O tratamento do câncer de pâncreasconsiderado um dos mais letais – está passando por uma transformação que até poucos anos atrás parecia distante. A incorporação de novas tecnologias cirúrgicas, o avanço da medicina personalizada e o surgimento de terapias cada vez mais direcionadas às características biológicas dos tumores vêm ampliando as opções terapêuticas disponíveis para os pacientes e mudando a forma como a doença é enfrentada em centros especializados.

Um dos exemplos mais recentes dessa evolução foi apresentado, recentemente, durante o Asco 2026, maior congresso de oncologia do mundo realizado em Chicago. O estudo internacional publicado no New England Journal of Medicine avaliou uma nova terapia-alvo chamada daraxonrasib em pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratados.

Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica ao demonstrar um aumento na taxa de sobrevida global de 13,2 meses entre os pacientes que receberam o medicamento, se comparado com 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia convencional.

A nova medicação atua sobre alterações da via RAS, mecanismo molecular presente na grande maioria dos tumores pancreáticos. Ao interferir nesse processo, o tratamento busca reduzir a capacidade de crescimento e progressão das células cancerígena

Para o cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares Eduardo Ramos, os resultados reforçam uma tendência que vem se consolidando na oncologia: o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais personalizados e direcionados à biologia de cada tumor.

Nos últimos anos, observamos avanços importantes em diferentes áreas do tratamento do câncer de pâncreas. Houve evolução das técnicas cirúrgicas, ampliação da abordagem multidisciplinar, aperfeiçoamento dos tratamentos sistêmicos e agora começamos a ver resultados muito promissores com terapias-alvo. Esse estudo reforça que estamos caminhando para tratamentos cada vez mais individualizados”, afirma o especialista em câncer de pâncreas.

Novo medicamento atua no mecanismo “RAS”

Segundo o especialista, durante décadas o tratamento da doença esteve concentrado principalmente na cirurgia e na quimioterapia. Hoje, o cenário é mais complexo e, ao mesmo tempo, mais promissor.

O conhecimento sobre a biologia molecular dos tumores evoluiu muito. Estamos entendendo melhor quais mecanismos fazem determinadas células crescerem, se espalharem e resistirem aos tratamentos. Esse conhecimento abre espaço para terapias mais precisas e potencialmente mais eficazes”, explica.

Embora os resultados sejam considerados relevantes, Eduardo Ramos ressalta que os avanços mais importantes observados atualmente não se resumem ao desenvolvimento de novos medicamentos.

O tratamento do câncer de pâncreas evoluiu em várias frentes ao mesmo tempo. Hoje contamos com exames mais sofisticados, cirurgias menos invasivas, planejamento terapêutico multidisciplinar, melhores protocolos de quimioterapia e, agora, novas estratégias de medicina personalizada. É a soma desses fatores que está permitindo resultados cada vez melhores e uma grande evolução no tratamento do tumor de pâncreas”, afirma.

Diagnóstico precoce continua sendo decisivo

Apesar dos avanços científicos, o especialista destaca que o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de sucesso do tratamento. De acordo com Eduardo Ramos, pacientes diagnosticados em fases iniciais da doença costumam ter acesso a um número maior de opções terapêuticas, incluindo a possibilidade de cirurgia com intenção curativa.

O médico destaca ainda que os melhores resultados costumam estar associados a centros especializados, capazes de reunir profissionais de diferentes áreas para discutir cada caso individualmente. E é desta forma multidisciplinar que atua a equipe do Dr. Eduardo, que no ano passado alcançou índices de sucesso no tratamento semelhantes aos maiores e melhores centros internacionais especializados.

O tratamento moderno do câncer de pâncreas é construído por equipes multidisciplinares. Cirurgiões, oncologistas, gastroenterologistas, radiologistas, patologistas e diversos outros especialistas participam das decisões. Esse modelo permite definir com mais precisão a melhor estratégia para cada paciente”, explica.

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