrimento psíquico.
Promover ambientes de trabalho mais justos, humanos e seguros não é um privilégio ou luxo corporativo: é uma questão de saúde pública e de preservação da vida. Reconhecer os sinais de exaustão e pedir ajuda são passos fundamentais para romper a espiral do silêncio.
Precisa de apoio emocional? Não passe por isso sozinho(a).
Se você está enfrentando momentos difíceis, crises de ansiedade ou pensamentos autodestrutivos, busque ajuda imediatamente:
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Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia.
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Telefone: Ligue 188 (ligação gratuita para todo o Brasil).
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Chat e e-mail: Acesse o site oficial em cvv.org.br.
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Ajuda Profissional: Procure suporte com psicólogos, médicos psiquiatras ou serviços de saúde da sua região (como os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial).
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