Febre Oroupoche: entenda a doença e como evitar

Doença comum na Região Amazônica teve 10 casos confirmados no Rio este ano, quando número no país quadruplicou em relação a 2023

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O Brasil registra uma alta de casos de febre Oropouche, uma doença infecciosa aguda causada por um vírus transmitido por mosquitos. O número de casos este ano mais do que quadruplicou: enquanto em 2023 foram registrados 832 casos da doença, quase 4 mil casos ocorreram somente nos quatro primeiros meses de 2024.

A grande maioria (98%) desses casos ocorreu na Região Norte, principalmente, nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia. Também foram confirmados casos em seis estados de outras regiões, de acordo com o Ministério da Saúde, além de surtos em outros países das Américas Central e do Sul (Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela).

Rio de Janeiro investiga 10 casos este ano

Bem longe da Amazônia, o Rio de Janeiro registrou 10 casos da doença este ano. A Secretaria de Estado de Saúde do RJ (SES/RJ) recebeu na segunda-feira (29/04) a confirmação desses casos, feita pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen) e pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

Os casos foram registrados entre os dias 9 e 18 de abril nos municípios de Japeri, Valença, Piraí e Rio de Janeiro e seguem para investigação para que se saiba se são autóctones (quando a transmissão é local) ou ‘importados’ (quando a transmissão acontece em outro território).

Em parceria com os municípios envolvidos, a secretaria vai realizar a investigação epidemiológica nos 10 casos positivos e realizará a investigação entomológica (captura de mosquito) nas regiões que tiveram casos confirmados.

Existe risco de epidemia no Rio?

O primeiro caso de infecção por febre Oropouche no Rio de Janeiro foi no fim de fevereiro: um homem de 42 anos, morador do bairro do Humaitá, na Zona Sul da capital, com histórico de viagem para o Amazonas. O paciente não foi internado durante o período da doença e se recuperou.

Esse caso foi considerado importado, após análise do histórico de viagem do paciente ao estado do Amazonas, que já vivia um expressivo aumento do número de casos nos primeiros meses de 2024.

A confirmação, no entanto, acendeu um alerta de que é preciso redobrar a atenção aos cuidados com o vírus e a prevenção contra os mosquitos. Após a confirmação de dez casos da febre Oropouche no Rio de Janeiro na última semana, muitas dúvidas surgiram entre a população sobre a doença. Afinal, existe risco de epidemia iminente?

“Por se tratar de uma doença com primeira detecção no estado, e que tem sido detectada com maior frequência em surtos mais recentes no país, estudos e análises sobre os casos, os vetores e hospedeiros estão em andamento, o que irá nos apoiar para aprimorar as ações de vigilância, bem como para avaliar o real risco de epidemia pela doença”, esclarece a SES-RJ.

Fiocruz capacita profissionais no diagnóstico de febre Oropouche

Por causa do aumento do número de casos das arboviroses, principalmente a febre Oropouche, profissionais que atuam em laboratórios de vigilância de pelo menos oito países da América do Sul, além do Brasil, estão sendo capacitados, por pesquisadores da Fiocruz, em Manaus, no Amazonas.

O virologista Felipe Naveca, chefe do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz, que está à frente dessa capacitação, fala sobre a importância de habilitar e descentralizar os laboratórios que realizam o diagnóstico da febre Oropouche.

“No final do ano passado, para esse ano, começou a descentralização dos exames pelo Ministério da Saúde. Então agora você faz a testagem para esses vírus em outras regiões, fora da região Amazônica”, explica.

Doença de difícil diagnóstico

Segundo ele, a febre Oropouche é muito difícil de ser diagnosticada sem exame confirmatório no laboratório. “Então, só com base nos sintomas praticamente impossível de ter certeza. Então nós testamos para dengue, e criada uma situação negativas para dengue, zika e chikungunya, ela já são elegíveis para testar para o Oropouche, por exemplo”, afirma

A febre Oropouche é causada pelo vírus de mesmo nome; e transmitida pelo mosquito conhecido como Maruim. Os sintomas são semelhantes aos da dengue  – febre, dor de cabeça intensa, dor nas costas e na lombar e dor articular – e duram entre dois e sete dias. Não existe tratamento específico ou vacina.

A recomendação é evitar áreas onde há muitos mosquitos; usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas da pele.

Tire suas dúvidas sobre a doença

Os sintomas da Febre Oropouche, muito parecidos com os da dengue, duram entre dois e sete dias e incluem febre de início súbito, dor de cabeça intensa, dor nas costas e na lombar e dor articular.

Também pode haver tosse, tontura, dor atrás dos olhos, erupções cutâneas, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos. Não existe tratamento específico. Os pacientes devem permanecer em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento médico.

“O vírus da Febre Oropouche é endêmico no Amazonas e apresenta alguns períodos de surto. A letalidade registrada é baixa. A orientação que vamos passar aos municípios é que eles mantenham a conduta médica realizada nos casos de suspeita de dengue”, afirma a secretária de estado de Saúde, Claudia Mello.

Qual mosquito causa a febre Oropouche?

A febre Oropouche é uma zoonose causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) do gênero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae. O Orthobunyavirus oropoucheense (OROV) foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de uma bicho-preguiça (Bradypus tridactylus) capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

A doença é transmitida predominantemente pela picada do inseto Culicoides paraensis, presente em áreas de acúmulo de matéria orgânica e beira de mangues e rios. Esse inseto não se reproduz como o Aedes aegypti, mosquito da dengue, o que requer mais atenção da população quanto às medidas para o seu controle.

Uma preocupação das autoridades sanitárias é a possibilidade de o culex (pernilongo comum) poder ser um vetor da doença em áreas urbanas, o que não é comum nem tem sido observado na região Norte do país.

A transmissão ocorre quando um mosquito pica uma pessoa ou animal infectado e, em seguida, uma pessoa saudável, passando a doença para ela.

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– A Febre do Oropouche é endêmica?

A doença não é considerada endêmica no Estado do Rio de Janeiro. Desde a detecção pela primeira vez no Brasil em 1960, casos isolados e surtos foram relatados, principalmente nos estados da região amazônica. Também já foram relatados casos e surtos em outros países das Américas Central e do Sul (Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela).

– Como a Febre do Oropouche é transmitida?

Há dois ciclos de transmissão descritos: silvestre e urbano. No ciclo selvático, os primatas, as preguiças e talvez as aves são os hospedeiros vertebrados, embora nenhum vetor artrópode definitivo tenha sido identificado. No ciclo epidêmico urbano, os seres humanos são os hospedeiros amplificadores e o vírus é transmitido principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis presente na região, assim como o Culex quinquefasciatus, o pernilongo, que também pode ser um vetor.

– Quais são os sintomas?

A doença produz um quadro semelhante ao da dengue, após um período de incubação de quatro a oito dias, que pode variar de três a 12 dias. O início é súbito, geralmente com febre, dor de cabeça, calafrios e dor nas juntas (artralgia) e nos músculos (mialgia).  Também podem ocorrer náuseas e vômitos persistentes por até cinco a sete dias, além de e sensibilidade à luz (fotofobia). Ocasionalmente, pode ocorrer meningite asséptica.

– Como é feito o diagnóstico?

Durante a fase aguda da doença, que geralmente dura de dois a sete dias, é possível detectar o material genético do vírus (RNA) por métodos moleculares (RT-PCR) em amostras de soro, principal forma de diagnóstico utilizada atualmente. “Na primeira semana é realizado o teste PCR, um teste molecular. A partir do sétimo dia, faz-se a sorologia IgG e IgM para a detecção do vírus”, diz Granato.

– Qual é o tratamento para Febre do Oropouche?

Não há vacina e tratamento específicos disponíveis. O tratamento é sintomático, assim como na dengue, ou seja, o paciente é tratado de acordo com os sinais e sintomas clínicos. “O tratamento é um antitérmico para a febre, preferencialmente a novalgina e hidratação com a ingestão de bastante líquido”, completa o médico. Na maioria dos casos, o paciente se recupera em uma semana.

– Como prevenir a doença?

Segundo Celso Granato, o mais importante é combater o mosquito dentro de casa, tomando todos os cuidados necessários. Além disso, usar repelente nas partes do corpo que ficam mais expostas, principalmente à noite, que é o horário que o mosquito transmissor da Febre Oropouche costuma circular.

A SES-RJ explica que as medidas de prevenção consistem basicamente em evitar o contato com áreas de ocorrência e minimizar a exposição às picadas dos vetores, seja por meio de recursos de proteção individual (uso de roupas compridas, de sapatos fechados e de repelentes nas partes do corpo expostas) ou coletiva (limpeza de terrenos e de locais de criação de animais; recolhimento de folhas e frutos que caem no solo; uso de telas de malha fina em portas e janelas).

– Qual a principal recomendação para a população neste momento?

Uso de proteção individual (uso de roupas compridas, de sapatos fechados e de repelentes nas partes do corpo expostas) ou coletiva (limpeza de terrenos e de locais de criação de animais; recolhimento de folhas e frutos que caem no solo; uso de telas de malha fina em portas e janelas).

– Há algum estudo que indique eficácia da vacina da dengue, ou outro imunobiológico?

Ainda não há comprovação científica. “Ainda não temos uma vacina para a Febre Oropouche e mesmo que a doença não seja grave, pois não leva a óbito, é preocupante, pois debilita a pessoa”, afirma o médico.

Com Agência Brasil e Assessorias

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