O avanço da Inteligência Artificial (IA) transformou o conceito de perigo no ambiente virtual e impôs uma nova camada de desafios para a proteção de crianças e adolescentes. Um estudo inédito promovido pela Norton revelou que 85% dos pais e responsáveis no Brasil temem que a IA possa ser utilizada para criar imagens ou conversas falsas envolvendo seus filhos.

O relatório Norton Insights: Connected Kids mostra que, embora 89% dos adultos se sintam confortáveis para orientar os jovens sobre os riscos digitais, metade das famílias (49%) admite que não está confiante na capacidade dos filhos em distinguir conteúdos gerados por IA de materiais reais.

A facilidade com que ferramentas de IA manipulam dados e criam perfis falsos expandiu as formas de violência digital. Entre os pais que relataram episódios de cyberbullying contra seus filhos, 29% afirmaram que o agressor usava uma identidade falsa ou se passava por outra pessoa, e 14% disseram que os ataques partiram de robôs (bots) ou contas automatizadas.

Criminosos têm utilizado fotos alteradas por IA e identidades sintéticas para conquistar a confiança dos mais jovens ou manipulá-los no compartilhamento de mídias reais, que posteriormente alimentam esquemas de extorsão financeira.

Os pais passaram anos ensinando seus filhos a reconhecer estranhos na internet, mas a IA muda a natureza do que significa ‘perigo’ no ambiente online”, afirma Iskander Sanchez-Rola, diretor sênior de IA e Inovação na Norton. “Desde o uso indevido e a alteração de fotos publicadas ou compartilhadas, até bots de IA que atuam como cibercriminosos ou se passam por fontes confiáveis, existem riscos completamente novos, e isso significa que pais e responsáveis precisam atualizar a forma como conversam com seus filhos sobre segurança online.”

Ameaça oculta nas salas de jogos online

Outro ponto de alerta apontado pela pesquisa envolve o comportamento dentro dos jogos online com chat. Embora as salas de bate-papo tradicionais (20%) e o Discord (18%) liderem a lista de plataformas que mais preocupam os responsáveis, as ferramentas de conversa integradas aos games representam um ambiente de exposição menos visível, mas altamente vulnerável.

Entre os 67% dos pais cujos filhos menores de 18 anos jogam online com chat no Brasil:

  • 61% confirmam que as crianças já conversaram com estranhos por texto ou áudio;

  • 33% relatam que os filhos receberam mensagens ofensivas ou inadequada;

  • 29% afirmam que os jovens foram incentivados a sair do jogo e migrar a conversa para redes sociais ou aplicativos de mensagens privadas.

Especialistas alertam que a migração do bate-papo do jogo para aplicativos de mensagens dificulta a detecção do perigo por parte dos adultos, já que os próprios jovens costumam não identificar a abordagem como uma ameaça explícita.

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A lacuna entre a orientação e o comportamento praticado

Os dados demonstram que apenas conversar sobre segurança na internet não tem sido suficiente para conter a exposição. Apesar da confiança relatada pelos pais na condução do tema, comportamentos de risco continuam sendo registrados dentro de casa:

  • 40% das crianças usam dispositivos escondidos após o horário de dormir;

  • 22% acessaram redes sociais ou sites que os pais acreditavam ter bloqueado;

  • 14% assistem a conteúdos explícitos;

  • 13% compartilharam dados pessoais ou informações privadas com desconhecidos.

Para auxiliar as famílias a adaptarem o diálogo à realidade das novas tecnologias — abordando temas como senso crítico, falsificação de identidade digital e deepfakes —, a empresa desenvolveu o projeto educativo “The Bots & The Bees”, voltado a oferecer orientações práticas sobre proteção de menores no ambiente virtual.

Metodologia da pesquisa

O estudo Norton Insights: Connected Kids foi realizado online no Brasil entre 29 de maio e 12 de junho de 2026, com 1.000 adultos de 18 anos ou mais. Os dados foram ponderados por idade, gênero e região para garantir representatividade nacional. As menções a “pais” no levantamento abrangem pais e responsáveis por crianças e adolescentes com menos de 18 anos.

A íntegra do relatório e detalhes complementares sobre orientações de segurança podem ser acessados no site oficial do relatório Norton Insights.

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