A busca pela cura da hepatite B ganhou um reforço de peso no Brasil. Duas universidades públicas brasileiras entraram para um grupo internacional de pesquisas liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. A parceria conta com a participação do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e da Universidade de São Paulo (USP), ao lado de cientistas da Índia, Senegal e Uganda.

O projeto vai acompanhar de perto como o vírus da hepatite B (HBV) se comporta dentro das células de 600 pacientes em todo o mundo. No Brasil, 150 pessoas vão participar do estudo, que dura cerca de cinco anos. O objetivo dos cientistas é descobrir o que faz a doença evoluir de forma diferente em cada organismo, quais características genéticas conseguem proteger o corpo e quais sinais do vírus podem indicar a cura. Com essas respostas, os pesquisadores pretendem criar novos medicamentos capazes de eliminar a infecção de vez.

Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), participa da pesquisa – Foto: Divulgação

Atualmente, a hepatite B não tem cura, e o tratamento serve apenas para controlar a replicação do vírus. Ovírus é um dos maiores causadores do câncer primário de fígado e da cirrose. Por isso, a descoberta de um tratamento definitivo é o passo principal para cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

Hepatite B é uma das maiores causadoras do câncer de fígado

A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, destaca amédica e professora da Ufes Tânia Reuter, referência no assunto e responsável pelo acompanhamento de 75 voluntários no país. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, enfatiza.

A cientista explica que a intenção é encontrar caminhos para criar soluções terapêuticas definitivas. “Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B”, explica Tânia Reuter. “[O que for achado] pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores, imunomodulador, etc”, afirma.

A urgência da pesquisa se justifica pelo impacto direto do vírus na saúde do fígado. “O vírus da hepatite B é um dos maiores causadores de câncer hepático. Câncer primário de fígado ou hepatocarcinoma”, alerta a professora. “A gente está aqui trabalhando para mitigar a evolução de cirrose e câncer hepático”, pontua a médica.

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O que é a hepatite B e qual o tamanho do problema no Brasil?

A hepatite B é uma infecção no fígado provocada por um vírus. O maior perigo é que ela costuma ser uma doença “silenciosa”: a pessoa pode passar anos infectada sem sentir absolutamente nada. Na maioria das vezes, o diagnóstico só acontece em exames de rotina ou quando o fígado já está bastante comprometido.

No Brasil, os dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 276 mil casos foram confirmados entre os anos de 2000 e 2022. No mundo todo, estima-se que 240 milhões de pessoas vivam com a forma crônica da doença.

Como se pega, como evitar e qual é o tratamento?

Como é transmitida

O vírus da hepatite B é altamente contagioso — cerca de 100 vezes mais fácil de ser transmitido do que o vírus do HIV. A contaminação acontece pelo contato com sangue ou fluidos corporais de uma pessoa infectada:

  • Sexo sem camisinha;

  • Compartilhamento de objetos afiados ou de uso pessoal (como alicates de unha, lâminas de barbear, seringas ou materiais de piercing e tatuagem não esterilizados);

  • Da mãe para o bebê durante a gravidez ou na hora do parto.

Fatores de risco

Qualquer pessoa que não tenha tomado a vacina corre o risco de pegar a doença se for exposta ao vírus. O risco é ainda mais grave em bebês e crianças pequenas: cerca de 90% dos recém-nascidos que se infectam no parto desenvolvem a forma crônica da doença.

Como se prevenir

  • Vacina no posto: É a forma mais simples e garantida de se proteger. A vacina é gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas de todas as idades. Crianças tomam quatro doses (ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses), enquanto os adultos precisam de três doses para completar a proteção.

  • Uso de preservativo: Usar camisinha em todas as relações sexuais.

  • Cuidado com objetos pessoais: Não partilhar alicates, escovas de dente ou lâminas, e garantir que todo material perfurante em clínicas ou salões seja descartável ou esterilizado.

Tratamento

Como ainda não existe um remédio que elimine o vírus do corpo, o SUS oferece gratuitamente medicamentos antivirais que mantêm a infecção sob controle. O tratamento impede que o vírus se multiplique, reduz a inflamação no fígado e evita que o paciente desenvolva complicações graves, como cirrose e câncer.

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