O Brasil é um dos países mais acolhedores para quem vem de outras nações. Atualmente, mais de 2 milhões de migrantes e refugiados vivem no país. Desde 2010, foram recebidas 551.072 solicitações de refúgio, reafirmando sua importância na rede global de proteção humanitária.

Em 2025, o país registrou 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado, conforme apontam dados inéditos do estudo Refúgio em Números 2026, realizado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) saiba mais no fim do texto.

Em meio a este cenário, duas datas em particular lançam luz sobre a contribuição social, cultural e econômica das populações migrantes na formação do Brasil –  o Dia Mundial do Refugiado (20/6) e o Dia do Imigrante (25/6).

Diante do aumento global dos fluxos migratórios, as instituições de ensino superior no Brasil assumem um papel estratégico no combate à xenofobia e na garantia de direitos e no enfrentamento a obstáculos vividos por migrantes no acesso ao trabalho, à educação, à moradia, aos serviços públicos e à participação social.

Exemplo disso são as iniciativas desenvolvidas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pela UniCesumar, que transformam a extensão universitária em uma ferramenta de inclusão e recomeço para muitas pessoas que deixaram seus países – muitos deles de modo forçado – para viver no Brasil.

Curso de português para migrantes vira espaço de acolhimento familiar

Na Unifesp, o Laboratório de Investigação, Ensino e Extensão em Migração, Nação e Região de Fronteira (Liminar), atua como espaço de diálogo, formação e produção de conhecimento sobre migrações, fronteiras e mobilidades, aproximando academia, sociedade civil e comunidades migrantes. O trabalho combina atividades acadêmicas, culturais e sociais, incluindo seminários, grupos de leitura, intervenções artísticas, produção de podcasts e vídeos, além de projetos voltados à escuta e à visibilidade das experiências de pessoas migrantes.

Entre as principais frentes do Liminar na Unifesp está o Curso de Português para Migrantes, Refugiados e Apátridas, que já recebeu mais de 80 inscrições de pessoas de 21 nacionalidades, a maioria proveniente de países da África, América Latina, Oriente Médio e Ásia. A edição em andamento, que conta com 30 alunos, teve início em abril e segue até outubro com aulas presenciais aos sábados no Campus São Paulo;

Vinculado ao Departamento de Ciências Sociais da Unifesp, o projeto conta com o suporte da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec/Unifesp) e a participação voluntária de estudantes e pesquisadores de Ciências Sociais e Letras. Além de oferecer o ensino do português, a iniciativa facilita o acesso a serviços públicos e direitos básicos e se transforma em espaço ampliado de acolhimento familiar ao receber crianças e adolescentes durante as atividades.

O curso e as demais ações do laboratório convocam a pensar o papel da universidade pública na construção de respostas à questão das migrações, buscando fortalecer vínculos entre universidade e comunidades migrantes por meio da extensão universitária como promotora de inclusão, interculturalidade e direitos humanos“, diz o professor José Lindomar Coelho Albuquerque, coordenador do Liminar.

Ações solidárias em universidade privada no Paraná

Na rede privada de ensino, a UniCesumar se destaca ao fomentar o apoio humanitário por meio da Unimissional, programa parceiro que conta com moradia coletiva para estudantes próximos ao campus e realiza, semestralmente, iniciativas sociais — algumas delas voltadas diretamente ao cuidado com imigrantes e refugiados em Maringá (PR).

A iniciativa acumula um histórico de suporte a famílias ucranianas que fugiram da guerra em 2022. A mobilização incluiu a organização, limpeza e montagem dos apartamentos que receberiam as famílias, além da preparação de um almoço para acolher os imigrantes recém-chegados à cidade.

Outra frente de atuação ocorreu na Casa de Hospitalidade CA.Hope, projeto que acolhe imigrantes por um período determinado e oferece apoio para adaptação à cultura local, inserção no mercado de trabalho e reorganização da vida familiar.

Na ação, os estudantes contribuíram com atividades de apoio administrativo, educação, saúde, direito, negócios, rodas de conversa, identidade visual, dinâmicas de ensino e melhorias estruturais no espaço em suporte aos imigrantes venezuelanos.

Mais recentemente, em parceria com o Instituto Sendas, o programa promoveu a ação “Somos Todos Imigrantes”, focada na imersão e conscientização sobre as barreiras enfrentadas por essas populações no mercado de trabalho e na adaptação cultural. A iniciativa, realizada em novembro de 2025, propôs uma imersão sobre a realidade vivida por imigrantes e refugiados em Maringá e em outras regiões do Brasil, com atividades de conscientização, workshops, melhorias no espaço do Instituto, acolhimento e valorização cultural. 

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Do Haiti para o Brasil: a educação como meta familiar

O impacto real dessas redes de apoio se materializa em trajetórias como a de Marie France, de 40 anos. Há 11 anos, ela deixou o Haiti e desembarcou em Maringá sem falar uma palavra em português. Mãe de três filhos, Marie começou a trabalhar na UniCesumar como zeladora.  Foi no ambiente institucional que aprendeu o idioma e encontrou o suporte necessário para se desenvolver — hoje, ela atua como copeira da reitoria.

A transformação por meio do acesso ao ensino estendeu-se para toda a sua casa. Utilizando o benefício de desconto em cursos de graduação oferecido pela instituição aos colaboradores, Marie matriculou o marido, Jean, e o filho Cleavens no curso de Engenharia Elétrica, além do filho mais velho, Kervens, em Automação.

Após garantir o acesso dos familiares ao ensino superior, o próximo passo será o seu próprio recomeço profissional no curso de Gastronomia, unindo seu passado no Haiti ao futuro construído em solo brasileiro.

Coloco minha família como prioridade e, quando eles se formarem, pretendo ingressar no curso de Gastronomia. No Haiti, a minha profissão era cozinheira, e eu nunca deixei de amar a cozinha.”

Com o suporte da extensão universitária e de políticas de inclusão, Marie e milhares de outros imigrantes encontram no Brasil a chance de reescrever suas histórias.

Cubanos já superam venezuelanos em pedidos de asilo no Brasil

Pela primeira vez, os cubanos superaram os venezuelanos no ranking, somando 41.919 solicitações (55,4% do total), um aumento de 88,1% em relação a 2024). Dentre os  75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado,  o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) registrou 21.233 pedidos de venezuelanos (28,1% do total). Os pedidos ainda incluem colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganenses (792).

A movimentação nas fronteiras brasileiras atingiu, em 2025, o maior patamar da série histórica: foram mais de 36,4 milhões de pessoas em trânsito, um crescimento de 15,6% em comparação a 2024. Apesar do volume expressivo, o ObservaDH pontua que esse fluxo é majoritariamente composto por brasileiros em viagens e turistas (17,2 milhões e 14,7 milhões de movimentações, respectivamente). O número de imigrantes temporários e residentes permanentes representa uma parcela menor.

Com informações das assessorias de imprensa e da Agência Brasil (atualizado em 25/6/26)

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Com Assessorias e Agência Brasil

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