A saúde do coração exige atenção constante — e o colesterol é um dos principais fatores de risco que merecem destaque. Agosto é marcado pelo Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol 8/8), período em que se reforça a importância de se precaver contra as doenças cardiovasculares, responsáveis por 30% das mortes no Brasil e no mundo.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 40% da população apresentam níveis elevados de colesterol, muitas vezes sem nenhum sintoma. Como a condição raramente provoca sintomas, o diagnóstico costuma acontecer apenas após complicações graves, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
Em São Paulo, cerca de 57% dos adultos estão acima do peso, condição frequentemente associada ao aumento do colesterol. Em Campinas, dados do DATASUS mostram que as doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de internação na rede pública.
O alerta ganha ainda mais relevância no Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto. Cardiologistas aproveitam a data para reforça a importância de um olhar mais profundo sobre o tema, desmistificando a ideia de que apenas pessoas com excesso de peso estão expostas a esse risco.
Segundo Gustavo dos Reis Marques, do Hospital Costantini, o colesterol alto é uma condição que pode atingir qualquer pessoa, inclusive aquelas que não estão em condição de sobrepeso.
A avaliação clínica precisa ir além do que se vê no espelho. Fatores genéticos e o acúmulo de gordura visceral, que não é aparente, estão entre os principais motivos de alterações nas taxas de colesterol, mesmo em pessoas magras”, explica o cardiologista.
Essa gordura invisível, que se acumula em órgãos como fígado e coração, altera diretamente o metabolismo, podendo elevar o LDL (colesterol ruim) e reduzir o HDL (colesterol bom). O problema é silencioso e, por isso, exames preventivos são fundamentais.
Existem pessoas magras que se alimentam mal, são sedentárias e vivem sob estresse. Tudo isso impacta a saúde cardiovascular”, alerta o médico.
Colesterol alto atinge 4 em cada 10 brasileiros e avança de forma silenciosa, alerta cardiologista
Especialista explica quem deve fazer exames, os principais fatores de risco e como a prevenção pode evitar infarto e AVC
Apesar da fama de vilão, o colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo. O problema surge quando há desequilíbrio entre suas frações. Enquanto o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, favorece o acúmulo de gordura nas artérias, o HDL, o “colesterol bom”, ajuda a remover o excesso de colesterol da circulação.
O colesterol alto, na maioria dos casos, é uma condição silenciosa. O excesso circulando no sangue não provoca dor nem desconforto. O risco aparece ao longo do tempo, quando esse colesterol se deposita nas paredes das artérias, formando placas que podem reduzir ou até bloquear o fluxo sanguíneo e desencadear infarto ou AVC”, explica a cardiologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Mayara Gonçalves.
Justamente por não apresentar sinais evidentes, a alteração costuma ser descoberta em exames de rotina ou após uma emergência cardiovascular. Por isso, a prevenção e o acompanhamento periódico são fundamentais. “Adultos saudáveis devem realizar o perfil lipídico a partir dos 35 aos 40 anos e, quando os resultados estão normais, repetir o exame, em média, a cada quatro anos. Pessoas com fatores de risco, como diabetes, hipertensão, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce, precisam iniciar esse acompanhamento mais cedo e com maior frequência”, orienta.
Além da alimentação inadequada, diversos fatores aumentam o risco de desenvolver colesterol alto. Entre eles estão a predisposição genética, como ocorre na hipercolesterolemia familiar, o sedentarismo, o excesso de peso, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e doenças como diabetes e hipotireoidismo. O envelhecimento também contribui para o aumento dos níveis de colesterol.
Embora o diagnóstico seja mais frequente na fase adulta, o processo de formação das placas de gordura nas artérias pode começar ainda na infância e na adolescência, principalmente em pessoas com histórico familiar da doença.
A frequência ideal dos exames depende da idade, dos resultados anteriores e do risco cardiovascular de cada paciente”, acrescenta Mayara.
Quando identificado precocemente, o colesterol alto pode ser controlado com mudanças no estilo de vida, reduzindo de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares. Alimentação equilibrada e prática regular de atividade física são as principais estratégias e, em muitos casos, suficientes para normalizar os níveis. “A primeira prescrição é sempre a mudança de hábitos. Em alguns casos, isso resolve. Em outros, é necessário associar medicamentos, sempre de acordo com a avaliação individual”, afirma a cardiologista.
Entre as recomendações estão priorizar uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais e leguminosas, reduzir o consumo de gorduras saturadas, eliminar as gorduras trans e optar por fontes de gorduras saudáveis, como o azeite de oliva. A prática de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada também faz parte das orientações. Abandonar o cigarro, consumir bebidas alcoólicas com moderação e manter o peso adequado completam as medidas de prevenção.
O tabagismo reduz o HDL, que é o colesterol bom, enquanto a atividade física ajuda a melhorar esse equilíbrio. Pequenas mudanças de hábito, mantidas ao longo do tempo, fazem grande diferença para a saúde do coração”, conclui a médica do Vera Cruz Hospital.
O prato como espelho do coração
O tratamento envolve uma abordagem preventiva e multidisciplinar, que inclui reeducação alimentar, práticas de atividade física e acompanhamento médico contínuo. E nesse contexto, a alimentação ganha protagonismo.
A nutricionista Cristiane Mara de Carvalho, também do Hospital Costantini, afirma que um plano alimentar adequado pode fazer toda a diferença. “Em alguns casos é possível, sim, reduzir o colesterol ruim e aumentar o bom apenas com mudanças simples na alimentação. O segredo está no equilíbrio e na constância”, explica.
A especialista destaca três pilares essenciais de uma dieta cardioprotetora:
- Fibras solúveis – encontradas em alimentos como aveia, maçã, cenoura e feijão, ajudam a “capturar” o colesterol no intestino, facilitando sua eliminação;
- Gorduras boas – azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas e sementes são aliados na elevação do HDL;
- Fontes de ômega-3 – como sardinha, salmão e atum, que têm ação anti-inflamatória e protegem as artérias.
A recomendação do hospital é que as mudanças alimentares sejam feitas de forma gradual e com acompanhamento profissional. “Começar trocando o pão branco pelo integral, incluir uma fruta no café da manhã ou substituir a carne vermelha por peixe algumas vezes por semana já são passos importantes”, pontua a nutricionista.
O colesterol alto é um inimigo silencioso, mas combatê-lo começa por atitudes simples. E a mais eficaz delas é o cuidado contínuo, com o corpo, a mente e o prato”, conclui o Dr. Gustavo.
Com Assessorias




