A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma das responsáveis por danos à circulação sanguínea e segue como um dos maiores fatores de risco para doenças cardiovasculares. A condição pode comprometer progressivamente as artérias e afetar órgãos vitais ao longo do tempo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 40% das pessoas hipertensas no mundo não sabem que têm a doença.

O dado reforça a importância da medição regular da pressão arterial como principal forma de diagnóstico. Os médicos brasileiros acompanharam a tendência internacional e, em setembro de 2025, foi lançada a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, elaborada em conjunto pelas sociedade brasileiras de Cardiologia, de Nefrologia e de Hipertensão.

Uma das principais atualizações é a reclassificação dos níveis pressóricos. A aferição popularmente conhecida como “12 por 8” deixou de ser considerada normal e passou a ser um sinal de alerta, sendo classificada agora como “pré-hipertensão ou pressão elevada”. Isso indica um risco significativamente maior de progressão para a hipertensão crônica e complicações futuras.

Essa alteração reforça ainda mais a importância do monitoramento domiciliar da pressão arterial, estimulando o uso adequado e mais frequente de aparelhos automáticos de braço devidamente validados. Além disso, a diretriz enfatiza o papel desse acompanhamento para identificar precocemente a pré-hipertensão e orientar o tratamento”, comenta o cardiologista Leandro Costa, do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Protocolo clínico mais abrangente

Além da nova diretriz que mudou a faixa considerada hipertensão, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), que representa a primeira versão oficial de um protocolo clínico abrangente e padronizado para orientar o manejo da doença na rede pública.

O documento foi desenvolvido pela Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS).

Outro avanço importante incluído neste protocolo foi a incorporação da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para o diagnóstico da pressão alta em adultos com suspeita da doença, recomendação embasada em parecer técnico favorável.

As recomendações clínicas mais recentes elevaram a importância na vigilância cardiovascular. Medir a pressão regularmente é uma das principais estratégias para diagnóstico precoce, especialmente considerando que uma parcela significativa da população desconhece o próprio quadro.

Sem dar sinais, hipertensão compromete a circulação e aumenta risco cardiovascular

Especialista alerta para impactos nas artérias e reforça a importância do diagnóstico precoce

Caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial acima de 140 por 90 mmHg (14 por 9), a hipertensão é considerada uma doença silenciosa, já que, na maioria dos casos, não apresenta sintomas.

Quando os pacientes apresentam sintomas, os mais comuns são tontura, dor de cabeça, falta de ar, palpitações e alterações na visão. Dessa forma, o diagnóstico precoce se torna essencial para o controle da pressão arterial”, afirma o cardiologista Leandro Costa.

Para o médico e cirurgião vascular Cesar Navarro Morales, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), a ausência de sintomas é um dos principais desafios no controle da doença.

O aumento da pressão evolui de forma silenciosa e, por isso, muitas pessoas só descobrem quando já há algum tipo de lesão em órgãos ou comprometimento da circulação”, afirma.

Mesmo sem sintomas aparentes, a hipertensão pode causar danos importantes. Quando sinais como dor de cabeça, tontura, visão borrada ou falta de ar surgem, geralmente indicam níveis mais elevados de pressão ou alguma repercussão clínica. Por isso, a prevenção e o controle são fundamentais.

Por isso, no Dia Mundial da Hipertensão Arterial, celebrado em 17 de maio, o alerta se volta especialmente para a relação direta entre a pressão elevada e a saúde vascular, muitas vezes negligenciada até o surgimento de complicações. A doença é um dos principais fatores de risco para condições cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal.

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Impacto sobre o sistema vascular

A pressão elevada exerce um impacto sistêmico sobre todo o sistema vascular. O aumento contínuo da pressão provoca desgaste na parede das artérias, levando à perda de elasticidade e ao enrijecimento dos vasos. Esse processo favorece o desenvolvimento da aterosclerose e acelera o envelhecimento vascular, tornando as artérias mais rígidas e menos responsivas às necessidades do organismo.

Como consequência, há redução do fluxo sanguíneo e da irrigação de órgãos como cérebro, coração e rins, além do aumento do risco de doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença arterial periférica, aneurismas e dissecções da aorta.

Tecnologia como aliada no monitoramento e medição em casa

O uso de dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, também pode contribuir para o acompanhamento da saúde cardiovascular, especialmente em pessoas acima dos 50 anos.

Com sensores cada vez mais precisos e funções voltadas ao bem-estar, esses dispositivos podem se tornar aliados importantes na prevenção de doenças e no acompanhamento da rotina”, explica o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Entre os principais benefícios está o monitoramento contínuo da frequência cardíaca, que pode ajudar a identificar alterações e orientar a busca por avaliação médica. Além disso, a aferição da pressão arterial em casa é uma ferramenta importante para o acompanhamento da saúde.

No entanto, o especialista ressalta que o monitoramento domiciliar não substitui a avaliação médica. “Qualquer alteração persistente ou sintoma deve ser discutido com um especialista, que poderá orientar o tratamento mais adequado”, completa.

Para garantir resultados confiáveis, algumas orientações são essenciais:

  • utilizar um aparelho validado, preferencialmente automático de braço;
  • realizar a medição em ambiente calmo, após pelo menos cinco minutos de repouso;
  • manter o braço apoiado na altura do coração;
  • posicionar corretamente o manguito e seguir as instruções do aparelho;
  • registrar os valores e repetir a medição em diferentes momentos.

A pressão elevada no consultório pode não refletir a realidade do paciente no dia a dia. Por isso, é fundamental complementar a avaliação com medições fora do ambiente clínico, para garantir um diagnóstico mais preciso”, comenta o cardiologista.

Esses cuidados ajudam a garantir maior precisão nas medições e contribuem para um acompanhamento mais eficaz.

Síndrome do jaleco branco: doença multifatorial e impacto crescente

O Dia Mundial da Hipertensão tem como objetivo promover a conscientização sobre o diagnóstico e o tratamento de uma das condições crônicas mais prevalentes no Brasil e no mundo. De acordo com dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados em 2025, cerca de 30% da população brasileira adulta vivem com a doença.

hipertensão pode ter origem primária (genética) ou secundária, quando associada a outras condições de saúde, como doenças renais, distúrbios hormonais ou da tireoide. Entre os principais fatores de risco estão excesso de peso e obesidade, consumo elevado de sal, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse frequente, histórico familiar e envelhecimento.

Além disso, fatores como má qualidade do sono, alimentação inadequada, com consumo excessivo de gorduras saturadas e açucares, e doenças como diabetes e colesterol elevado também contribuem para o desenvolvimento da condição. Nos últimos anos, esses hábitos também elevaram os índices entre pessoas mais jovens.

Outro ponto de atenção é a chamada síndrome do jaleco branco, condição em que o paciente apresenta elevação da pressão arterial apenas durante consultas médicas ou em ambientes clínicos, enquanto os níveis se mantêm normais em casa. Frequentemente associada à ansiedade, pode incluir sintomas como tremores, palpitações, respiração acelerada, tontura e tensão muscular.

Prevenção e mudança de hábito é o caminho para o controle

Especialista reforça a importância do diagnóstico precoce, controle contínuo e adoção de hábitos saudáveis

Mesmo sem cura na maioria dos casos, a hipertensão pode ser controlada com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. A adoção de hábitos saudáveis é fundamental para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.

Unir novos hábitos ao acompanhamento médico e ao uso de medicamentos, quando indicados, reduz significativamente o risco de complicações. Por isso, a mudança de comportamento tem papel decisivo na redução dos riscos.

Mesmo em pessoas com predisposição, um estilo de vida saudável pode retardar ou evitar a progressão da doença. O controle da pressão alta é possível e faz toda a diferença na prevenção de eventos graves. Monitorar a pressão regularmente é uma medida simples e essencial”, conclui.

Entre as principais recomendações estão:

  • praticar atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos por semana),
  • reduzir o consumo de sal (até 5g por dia, segundo a OMS),
  • manter uma alimentação equilibrada,
  • evitar o tabagismo,
  • moderar o consumo de álcool,
  • controlar o estresse,
  • manter o peso adequado e
  • realizar acompanhamento médico regular.

Especialistas reforçam a importância do cuidado contínuo com a saúde cardiovascular e destacam que o controle da hipertensão depende de uma atuação conjunta entre pacientes, profissionais de saúde, famílias e sociedade.

Mesmo com a adoção de hábitos saudáveis, é fundamental manter o acompanhamento regular com um profissional de saúde, que pode avaliar corretamente os níveis de pressão e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, reforça o Dr. Leandro.

Com Assessorias

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