Câncer de mama: só 11% conhecem tipo ou estágio do tumor

69% das mulheres se consideram bem informadas sobre a doença. Desigualdade social contribui para falta de conhecimento

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O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum nas mulheres e a principal causa de morte entre elas. Por conta disso, a informação e o diagnóstico precoce podem ser cruciais na luta contra a doença. A grande maioria das brasileiras (98%) ouvidas em recente pesquisa diz estar ciente do assunto graças à campanha Outubro Rosa. Embora 69% se considerem bem-informadas sobre o câncer de mama, somente 11% sabem apontar o tipo ou estágio do tumor.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha, sob encomenda da Gilead Oncology, da Gilead Sciences Brasil. Entre as participantes, 57% são mulheres negras e 31% pertencem às classes D/E, caracterizadas por níveis mais baixos de escolaridade. A pesquisa revela o quanto esta população tem menos informação e menor acesso e facilidade de encaminhamento para exames preventivos.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, por exemplo, cerca de 49% das mulheres reconhecem que têm conhecimento limitado ou insuficiente sobre a doença. Entre as mais jovens, com idades entre 25 e 29 anos, esse índice atinge 45%. Além disso, outras categorias que demonstraram enfrentar desafios na obtenção de informações adequadas foram pessoas das classes D/E (42%); as que possuem apenas o ensino fundamental (36%); e mulheres negras (35%).

Os dados lançam luz sobre a falta de equidade na saúde quando comparada às populações mais vulneráveis. Para o Instituto Oncoguia, a pesquisa reforça a difícil realidade das desigualdades existentes em nosso país até mesmo em relação ao acesso à informação.

“O desafio também existe com relação aos exames, especialistas e tratamento. Há que se seguir informando e conscientizando todas as mulheres sobre o autocuidado das mamas e sobre o câncer de mama”, destaca Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.   

7 entre 10 mulheres realizaram consultas com ginecologista

Quando se trata de prevenção da doença, sete em cada dez entrevistadas afirmam ter realizado consultas com ginecologistas no último ano. Essa taxa aumenta para cerca de 80% entre as classes mais altas e com maior escolaridade, enquanto 2% das entrevistadas afirmam nunca terem ido ao ginecologista.

Segundo a pesquisa, o Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal fonte de atendimento médico para a maioria das entrevistadas, representando 75%. Muitas mulheres utilizam mais de um tipo de atendimento, tornando o sistema uma opção amplamente acessada. Os planos de saúde privados e atendimento particular representam 20% e 18%, respectivamente.

Mamografias, exames clínicos e autoexame são realizados por cerca de dois terços das mulheres quando estimuladas. No entanto, alguns exames, como a mamografia, são mais frequentes entre as mulheres com idades entre 40 e 59 anos, bem como entre as classes A/B e com níveis mais elevados de escolaridade.

Para os organizadores da pesquisa, isso destaca a necessidade de alcançar mulheres de todas as idades e grupos socioeconômicos com programas de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. 

A pesquisa também aponta que 49% das mulheres fazem o exame de mamografia regularmente, sendo 60% delas das classes A/B, enquanto 37% são das classes D/E. Duas em cada dez entrevistadas mencionaram que o exame foi realizado porque o médico solicitou (20%), enquanto 16% afirmaram que o fizeram devido à sensação de um caroço ou nódulo.

“Identificar a condição em estágios iniciais pode elevar significativamente as chances de sobrevida das pacientes, e, por isso, ressaltamos a grande importância da conscientização e realização de exames regulares”, explica Rita Manzano Sarti, diretora médica sênior da Gilead Sciences Brasil.

Segundo ela, a detecção precoce não apenas salva vidas, mas também oferece esperança de uma melhor recuperação para as mulheres que enfrentam o câncer de mama. “O diagnóstico precoce também depende de exames clínicos de rotina que precisam ser incorporados pela mulher e isso se faz possível com acesso à informação de qualidade e meios igualitários para realização de exames e tratamentos”, ressalta.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Datafolha concentrou-se não apenas na compreensão das mulheres brasileiras em relação ao câncer de mama, mas também nas perspectivas para promover a igualdade na área da saúde. No total, foram realizadas 1.007 entrevistas em um estudo quantitativo conduzido entre 24 de novembro e 14 de dezembro de 2022.

As entrevistas foram realizadas com um grupo de mulheres com idades entre 25 e 65 anos, apresentando uma média de idade de 43 anos. O estudo envolveu entrevistadas de diversas classes sociais, com uma representação de 48% na classe C, 36% nas classes D/E, 15% na classe B e 2% na classe A.

Também abrangeu pessoas do sexo feminino de diversas localidades, incluindo cidades grandes e pequenas, capitais e regiões interiores, com uma distribuição geográfica de 43% na região Sudeste, 26% no Nordeste, 16% na região Norte/Centro-Oeste e 14% na região Sul. O questionário teve uma duração média de 18 minutos e os resultados apresentaram uma margem de erro de até 3%, com um nível de confiança de 95%.

Congresso ‘Todos Juntos Contra o Câncer’

Os resultados foram apresentados na palestra satélite intitulada Pesquisa Datafolha: O que as mulheres brasileiras sabem sobre o câncer de mama e o que podemos absorver em prol da equidade na saúde?”, realizada durante o 10º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), realizado em São Paulo (SP), no último dia 27 de setembro.

A discussão contou com a participação de Carolina Magalhães, jovem que enfrentou a doença aos 29 anos e é idealizadora do Projeto Se Cuida, Preta, cujo objetivo é proporcionar acolhimento, informação, visibilidade e voz às mulheres negras que lutam contra a patologia.

Foram destacadas iniciativas e o compromisso tanto do Legislativo Federal quanto de entidades ligadas à saúde pública e privada em prol das mulheres brasileiras, independentemente de sua classe social, cor ou raça, idade e nível de escolaridade.

Alessandra Morelle, oncologista do Grupo Oncoclínicas e idealizadora da plataforma Thummi, apresentou um projeto-piloto inovador referente a um aplicativo que possibilita o acesso e o acompanhamento remoto por parte dos médicos na jornada das pacientes oncológicas, incluindo as que enfrentam o câncer de mama.

Veja mais no Especial Outubro Rosa

 

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