A prevenção de doenças cardiovasculares precisa ir além da vida adulta e começar ainda na infância. A recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) é que a primeira dosagem de colesterol no sangue seja realizada a partir dos 10 anos de idade, associada ao exame de glicose. A medida visa identificar precocemente alterações genéticas graves e barrar o avanço de complicações que podem levar ao infarto e ao acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo o cardiologista Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a identificação na infância é fundamental para diagnosticar a hipercolesterolemia familiar. Trata-se de uma doença genética que eleva expressivamente as taxas sanguíneas de colesterol ruim (LDL), podendo provocar o entupimento de artérias coronárias e casos de infarto em crianças de até 10 anos.

Mitos nas redes sociais e perigos de dietas da moda

O especialista faz um alerta contra desinformações e falácias disseminadas na internet, reforçando que o colesterol alto é uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo. “Não vá atrás de médicos que falam na internet para não tomar remédios contra colesterol, porque isso é uma falácia”, afirma o cardiologista, enfatizando que interromper o uso de medicação faz com que as taxas voltem a subir.

Alves aponta que o tratamento farmacológico com estatinas possui mais de três décadas de evidência científica comprovada na redução de mortes e eventos cardiovasculares graves. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) também condena o uso da chamada “dieta carnívora” — baseada puramente em carnes e sem vegetais —, classificando-a como prejudicial por ser rica em gorduras saturadas, elevando o LDL e o ácido úrico no organismo.

Fatores de estilo de vida e o teto da alimentação

Embora a reeducação alimentar e os exercícios ajudem a controlar os índices, as mudanças no estilo de vida costumam reduzir as taxas em 5% a 10%, uma vez que cerca de 70% do colesterol circulante é produzido pelo próprio organismo. Quando o exame registra valores superiores a 300 miligramas por decilitro ($mg/dL$), o fator genético fala mais alto e exige intervenção medicamentosa.

Para manter a saúde cardiovascular em dia, as orientações principais incluem:

  • Atividade física regular: Prática de 150 a 300 minutos semanais de exercícios moderados.

  • Cuidado com a dieta: Eliminação de gorduras trans (presentes em alimentos ultraprocessados) e redução de gorduras saturadas (encontradas em carnes vermelhas, frios e chocolates).

  • Sono reparador e controle do estresse: Noites mal dormidas e estresse contínuo favorecem a inflamação vascular e elevam o colesterol e os triglicérides.

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