

O estudo ‘Disparidades no estágio do diagnóstico de tumores de cabeça e pescoço no Brasil: uma análise abrangente de registros hospitalares de câncer’ investigou 145 mil casos entre 2000 e 2017, mostrou que 78,2% foram diagnosticados em estágios III ou IV. Os pesquisadores também concluíram que, quanto menor o nível de educação do paciente, maior a probabilidade de diagnóstico em estágio grave.
A maior parte das pessoas diagnosticadas com a doença tem 60 anos de idade. No entanto, o Inca observou que, nos casos mais graves, os pacientes são mais jovens, com 50, 40 e 30 anos de idade, principalmente pessoas sem o ensino básico ou educação incompleta e os mais pobres. Homens com menos de 50 anos, de baixa escolaridade, que fumam e consomem bebidas alcoólicas, eram oito em dez dos casos graves.
Os pesquisadores também chamam atenção para as desigualdades regionais na prevalência do estágio mais avançado na Região Norte do país e defendem mais ações para favorecer o diagnóstico precoce. As chances de cura para o câncer de cabeça e pescoço são de 90%, se tratado desde cedo.
O foco agora é tornar mais rápido o acesso às consultas e aos exames especializados, com menos burocracia, a partir do encaminhamento realizado pelas equipes de atenção primária”, disse, em nota, a epidemiologista do Inca Flávia Nascimento de Carvalho, responsável pela pesquisa, fruto de seu doutorado.
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Lula foi curado de câncer de laringe
Além de elevar as chances de cura para até 80% a 90%, dependendo de cada caso, a identificação precoce permite tratamentos menos agressivos e mais personalizados. Em 2011, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula teve um câncer de laringe que, diagnosticado, foi tratado e curado.
O oncologista Cheng Tzu, coordenador da área de tumores de cabeça e pescoço do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, também destaca a mudança no perfil de parte dos casos, especialmente em pessoas mais jovens, com a infecção pelo HPV associada a tumores de orofaringe.
Um dos principais desafios no cuidado desses pacientes é o diagnóstico em fases avançadas, quando o tratamento tende a ser mais complexo e pode envolver diferentes especialidades. Em casos avançados, o tratamento pode impactar funções como fala, respiração, deglutição e alimentação, o que reforça a necessidade de uma abordagem integrada”, afirma o especialista.
Principais tipos da doença, sinais de alerta e fatores de rico
São chamados de câncer de cabeça e pescoço os tumores que aparecem na boca, orofaringe, laringe (a região das cordas vocais), nariz, seios nasais, nasofaringe, pescoço, tireoide, couro cabeludo, pele do rosto e do pescoço, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça a Pescoço. Tabagismo e consumo excessivo de álcool seguem entre os principais fatores de risco, sobretudo quando combinados.
Entre os sinais de alerta estão:
- desconforto na garganta,
- uma ferida que não cicatriza,
- alteração na voz ou rouquidão por mais de duas semanas,
- dor ou engasgos persistentes ao engolir,
- dificuldade para respirar sem causa aparente,
- perda de peso não intencional e
- crescimento rápido de nódulos ou massas na região da cabeça e do pescoço.
Mais sobre o estudo
Conduzido pelo Inca, o estudo ‘Disparidades no estágio do diagnóstico de tumores de cabeça e pescoço no Brasil: uma análise abrangente de registros hospitalares de câncer’ pode ser acessado na íntegra na base de dados do PubMed ou diretamente no site da revista científica pelo link do The Lancet Regional Health – Americas. Você também pode ler o resumo institucional no portal do Instituto Nacional de Câncer.
Da Agência Brasil e Hospital Alemão – texto atualizado em julho de 2026




