A partir desta quarta-feira (1 de julho), o Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), no Centro do Rio de Janeiro, abre suas portas para a exposição Vida Reinventada – A Pandemia de Covid-19 e a Transformação do Futuro. Mais do que um resgate histórico da maior crise sanitária do século 21, a mostra surge como um alerta necessário sobre a nossa prontidão diante de futuras emergências globais.
A exposição, que permanece aberta ao público até abril de 2027, celebra a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS) diante desse ambiente hostil e o papel fundamental da ciência e dos profissionais de saúde. Para os curadores, a iniciativa busca sintetizar sentimentos de memória, justiça e reparação, utilizando instalações sensoriais e documentais para demonstrar como a sociedade brasileira respondeu ao desafio pandêmico.
Segundo a idealizadora da exposição, Nísia Trindade, “reinventar a vida implica também transformar o futuro”, o que exige compreender a dimensão política do processo e a necessidade de preparar o país para responder de forma coletiva e adequada a futuras emergências em saúde”. Nísia foi a primeira mulher a ocupar os cargos de presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de ministra da Saúde no governo Lula.
Acompanhado por Nísia Trindade, o ministro da Saúde Alexandre Padilha participou da inauguração oficial da exposição, que visa preservar a memória da pandemia, destacando o papel do SUS, da ciência, das instituições públicas, dos profissionais de saúde e da sociedade civil no enfrentamento da crise.
Mostra convoca para reflexão sobre as lições da pandemia
A mostra também surge como um convite para analisar as cicatrizes profundas deixadas pela pandemia e as falhas críticas que comprometeram a resposta do país. A iniciativa surge como um tributo necessário, mas também como um espaço de denúncia das perdas irreparáveis. O Brasil enfrentou momentos dramáticos marcados não apenas pelo vírus, mas por uma gestão federal que, sob a administração do então presidente Jair Bolsonaro, adotou uma postura de omissão e negacionismo.
A propagação sistemática de desinformação, o incentivo a tratamentos sem comprovação científica e o ataque direto às instituições de saúde dificultaram o acesso e a adesão da população às vacinas — que são, comprovadamente, a única barreira eficaz contra o agravamento da doença. Esse cenário de descaso contribuiu diretamente para que o país acumulasse um número trágico de vidas perdidas (mais de 700 mil), uma ferida que o projeto busca não apenas documentar, mas também exigir justiça e reparação.
Homenagens às vítimas e profissionais da ‘linha de frente’
A ciência é a grande protagonista da exposição. De acordo com os organizadores, as palavras memória, justiça e reparação definem a exposição. Por meio de experiência sensorial e documental, a mostra propõe uma travessia coletiva pelas respostas dadas pela sociedade à pandemia, com o objetivo de promover uma reflexão profunda sobre aquele período no país.
De acordo com o diretor artístico da exposição, Adrén Alves, o público terá, na mostra, uma lembrança do que foi o período pandêmico mas, ao mesmo tempo, receberá uma mensagem positiva para o futuro. “A nossa mensagem é “poderia ter sido diferente” e lembrar sempre uma forma de não repetir os erros do passado”, afirmou.
Segundo Adrés Alves, a mostra constitui grande homenagem às vítimas da covid-19, aos profissionais do SUS que deram suas vidas para salvar os doentes, uma homenagem à vacina e à ciência e também às mulheres que estiveram na linha de frente de combate à doença.
E, antes de tudo, é um grito de esperança para dizer que não vamos repetir os mesmos erros do passado para evitar que venham outras pandemias. E, se vierem, que a gente esteja mais preparado”.
A expografia e cenografia da exposição são de André Cortês, considerado um dos maiores cenógrafos brasileiros. A exposição apresenta documentos, relatos, instalações, testemunhos, vídeos e minidocumentários feitos por vários cientistas que participaram também da curadoria.
A criatividade humana coletiva sempre floresceu diante do desafio, seja para ampliar o conforto físico e espiritual, seja para nos salvar. Durante a pandemia, muitas redes humanas foram criadas”, disse Cortês.
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A conexão com a Saúde Única e o risco de novas epidemias
Em um mundo marcado por alterações climáticas e a expansão desenfreada de atividades humanas sobre ecossistemas preservados, o risco de novas zoonoses é uma realidade iminente. Sob a ótica do conceito de Saúde Única (One Health), torna-se evidente que a saúde humana, animal e ambiental estão interconectadas de forma indissociável.
A crise da covid-19 comprovou que o desequilíbrio ecológico pode acelerar o transbordamento de patógenos, conhecidos como spillover. Portanto, olhar para o futuro exige que a sociedade compreenda que a preservação da biodiversidade e a vigilância integrada são tão fundamentais quanto o investimento em tecnologia e em um SUS forte para impedir que novas epidemias globais ocorram.
Programação estendida: Ciência para além das paredes do museu
A exposição extrapola o espaço físico do museu com uma série de ações paralelas no Rio de Janeiro e em Niterói, ampliando o diálogo entre ciência, cultura e memória.. “A exposição sai do museu”, definiu o diretor artístico da mostra.
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Rodas de leitura: Em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), o projeto promove encontros nos dias 6 de julho, 3 de agosto e 8 de setembro, discutindo registros históricos e reflexões literárias sobre crises sanitárias, reflexões artísticas e literárias produzidas no contexto da pandemia, além de obras e publicações relacionadas às ciências biomédicas e sociais. A ideia é ampliar o alcance cultural, científico e educativo do projeto.
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Ciclo de seminários: Realizado em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o ciclo abordará os impactos humanos e científicos da pandemia, integrando-se à programação da Reunião Anual da SBPC, que ocorre em Niterói de 26 de julho a 1º de agosto. dedicado às reflexões sobre os impactos sociais, científicos e humanos da pandemia.
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Mostra de filmes: Entre os dias 5 e 9 de agosto, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio) exibirá documentários, ficções e curtas-metragens produzidos durante a pandemia, que apresentarão diferentes perspectivas sobre os impactos sociais, políticos e humanos da doença. A programação contará ainda com debates entre realizadores, pesquisadores, profissionais da saúde e convidados.
Onde assistir à mostra
Vida Reinventada – A Pandemia de Covid-19 e a Transformação do Futuro fica em cartaz no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), localizado na Praça Marechal Âncora, 95, no Corredor Cultural do Rio de Janeiro. A mostra funciona de terça-feira a sábado, das 10h às 17h. Visitas em grupo podem ser agendadas pelo telefone (21) 2240-5318. A exposição conta com recursos de acessibilidade e com equipe de educadores, incluindo profissionais capacitados em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e atendimento em inglês.
Ainda no Rio de Janeiro (RJ), Alexandre Padilha prestigia, no Cine Carioca José Wilker, o lançamento do documentário “Drauzio e os Agentes”, que aborda momentos marcantes do SUS e como o trabalho dos agentes comunitários de saúde transforma a vida das pessoas. Ele estará acompanhado pelo médico Dráuzio Varella, que, no filme, viaja pelo Brasil, passando por territórios rurais e indígenas em que atuou ao longo da carreira.
Com informações da Agência Brasil e Ministério da Saúde
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