O fim das férias é frequentemente acompanhado por um misto de expectativa e resistência. Nos primeiros dias de aula, é comum que crianças apresentem alterações de comportamento: choram com facilidade, demonstram irritação, resistem a sair da cama ou ficam ansiosas. Para muitos pais, essas reações geram incertezas sobre se o comportamento é apenas manha ou se indica um problema maior.

Na maioria das vezes, no entanto, esses sinais fazem parte de um processo natural de adaptação. A transição entre o descanso e o ambiente escolar envolve reorganizar horários, reencontrar colegas e professores, respeitar regras e lidar com uma sobrecarga de estímulos e expectativas.

O impacto emocional do retorno escolar

De acordo com o psicólogo Filipe Colombini, CEO da Equipe AT e especialista em orientação parental, qualquer mudança de rotina exige um esforço emocional considerável na infância, período em que a autorregulação emocional ainda está se desenvolvendo.

A criança não está apenas voltando para a sala de aula. Ela está retomando uma série de experiências ao mesmo tempo. Precisa reorganizar sua rotina, adaptar o corpo a novos horários, reencontrar pessoas e lidar com expectativas que surgem naturalmente nesse período”, explica o especialista.

Colombini ressalta que, durante o período de descanso, a rotina é marcada por horários flexíveis e maior tempo com a família. “Irritação, ansiedade, dificuldade para acordar e maior sensibilidade costumam fazer parte do processo. Em grande parte dos casos, a criança está apenas se adaptando”, afirma.

Além disso, a forma como a mudança é absorvida varia de acordo com o temperamento, a idade e as vivências de cada criança. Alunos que mudaram de escola, trocaram de turma ou estão ingressando em um novo ciclo de ensino tendem a necessitar de um período maior para se sentirem seguros.

O especialista alerta que comportamentos como birras não devem ser interpretados imediatamente como falta de limites: “Muitas vezes, a irritação é a forma que a criança encontra para comunicar que está cansada, insegura ou emocionalmente sobrecarregada.”

Leia mais

Volta às aulas: como ajudar crianças e adolescentes a retomarem a rotina
Volta às aulas exige atenção à saúde mental de crianças e adolescentes
Como lidar com os desafios emocionais na volta às aulas?
Volta às aulas exige atenção à saúde mental de crianças e adolescentes

O que acontece no cérebro: a ansiedade antecipatória

A dificuldade de adaptação não se restringe ao aspecto comportamental; ela tem raízes neurocientíficas. A neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry explica que o cérebro humano tem preferência pela previsibilidade e reage intensamente às alterações de rotina por meio da chamada ansiedade antecipatória.

Quando sabe que uma mudança importante está se aproximando, o cérebro começa a se preparar antes mesmo que ela aconteça. Por isso, muitas pessoas passam a dormir pior, ficam mais irritadas ou ansiosas na última semana de férias. O cérebro já está se adaptando à próxima fase”, detalha a neurocientista.

Durante essa transição, áreas cerebrais ligadas ao planejamento, atenção e regulação emocional entram em alerta, alterando também a produção de hormônios do estresse e o ciclo circadiano (sono e vigília).

5 estratégias comportamentais para facilitar a transição

Para ajudar os filhos a enfrentarem esse momento de forma mais leve, o psicólogo Filipe Colombini recomenda cinco atitudes fundamentais para os pais:

  1. Antecipe a mudança de horários: Ajuste gradualmente os horários de dormir e acordar dias antes do início do ano letivo.

  2. Acolha os sentimentos: Escute os medos e receios da criança sem desqualificar ou minimizar o que ela sente.

  3. Envolva a criança nos preparativos: Organizar a mochila, separar o uniforme e arrumar o material juntos gera previsibilidade e reduz a ansiedade.

  4. Transmita segurança: Demonstre tranquilidade e uma atitude positiva em relação à escola, pois as crianças absorvem a ansiedade dos adultos.

  5. Preserve momentos de lazer: Mantenha horários para brincadeiras e conversas em família no dia a dia para aliviar a pressão do retorno.

Reorganização neural e rituais complementares

A neurocientista Daiana Petry sugere iniciar a reorganização da rotina cerca de sete dias antes das aulas, reintroduzindo horários regulares de refeições, praticando a redução de telas à noite e criando pequenos rituais de transição.

Como recurso complementar para favorecer o equilíbrio emocional, a especialista aponta o uso da aromaterapia, ressaltando que o olfato possui ligação direta com o sistema límbico — região cerebral associada às emoções e memórias:

  • Alecrim (Rosmarinus officinalis): Utilizado para focar a atenção e favorecer a clareza mental (pode ser usado em difusor pela manhã).

  • Lavanda (Lavandula angustifolia): Auxilia no relaxamento e na qualidade do sono (ideal para difusores no quarto antes de dormir).

  • Laranja-doce (Citrus sinensis): Traz sensação de leveza e acolhimento.

  • Limão (Citrus limon): Estimula a energia e a organização mental.

  • Bergamota (Citrus bergamia): Indicada para aliviar a tensão emocional e promover tranquilidade no fim do dia.

Petry conclui lembrando que a adaptação não ocorre do dia para a noite: “O cérebro aprende por repetição e por associação. Quando criamos pequenos rituais, estamos dizendo ao cérebro que uma nova fase começou, reduzindo o impacto emocional da volta à rotina.”

📲 Quer receber nossas notícias direto no seu celular? Clique aqui para se inscrever no canal do Portal Vida e Ação no WhatsApp e não perca nenhuma atualização!

Com Assessorias

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *