A gente ouve falar bastante sobre as transformações que acontecem com as mulheres quando viram mães, mas você sabia que a paternidade altera o cérebro, a saúde e até os hormônios dos homens? Neste Dia dos Pais,o lançamento O cérebro do pai: a nova ciência da paternidade e as mudanças na vida do homemlivro inédito da Dra. Darby Saxbe que chega ao Brasil pela HarperCollins,  traz dados de pesquisas pioneiras, que vão desde estudos com povos caçadores-coletores no Congo até a rotina de pais suburbanos de hoje, para provar que a convivência diária com os filhos transforma a biologia dos homens.

No livro, a autora mostra como a famosa “barriga de pai” e as oscilações hormonais são fenômenos biológicos reais, influenciando inclusive a saúde mental e a ocorrência de depressão pós-parto e ansiedade nos homens. Mais do que isso, ela prova que o cérebro muda com a prática: o envolvimento no cuidado diário e a forma como os pais brincam com os filhos não só tornam as crianças mais resilientes, como reorganizam as conexões neurais do homem, podendo até resultar em um cérebro mais jovem na velhice.

Dra. Saxbe ainda aponta para iniciativas brasileiras como o Protocolo de Pré-Natal do Parceiro do SUS (desenvolvido pela organização Equimundo com o Ministério da Saúde), que usa a paternidade como porta de entrada para a saúde masculina: ao acompanhar as consultas, o homem faz exames de rotina, testes rápidos e triagem para saúde mental, transformando o ato de cuidar da família em um incentivo para cuidar de si mesmo.

A divisão igualitária de cuidados

A ciência já provou que a maternidade transforma o cérebro das mulheres. Mas e os pais? O livro O cérebro do pai, da neurocientista e psicóloga clínica Darby Saxbe, responde a essa pergunta a partir de 15 anos de pesquisa, oferecendo dados surpreendentes e uma nova forma de enxergar a paternidade.

O livro pioneiro de Saxbe chega às livrarias brasileiras pela HarperCollins em um momento em que a sociedade brasileira debate a divisão igualitária de cuidados. A ciência contribui para a conversa mostrando que não é só força de expressão: ser pai transforma o homem por dentro.

paternidade remodela o corpo, a mente, a saúde e os vínculos dos pais, desfazendo o mito de que os homens não têm vocação para o cuidado. Através de exames pioneiros de ressonância, Dra. Saxbe revela que o cérebro masculino passa por mudanças estruturais mensuráveis após a chegada do bebê, perdendo cerca de 1% do volume de massa cinzenta no córtex.

Longe de ser um dano, a chamada plasticidade parental funciona como uma otimização da rede de mentalização, área responsável por interpretar as intenções e emoções alheias, sintonizando o pai com as necessidades do recém-nascido. A pesquisa também aponta para um grande tabu da saúde mental masculina: a depressão pós-parto paterna, que afeta entre 1 em cada 10 pais. Nestes casos, a condição costuma passar despercebida por se manifestar como irritabilidade, distanciamento ou abuso de substâncias, afetando diretamente o desenvolvimento emocional dos filhos.

Ainda assim, O cérebro do pai aborda um dos pontos mais importantes dos relacionamentos: a desigualdade na “carga mental” no cuidado dos filhos. A autora demonstra que, mesmo nos casais que pretendem dividir tarefas, as mulheres continuam assumindo a maior parte do trabalho invisível de planejamento e gestão da rotina familiar.

Esse estresse silencioso é o principal motor de esgotamento e divórcio no pós-parto. Por outro lado, Dra. Saxbe traz um dado animador: quando os pais assumem ativamente o gerenciamento da casa e o cuidado direto com os filhos, a satisfação do próprio casal com a relação aumenta significativamente.

O livro desmistifica o determinismo biológico ao provar que o remodelamento cerebral é fruto do vínculo prático: pais que participam ativamente dos cuidados do bebê apresentam níveis de ocitocina comparáveis aos das mães que amamentam. Além disso, também aborda a paternidade fora da binaridade de gênero, mostrando como pais trans também experimentam as mesmas mudanças e criam vínculos com filhos adotivos ou biológicos.

Fazendo referência ao Brasil, a Dra. Saxbe destaca o Protocolo de Pré-Natal do Parceiro do Sistema Único de Saúde, desenvolvido pela organização Equimundo em parceria com o Ministério da Saúde. Para tentar contornar a baixa adesão dos homens aos cuidados preventivos durante a gravidez, o SUS passou a usar a paternidade como porta de entrada para a saúde masculina. Ao acompanhar as consultas de pré-natal, os futuros pais passam por exames de rotina, testes rápidos e triagem para saúde mental e dependência química. O ato de cuidar da família se transforma em um ponto de partida para que o homem cuide da própria saúde.

Através d’O cérebro do pai, Dra. Darby Saxbe reforça que uma paternidade participativa não beneficia apenas as crianças e as mulheres, mas que é também o melhor caminho para a saúde física, mental e social dos próprios homens, demonstrando como a experiência da paternidade os ajuda a ter ideias inovadoras no trabalho e permite que expandam a percepção so­bre a vida como um todo.

Paternidade e infância inspiram novas obras de Zé Luiz Rinaldi

 

Mais do que novos títulos em sua trajetória literária, as obras nascem de um mesmo território: a experiência humana do cuidado, da descoberta e do afeto. Em Paternidade, Rinaldi percorre as transformações de se tornar pai e a construção cotidiana dos vínculos familiares. Já Poema para a criança se volta ao universo da infância, convidando crianças e adultos a olharem o mundo com mais curiosidade, imaginação e delicadeza.

“Os adultos não têm as respostas. O que perdura são as perguntas, escreve o autor em um dos poemas do livro, uma síntese da obra que enxerga na infância não apenas um período da vida, mas uma forma de estar no mundo, aberta ao espanto, à descoberta e à escuta. Em outro momento, o livro faz um convite simples e potente: “Brinca, brinca muito! Só isso lhe prepara para a vida”, diz, reafirmando a brincadeira, a imaginação e a alegria como experiências fundamentais da existência.

Em um momento em que a paternidade vem sendo ressignificada e novos modelos de relação entre pais e filhos ganham espaço na sociedade, o evento convida famílias, leitores e amantes da poesia a se reunirem em torno de temas universais como a infância, o amor, a imaginação e os laços que construímos ao longo da vida.

A escolha do cenário amplia esse simbolismo. Antiga residência de Machado de Assis em 1874, o casarão na Rua da Lapa volta a ser palco da literatura ao receber o lançamento de Zé Luiz Rinaldi.

Sobre o autor


Poeta, compositor, diretor e filósofo, Zé Luiz Rinaldi é doutor em Filosofia pela UFRJ, com pesquisa sobre a Questão da Arte apoiada pelo CNPq, e realizou pós-doutorado em Artes Cênicas pela UNIRIO. Autor de oito livros, sua trajetória é marcada pelo diálogo entre literatura, música e cena, investigando as relações humanas e a potência poética do cotidiano.

Entre seus principais trabalhos estão a ópera Deslimites da Palavra, contemplada pela Bolsa Vitae de Artes, a premiada série radiofônica Palavra que eu uso me inclui nela, vencedora do 1º Prêmio Roquete Pinto, e a série poética audiovisual O ar que falta. Também dirige o projeto musical MEB_Música Extemporânea Brasileira e integra o coletivo Estudos em Companhia: Investigação e Residência Artísticas.

Com Assessorias

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