A proteína nunca esteve tão em evidência. Iogurtes, barras de cereal, sorvetes, bebidas, pães, biscoitos e até sobremesas passaram a destacar no rótulo o alto teor do nutriente como um diferencial competitivo. Nas redes sociais, vídeos ensinando como “bater a meta diária de proteína” acumulam milhões de visualizações, enquanto o mercado responde com uma oferta crescente de produtos destinados a um público que vai muito além dos atletas.
Esse movimento reflete uma mudança positiva no comportamento do consumidor, cada vez mais interessado em alimentação saudável e desempenho físico. No entanto, especialistas alertam que a busca desenfreada por alimentos “proteinados” pode levar à falsa ideia de que consumir mais proteína significa, automaticamente, ter mais saúde, ganho de massa muscular ou melhor rendimento esportivo.
Qual é a real necessidade diária de proteína?
Para a nutricionista clínica e esportiva Ana Camila Mininel Liberador, o interesse crescente pelo nutriente é positivo, desde que venha acompanhado de informação de qualidade.
A proteína é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo, mas isso não significa que quanto mais uma pessoa consumir, melhores serão os resultados. A necessidade varia conforme idade, composição corporal, nível de atividade física, objetivos e condições de saúde”, explica a especialista.
Responsável pela formação e recuperação dos tecidos, manutenção da massa magra, produção de enzimas e hormônios, a proteína é indispensável. Entretanto, as recomendações nutricionais diferem bastante entre os perfis:
-
Adultos sedentários: Necessitam, em média, de 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia.
-
Pessoas fisicamente ativas ou focadas em hipertrofia: Precisam de 1,4 a 2,0 g/kg/dia, segundo recomendações da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN).
Consumir quantidades acima das reais necessidades individuais não traz benefícios adicionais e não acelera os resultados.
A armadilha dos ultraprocessados “proteinados”
Outro ponto de atenção é que muitos produtos comercializados como ricos em proteína continuam sendo classificados como alimentos ultraprocessados. Embora ofereçam uma dose maior do nutriente, eles frequentemente contêm níveis elevados de sódio, açúcares adicionados, gorduras e aditivos químicos.
O fato de um produto ser rico em proteína não faz dele automaticamente uma escolha saudável. É importante observar a lista de ingredientes e o perfil nutricional completo. A proteína é apenas uma parte da qualidade do alimento”, ressalta Ana Camila.
Para não cair em pegadinhas do marketing, a nutricionista recomenda atenção a três pontos no rótulo dos alimentos:
-
Lista de ingredientes: Priorize produtos com composições simples, curtas e com ingredientes reconhecíveis.
-
Açúcares e adoçantes: Observe se não estão listados entre os primeiros itens da composição.
-
Teor de sódio: Verifique a quantidade, que costuma ser abusiva em produtos industrializados.
Alimentos naturais vs. suplementos industrializados
A especialista destaca que as melhores fontes proteicas continuam sendo os alimentos in natura ou minimamente processados. Ovos, carnes magras, peixes, leite, iogurte natural, queijos, feijão, lentilha e grão-de-bico oferecem proteínas de alto valor biológico, além de vitaminas, minerais e fibras alimentares. Na maioria das vezes, esses alimentos garantem melhor custo-benefício e maior qualidade nutricional do que os ultraprocessados enriquecidos.
Esse fenômeno atual lembra outras modas alimentares das últimas décadas. Antes, o foco do marketing era destacar produtos “light”, “zero gordura” ou “sem açúcar”. Hoje, a dieta hiperproteica ocupa esse lugar.
Nenhum nutriente isolado faz milagres. A proteína é fundamental, mas o equilíbrio depende de uma alimentação saudável associada à prática regular de exercícios físicos. Antes de incluir produtos enriquecidos na rotina de forma indiscriminada, o ideal é consultar um nutricionista para avaliar a real necessidade do seu organismo.
Leia o artigo originalmente publicado no site Comida na Mesa aqui
💬 Gostou do conteúdo? Receba notícias diretas sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida no seu celular. Clique aqui para entrar no Canal do Vida e Ação no WhatsApp e acompanhe nossas atualizações diárias!




