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Angelina Jolie retirou ovário para prevenir câncer: doença já atinge 6 mil brasileiras

jolie

Em março de 2016, Angelina Jolie chamou a atenção do mundo inteiro ao anunciar que se submetera a a uma cirurgia preventiva para retirar os ovários e as trompas de Falópio, dois anos após uma dupla mastectomia também preventiva. A atriz e cineasta norte-americana tomou a decisão após  perder a mãe, Marcheline Bertrand, a avó e uma tia para o câncer. Ela tem uma mutação no gene BRCA1 que representa um risco de 87% de desenvolver câncer de mama e 50% de sofrer câncer de ovário. Mas esse tipo de câncer, apesar de ser o sétimo mais diagnosticado na mulher brasileira e das previsões de vitimar 6 mil mulheres este ano, ainda é pouco conhecido.

O câncer de ovário é considerado o mais letal entre os cânceres que ocorrem em mulheres, o mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura, estima-se que 60% dos casos de câncer de ovário sejam descobertos nos estágios avançados da doença. Apenas 43% das mulheres sobrevivem por mais de cinco anos após o diagnóstico da doença, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O dia 8 de maio, instituído no calendário da Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Dia Mundial do Câncer de Ovário, tem o objetivo de chamar atenção das mulheres para essa doença que atinge 250 mil mulheres anualmente, em todo o mundo. “Converse com seu médico. O câncer de ovário é uma doença silenciosa e que se confunde facilmente com problemas menos graves, como as enfermidades gastrointestinais”, recomenda Cristiane Sedlmayer, gerente médica de Oncologia para a Saúde da Mulher da AstraZeneca Brasil.

A maioria das pacientes apenas é identificada nas fases mais avançadas da doença, pois não há nenhum teste simples ou de rotina para descobrir o câncer de ovário com precisão, o que dificulta o tratamento e torna esse, o câncer com menor sobrevida na mulher. Pela incidência da doença e também pela apresentação clínica silenciosa da doença é importante que todas as mulheres com idade entre 30 e 60 anos conversem com seu médico para avaliar quais são as estratégias que elas podem realizar para diminuir o risco do desenvolvimento da doença.

A Associação de Combate ao Câncer de Ovário (ACCO) orienta o público com informações importantes sobre os sintomas, os fatores de risco e dados de impacto sobre a doença no Brasil.  O objetivo é contribuir para a conscientização da população feminina em geral, além de atuar para que a visibilidade da causa tenha mais destaque e debate nos próximos anos.

Os altos índices de diagnósticos tardios e de mortalidades estão relacionados também com a falta de conhecimento sobre os sintomas da doença e dos antecedentes familiares do mesmo tipo de câncer. Se diagnosticado precocemente, o tumor do ovário pode ser retirado com cirurgia (sem a necessidade de quimioterapia e radioterapia), apresentando perspectiva de vida maior do que cinco anos em 90% dos casos.

Fatores como dores abdominais, falta de apetite, aumento de gases, constipação, abdome ou barriga inchados, necessidade frequente e urgente de urinar, sangramento vaginal, dor nas costas, fadiga constante, ganho de peso ou perda de peso de forma repentina, náusea e vômitos podem ser indícios do câncer de ovário, e devem ser levados em consideração sempre que notados.

O diagnóstico pode ser feito por meio da ultrassonografia do abdômen e da transvaginal, além da tomografia computadorizada. Diante de algum sintoma suspeito, o médico poderá pedir exame de sangue. Baseado nos resultados desses testes poderá ser indicada biópsia (feita por laparoscopia ou laparotomia) do tecido ovariano. O exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, já que é específico para detectar o câncer do colo do útero.

O teste genético é hoje a maneira mais segura e certeira de identificar a predisposição para desenvolver um câncer de ovário e pode direcionar o tratamento, proporcionando melhoria na sobrevida e qualidade de vida ao paciente.

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– Fatores de risco

Todas as mulheres estão sujeitas a desenvolver o câncer de ovário. Existem fatores protetores e fatores que podem aumentar o risco para o desenvolvimento da doença. Sendo assim, é fundamental que cada mulher seja seguida de modo individual e avaliada de acordo com seu risco.
Alguns fatores podem ser mais influentes, mas nenhum perfil de paciente é passível de ser excluído dessa análise cuidadosa. Por ser uma doença silenciosa e que facilmente se confunde com outras enfermidades, se uma mulher sentir com frequência alguns sintomas, é importante falar com um médico.

– Sintomas

• Aumento do volume abdominal / inchaço contínuo (não é o inchaço casual)
• Dificuldade de comer / sensação de plenitude, saciedade rápida
• Dor abdominal ou pélvica, incaracterística
• Necessidade urgente e frequente de urinar
Todos esses sintomas podem ser associados a outros problemas mais frequentes e menos graves, assim, é sempre melhor investigá-los.

– Histórico familiar

Outro ponto fundamental que deve ser levado em consideração na consulta ao ginecologista é a questão do histórico familiar. É muito importante saber se na família, seja de um lado ou de outro, alguém já teve a doença. Ter uma mãe, irmã ou filha que teve câncer de ováriopode aumentar o seu risco. Histórico familiar e herança genética, quando o câncer pode ser causado por uma alteração nos genes que é passada de mãe ou pai para filha, são um dos primeiros passos que levarão o médico a querer investigar melhor sua saúde. Converse com sua família e com seu médico. A prevenção é a melhor amiga da saúde.

. Diagnóstico/teste genético
A maioria das pacientes de câncer de ovário apenas é identificada nas fases mais avançadas da doença, pois não há nenhum teste simples ou de rotina preciso, o que dificulta o tratamento e torna esse o câncer com menor sobrevida na mulher. Se o médico identificar os sintomas e a paciente tiver histórico familiar, a maneira mais precisa de diagnosticar o câncer de ovário é por meio de teste genético. Mutações genéticas têm um papel bastante relevante no desenvolvimento e tratamento do câncer.

Nesse caso, o ginecologista pode indicar um geneticista para um aconselhamento genético. Dois tipos de câncer podem contar com a genética para o melhor tratamento, são ovário e mama. As mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 estão associadas com o alto risco de desenvolvimento dos cânceres de ovário e mama e ambos os genes apresentam uma predisposição para esses dois cânceres.

O teste de pesquisa das mutações nos genes BRCA 1 e 2, famoso pelo caso da Angelina Jolie, é um teste genético, exame feito para descobrir se há alguma anormalidade nos genes. Os genes podem sofrer mutações, ou seja, erros na maneira de coordenar a produção de proteínas, relacionadas às funções vitais do organismo. Existem testes genéticos que buscam mutações especificas (como a do BRCA 1/2), ligadas ao desenvolvimento de certas doenças como o câncer.

 

Existem dois tipos de mutações:

• Mutações germinativas: são herdadas, passadas de pai ou mãe para filhos ou filhas.
• Mutações somáticas ou adquiridas: não são herdadas e podem se desenvolver ao longo da vida, devido a fatores ambientais (radiação, produtos químicos, vírus) ou sem uma causa conhecida.

 

. Sobrevida e qualidade de vida após diagnóstico


Como regra geral, os cânceres que são diagnosticados em estádios clínicos inicias são os que têm maior chance de cura. No caso dos cânceres de ovário, devido a sintomalogia inespecífica e de aparecimento tardio, é muito frequente que as pacientes sejam diagnosticadas em estádios clínicos mais avançados, o que pode impactar negativamente na chance de cura.

Vale a pena lembrar que o tratamento dos cânceres de ovário são multidisciplinares, ou seja, a paciente será avaliada primordialmente por um cirurgião ginecológico (especializado em tratar cânceres) e também por um oncologista clínico – que será responsável pela prescrição de quimioterapia, antes ou depois da cirurgia, sempre que estiver indicada.

Algumas mudanças de vida são fundamentais para manter uma boa qualidade de vida após o diagnóstico. A realização de atividades físicas frequentes, alimentação de boa qualidade e o cuidado com as próprias emoções são fundamentais. A ideia então é comunicar-se principalmente com seu médico, perante a persistência de sintomas abdominais inespecíficos e persistentes como os descritos acima, fazer os exames de rotina prescritos por ele, e para isso é fundamental “ouvir” o seu próprio corpo! Não podemos nos intimidar perante um diagnóstico como este, temos que pensar que quanto antes diagnosticarmos maior será a chance da cura!

Fontes: Inca, AstraZeneca Brasil e ACCO

Depoimento de Angelina J0lie

Em um artigo publicado no jornal “New York Times”, a atriz explica os motivos da decisão. “Eu estava planejando isso há algum tempo. É uma cirurgia menos complexa do que a mastectomia, mas seus efeitos são mais graves. Ela coloca a mulher na menopausa forçada. Então, eu estava me preparando fisicamente e emocionalmente, discutindo as opções com os médicos, pesquisando medicina alternativa, e mapeando os meus hormônios para substituição de estrogênio ou progesterona. Mas eu senti que ainda tinha meses para marcar a data. É uma cirurgia menos complexa do que a mastectomia, mas os efeitos são mais graves. Ela coloca a mulher na menopausa forçada”

Ela explica que há duas semanas recebeu uma ligação do médico com os resultados de um exame de sangue. O doutor disse que o nível no sangue de uma proteína chamada CA-125, monitorada para detectar o risco de câncer de ovário, era normal.

No entanto, “havia uma série de marcadores inflamatórios que eram altos” e que poderiam apontar um câncer incipiente. “O câncer de ovário da minha mãe foi diagnosticado quando ela tinha 49 anos. Eu tenho 39.” Diante do risco, a atriz se submeteu na semana passada a uma “salpingo-ooforectomia bilateral laparoscópica”, uma operação preventiva na qual são retirados os ovários e as trompas de Falópio. “Optei por manter meu útero porque o câncer nessa localização não é parte do meu histórico familiar.”

“Havia um pequeno tumor benigno em um ovário, mas não havia indícios de câncer em nenhum dos tecidos”, explica Angelina Jolie.  “Eu passei pelo que eu imagino que milhares de outras mulheres sentiram. Eu disse a mim mesma para ficar calma, ser forte, e que não havia nenhuma razão para pensar que eu não viveria para ver meus filhos crescerem e para conhecer os meus netos. Liguei para o meu marido (Brad Pitt) na França, que estava em um avião há horas. A coisa bonita sobre esses momentos na vida é que há tanta clareza. Você sabe para o que você vive e o que importa. É polarizador, e é pacífico.

Angelina continua o artigo ao contar que se tratou com a mesma médica que cuidou de sua mãe. Ela começou a chorar quando viu Jolie e disse que a atriz estava muito parecida com a mãe. “Sorrimos uma para a outra e concordamos que estávamos lá para lidar com qualquer problema.”

“Sei que meus filhos nunca terão que dizer: ‘Mamãe morreu de câncer de ovário'”, completa no artigo a atriz de Hollywood, que tem seis filhos, três biológicos e três adotados. “Agora estou na menopausa. Não serei capaz de ter mais filhos, e espero algumas mudanças físicas. Mas eu me sinto à vontade com o que virá, não porque eu sou forte, mas porque esta é uma parte da vida. Não é nada a ser temido.”

“Não é fácil tomar estas decisões. Mas é possível assumir o controle e enfrentar de frente qualquer problema de saúde. Você pode buscar aconselhamento, estudar as opções e tomar as decisões que são apropriadas para você. Conhecimento é poder”, concluiu a atriz.

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