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Sarcopenia: perda muscular é ameaça à saúde da pessoa idosa

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos brasileiros ao nascer aumenta ano após ano e se aproxima de 77 anos. Até 2050, 30% da população brasileira terá 60 anos ou mais, segundo dados do IBGE. Além disso, é cada vez mais comum as pessoas atingirem mais de 100 anos de idade. Uma importante questão para quem chega à terceira idade é a perda de massa, força e desempenho da musculatura, conhecida como sarcopenia. Cerca de 30% das pessoas com mais de 60 anos desenvolvem o problema.

Apesar de ser um processo natural devido ao envelhecimento, é necessário estar atento ao que pode gerar quadros mais graves e abalar a vitalidade e autonomia do idoso. O alerta é de Anelise Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Regional Rio, que atua como coordenadora de Geriatria do Hospital Adventista Silvestre (RJ).

Segundo ela, há uma diversidade de causas que podem contribuir para a perda muscular grave como diabetes, infecções e inflamações a longo prazo, traumatismos e internações prolongadas. Mesmo que qualquer pessoa esteja suscetível à sarcopenia, idosos apresentam maior probabilidade de desenvolver o quadro por conta da tendência à inatividade física e ao surgimento de doenças crônicas.

“A perda muscular acontece de forma fisiológica a partir dos 30 anos, por isso é importante adotar uma rotina de atividades físicas e uma alimentação balanceada e rica em proteínas desde cedo. Já que é um processo natural e de certo modo irreversível, boas práticas fazem com que esse processo não se torne um problema grave com o passar dos anos”, afirma a dra. Anelise Fonseca.

‘Quanto menos massa magra, maior o risco’

Roberto Miranda, cardiologista e geriatra, esclarece que a perda de massa muscular é um processo natural, mas a velocidade da perda e o impacto na qualidade de vida do paciente decorrem diretamente da quantidade de massa magra que as pessoas têm no corpo. “Quanto menos massa magra tivermos mais riscos corremos”, explica.

Segundo ele, o indivíduo com pouca massa magra se torna “fraco” e o quadro pode ser agravado com a incidência de uma doença aguda. Por exemplo: um idoso com boa quantidade de massa magra tende a se recuperar melhor de uma pneumonia, pois o organismo usa esse recurso para auxiliar na recuperação. Com o quadro estabilizado, ainda sobra massa para ele se recuperar e voltar às atividades rotineiras.

“O mesmo não acontece com o idoso com pouca massa magra. Ele tem chances de dependência ampliadas, pois o seu organismo pode não ter a força necessária para se recuperar completamente de uma enfermidade pontual”, explica o especialista.

Para contribuir com a reflexão sobre como melhorar a qualidade de vida dessa crescente parcela da população, o médico Amilton Macedo – que acompanha de perto os avanços mundiais nos campos de Medicina Preventiva, Dermatologia, Cosmiatria, Nutrologia, Tricologia e Oxidologia – compartilha argumentos essenciais que devem ser considerados, não apenas para aprimorar a qualidade de vida das pessoas com mais de 60 anos, mas também para aqueles que desejam uma longevidade funcional.

“Os idosos estão aumentando em número e em participação na sociedade, mas é necessário um olhar mais atencioso em relação à qualidade de vida dessas pessoas e, acima de tudo, uma abordagem integral e preventiva para falar de saúde hoje – e não de doenças amanhã. No Brasil, temos uma mentalidade de cuidar bem da nossa saúde quando estamos doentes. Vamos ao médico, tomamos os remédios corretos e repousamos, mas somos péssimos em manter hábitos saudáveis que garantirão uma velhice funcional, com qualidade e autonomia”, completa .

Osteoporose é outro problema comum entre idosos

Outro problema é a perda de massa e de tecido ósseo (osteoporose), que também é comum e aumenta o risco de fraturas, as quais são extremamente complicadas para lidar e recuperar os pacientes. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 10 milhões de brasileiros têm osteoporose, o que causa 1 milhão de fraturas por ano.

A boa notícia é que esses graves problemas podem ser minimizados (ou adiados) com ajustes nas rotinas das pessoas: ter estilo de vida ativo, o que significa no mínimo 5 mil passos por dia ou fazer meia hora de caminhada; ter alimentação balanceada, que não restrinja os alimentos, mas reduza a ingestão daqueles que não contribuem com a saúde; ter equilíbrio emocional, para que o corpo não sofra as consequências; evitar o excesso de álcool e não fumar.

Anelise Fonseca indica alguns passos a serem seguidos para contribuir com um envelhecimento saudável e uma vida de qualidade, como manter atividades físicas e uma alimentação rica em proteínas. Segundo a médica, é muito importante o corpo estar em movimento, é a estratégia mais eficiente para evitar o quadro de enfraquecimento físico entre idosos, praticar atividades aeróbicas e treinamentos de força e resistência, como musculação, pilates e fisioterapia.

Amilton Macedo destaca que manter uma dieta saudável e incorporá-la à prática regular de exercícios físicos desempenha um papel fundamental na promoção de um metabolismo robusto e na prevenção de doenças relacionadas às articulações e aos ossos. “A atividade física regular desempenha um papel crucial na redução do risco de osteoporose e atrofia muscular, além de contribuir para a saúde mental ao combater o estresse, a ansiedade e a depressão.

É importante destacar que o exercício físico não requer necessariamente atividades intensas; até mesmo exercícios aeróbicos de baixo impacto, como o polichinelo, podem melhorar significativamente a resistência cardiovascular. Portanto, para uma vida mais longa e saudável, é recomendável reservar um tempo para atividades como caminhadas leves ou exercícios em casa, com a orientação adequada de um profissional da área para garantir a segurança e eficácia”, conclui.

Busca de maiores de 60 anos por academias cresce 30%

Ines Pacheco, de 93 anos, sabe da importância da atividade física para uma longevidade saudável. Por recomendação de sua médica reumatologista, ela se matriculou em 2005 numa academia para a prática de musculação para auxiliar no tratamento da osteoporose e artrose de quadril. E diz que obteve melhora nas dores articulares, equilíbrio e ganho de massa óssea.

“Sou muito bem orientada pelos professores do programa da academia. Os idosos precisam de um acompanhamento mais minucioso e direcionado para nossas necessidades e expectativas. Além do acompanhamento profissional também temos uma turma muito boa e unida e nos sentimos acolhidos por todos”, diz a aluna do programa Bio Master, da Bio Ritmo.

Dona Inês não está sozinha. Segundo um levantamento recente da Acad Brasil (Associação Brasileira de Academias), o público de pessoas maiores de 60 anos que se matriculam nas academias cresceu 30%, sendo a maioria mulheres. Pensando na importância de proporcionar opções de atividades físicas seguras e adequadas à terceira idade, as academias têm investido em peso no público 60+.

Na Bio Ritmo, rede de academias high end, dos quase 50 mil clientes ativos da rede, 6,6% são pessoas entre 60 e 93 anos e, desse total, 67,7% são mulheres. Desta forma, a rede de academias de luxo se preocupa em oferecer programas de exercícios especialmente desenvolvidos para os idosos. Há mais de 15 anos a Bioritmo mantém o Bio Master, um programa de treinamento personalizado, desenvolvido especialmente para alunos a partir dos 60 anos, com objetivo de ajudar a enfrentar a longevidade com autonomia, prevenção e menos riscos, enquanto incentiva a ampliação de suas relações sociais.

Os especialistas da Bio Ritmo lembram que a prática de exercícios para a terceira idade oferece inúmeros benefícios à saúde física e mental. Entre os principais benefícios estão melhoria da saúde cardiovascular, mais força e flexibilidade, saúde mental, equilíbrio e prevenção de quedas e prevenção de doenças crônicas. E recomendam que os idosos busquem orientação médica antes de iniciar qualquer programa de exercícios, a fim de garantir a segurança e adaptar os treinos às necessidades individuais.

“Quando se fala sobre longevidade, não se trata apenas de viver mais, e sim com qualidade. Apesar de um forte engajamento do público feminino neste recorte de idade nas academias, entendemos que a procura aumenta cada vez mais em todos os gêneros, principalmente por recomendações médicas. O principal ponto para o atendimento correto a clientes com mais de 60 anos é a orientação especializada e acompanhamento de perto. É imprescindível identificar a necessidade de cada indivíduo e trazer treinamentos com profissionais altamente qualificados”, explica Aline Perez, gerente técnica da Bio Ritmo.

Como colocar o corpo em movimento para uma vida com qualidade?

Com o envelhecimento, muitas pessoas desenvolvem doenças crônicas como a diabetes e a hipertensão. Nessa fase, também pode haver o enfraquecimento dos músculos, a perda de equilíbrio, de agilidade, de flexibilidade e de resistência muscular, e por isso as pessoas idosas ficam mais sujeitas a quedas.  Para manter a saúde integral, é necessário manter bons hábitos de saúde no dia a dia, integrando uma boa alimentação e atividades físicas para uma vida com qualidade e bem-estar.

A médica intensivista e paliativista Carol Sarmento, que também é responsável pelo Cuida, um projeto para estimular a prática do cuidado entre as pessoas, explica que para envelhecer bem, algumas atitudes são essenciais, como praticar regularmente e a longo prazo atividade física para ganho de massa muscular e de densidade óssea, controlar comorbidades e doenças crônicas como hipertensão, diabetes e manter o estímulo neuro-cognitivo durante a vida.

“Para as pessoas idosas, as práticas esportivas que trabalham força, por exemplo a musculação, são uma boa forma para manter ou aumentar a massa muscular. Os exercícios de equilíbrio, agilidade e coordenação também são importantes para a prevenção de quedas e de fraturas ósseas”, explica Caroline Wagner, fisioterapeuta que atua na área de Pesquisa e Desenvolvimento da Mercur, indústria das áreas da saúde e educação.

Por isso, é preciso incentivar a adoção de hábitos saudáveis que caibam na rotina, como praticar atividades físicas com conforto e segurança. Em 2023, a Mercur lançou a campanha de saúde Cuidado que move a vida com o intuito de estimular as práticas saudáveis e de autocuidado com conforto e segurança para manter o corpo em movimento. Segundo a fisioterapeuta, as atividades físicas ajudam na independência e autonomia dos movimentos e para isso é indicado o acompanhamento profissional.

“É importante ter uma orientação profissional para estar consciente dos esforços para a prevenção e cuidados de lesões. Exercícios de alongamento e aquecimento são indicados conforme a avaliação física de cada pessoa idosa, bem como o uso de recursos que cuidam dos músculos e articulações”, afirma a fisioterapeuta.

Além de ter mais qualidade de vida e conforto físico, uma pessoa idosa ativa fortalece a mente. “Os exercícios mantêm a saúde mental em dia, pois garantem a sociabilidade, diminuem o estresse e a ansiedade, contribuem para a criatividade e para a memória, promovem a autoconfiança e a autoestima”, finaliza Caroline.

Hábitos saudáveis para uma longevidade funcional

Segundo Roberto Miranda, muito se discute se o país está ou não preparado para cuidar dessas pessoas e pouco sobre como as pessoas estão se preparando para viver mais e melhor. “Sabemos que nada disso é fácil, mas os resultados são evidentes e comprovados por inúmeros estudos. Por isso, minha recomendação para todos é: parem de procrastinar. Comecem hoje a fazer a diferença, independente da sua idade”, completa o médico.

Para a médica intensivista e paliativista Carol Sarmento, “envelhecer diz sobre planejamento, cuidado e investimento. Mas o melhor investimento para garantir autonomia e boa performance na terceira idade está em manter bons hábitos em saúde durante toda a vida”, explica.

Ao buscar manter corpo e mente ativos e saudáveis durante os anos mais jovens, se garante também na terceira idade a mesma proposta: saúde de mente e corpo com aptidão, autonomia e boa performance, com manutenção de capacidade, habilidades e vínculos sólidos. Tão mais cedo esse planejamento de investimento para a terceira idade é feito, mais chances se tem de experimentar a velhice com qualidade e independência funcional.

“Para os que estão ao redor, é preciso entender e valorizar a experiência dos anos, incluir os idosos nas rotinas, nas atividades e no lazer das famílias, assim como lutar e promover a convivência, saúde e momentos de descontração”, explica Carol Sarmento.

Combate ao etarismo é dever de todas as gerações

Manter a carteira de vacinação dos idosos em dia e respeitar as normas jurídicas que protegem a terceira idade como o Estatuto do Idoso, criado pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, também devem ser parte do cotidiano de todos, como afirma Anelise Fonseca. Um aspecto muito importante e pouco discutido é o etarismo, uma forma de preconceito contra a idade.

“Apesar de ser latente no público idoso, ela não é aplicável só a essa faixa-etária. Por exemplo, se uma pessoa perde um cargo de chefia por aparentar ser jovem demais, apesar de ter todos os requisitos solicitados, pode ser uma questão de etarismo. O tema está camuflado em muitas situações, desde políticas institucionais, primeiras admissões, preconceitos por conta da idade e ações do dia a dia, tendo como envolvidos até as pessoas mais próximas, familiares e conhecidos”, ressalta.

Como resultado, podem ocorrer a dificuldade de quem sofre etarismo de conseguir um emprego, ou ocorrem diferenças salariais no mesmo cargo. É uma discriminação que pode ferir os princípios psicológicos de uma pessoa, refletindo em sinais de tristeza, desânimo e interferindo na qualidade de vida.

“O resultado para quem sofre tal ação pode ser na saúde, no desempenho cognitivo do idoso, influencia o desânimo em viver, na perda auditiva, prejudica a sociabilidade e interfere nas atividades preventivas tornando a qualidade de vida, que é fundamental para uma velhice saudável e pacífica, muito mais difícil”, afirma Dra Anelise.

A médica lembra da importância da sociedade civil combater o etarismo,  um preconceito que deve ser enfrentado por todas as gerações. “É necessário que o direito do idoso esteja em todos os lugares e situações, todos nós: filhos e filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas e os demais da família devem ter a plena consciência de que a velhice é um processo natural da vida e estar em consonância com os direitos do idoso é obrigação de todos”.

A médica fala ainda sobre atitudes práticas para se pensar, como familiares e como sociedade, para criar um cenário mais inclusivo para a terceira idade:

– Mercado de trabalho: contratar um idoso pode ser benéfico para a instituição e para a sociedade, já que são pessoas experientes, engajadas em desenvolver os mais jovens e trazem uma postura inclusiva e humana ao ambiente. Essa atitude quebra barreiras de preconceito e diminui a sensação de solidão e improdutividade que é frequente nessa faixa etária.

– Vida moderna e digital: é essencial refletir sobre como promover inclusão digital de idosos, já que é a maior atividade social da atualidade. Estar ativo digitalmente ajuda no desenvolvimento e estímulo cognitivo. O idoso que se relaciona no digital pode achar grupos de convivência e ampliar possibilidades.

“Tudo isso junto pode garantir melhores desfechos em qualidade de vida, mais capacidade de autogerir e de executar atividades da vida diária, assim como menos necessidade de suporte por terceiros do entorno social e mais capacidade de se manter ativo socialmente”, conclui Carol.

Dia Nacional do Idoso e Dia Internacional do Idoso

No dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Idoso, estabelecido no ano de 1999, pela Comissão de Educação do Senado Federal com o objetivo de promover a reflexão a respeito da situação dos idosos, os direitos e as dificuldades vividas no Brasil. Bem próximo às datas citadas, em 1º de outubro, acontece o Dia Internacional do Idoso, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1991, ele tem como foco sensibilizar a sociedade para as questões da terceira idade e a necessidade de proteger e cuidar a população mais idosa.

Essas temáticas têm o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância da valorização da população idosa, o fim do preconceito etário e o comprometimento da família e dos demais com o auxílio aos idosos, suas necessidades e a qualidade de vida dos mesmos. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em julho de 2022 e referentes a 2021, pessoas com 60 anos ou mais representam 14,7% da população residente no Brasil, em números absolutos, são 31,23 milhões de pessoas.

Fazendo um parâmetro dos últimos nove anos, o contingente de idosos residentes no Brasil aumentou 39,8%. Em 2012, moravam no país 22,34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando na época 11,3% de toda a população residente. De acordo com a ONU, estima-se que a população mundial com mais de 60 anos possa dobrar nas próximas décadas, passando dos 900 milhões em 2015 para cerca de 2 bilhões em 2050.

Com Assessorias

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