O volume de solicitações verificado para o ano de 2025, de acordo com o estudo, deve ser compreendido no contexto de retomada de fluxos em direção ao Brasil já verificados anteriormente nos anos de 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após período de maiores restrições provocado pela pandemia de covid-19.
O Dia do Imigrante, celebrado em 25 de junho, lança luz sobre a contribuição social, cultural e econômica das populações migrantes na formação do Brasil. Diante do aumento global dos fluxos migratórios, as instituições de ensino superior assumem um papel estratégico no combate à xenofobia e na garantia de direitos. Exemplo disso são as iniciativas desenvolvidas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela UniCesumar, que transformam a extensão universitária em uma ferramenta de inclusão e recomeço.
Na Unifesp, o Laboratório de Investigação, Ensino e Extensão em Migração, Nação e Região de Fronteira (Liminar), vinculado ao Departamento de Ciências Sociais, atua diretamente na aproximação entre a academia e as comunidades migrantes. Entre as principais frentes do laboratório está o Curso de Português para Migrantes, Refugiados e Apátridas.
Com aulas presenciais aos sábados no Campus São Paulo, a iniciativa atende atualmente uma turma de 30 pessoas de diversas nacionalidades — vindas de países da África, América Latina, Oriente Médio e Ásia —, oferecendo o português como língua de acolhimento e facilitando o acesso a direitos básicos. O projeto conta com o suporte da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec/Unifesp) e estende o acolhimento às famílias, recebendo também os filhos dos estudantes durante as atividades.
Ações sociais e o impacto na comunidade
No Paraná, a UniCesumar fomenta o apoio humanitário por meio da Unimissional, programa parceiro que desenvolve ações sociais com imigrantes e refugiados em Maringá. A iniciativa acumula um histórico de suporte a famílias ucranianas que fugiram da guerra em 2022 e a imigrantes venezuelanos acolhidos na Casa de Hospitalidade CA.Hope, onde estudantes de diversas áreas oferecem suporte administrativo, jurídico, de saúde e educacional.
Mais recentemente, em parceria com o Instituto Sendas, o programa promoveu a ação “Somos Todos Imigrantes”, focada na imersão e conscientização sobre as barreiras enfrentadas por essas populações no mercado de trabalho e na adaptação cultural.
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Do Haiti para o Brasil: a educação como meta familiar
O impacto real dessas redes de apoio se materializa em trajetórias como a de Marie France, de 40 anos. Há 11 anos, ela deixou o Haiti e desembarcou em Maringá sem falar uma palavra em português. Mãe de três filhos, Marie começou a trabalhar na UniCesumar como zeladora. Foi no ambiente institucional que aprendeu o idioma e encontrou o suporte necessário para se desenvolver — hoje, ela atua como copeira da reitoria.
A transformação por meio do acesso ao ensino estendeu-se para toda a sua casa. Utilizando o benefício de desconto em cursos de graduação oferecido pela instituição aos colaboradores, Marie matriculou o marido, Jean, e o filho Cleavens no curso de Engenharia Elétrica, além do filho mais velho, Kervens, em Automação.
Após garantir o acesso dos familiares ao ensino superior, o próximo passo será o seu próprio recomeço profissional no curso de Gastronomia, unindo seu passado no Haiti ao futuro construído em solo brasileiro. Com o suporte da extensão universitária e de políticas de inclusão, Marie e milhares de outros imigrantes encontram no Brasil a chance de reescrever suas histórias.
Coloco minha família como prioridade e, quando eles se formarem, pretendo ingressar no curso de Gastronomia. No Haiti, a minha profissão era cozinheira, e eu nunca deixei de amar a cozinha.”
Cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil em 2025

Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) indicam que, em 2025, os cubanos ultrapassaram, pela primeira vez, os venezuelanos e assumiram o primeiro lugar no ranking de pedidos de refúgio no Brasil.
O número de cubanos que solicitaram reconhecimento da situação de refugiado no Brasil em 2025 representa um aumento de 88,1% em relação ao total contabilizado no ano anterior. Os venezuelanos aparecem em seguida no ranking, com 21.233 pedidos de refúgio, respondendo por 28,1% do total de solicitações registradas ao longo do ano de 2025. Em seguida, aparecem pedidos de refúgio no Brasil feitos por colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganenses (792).
Com Assessorias e Agência Brasil
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