Depois de meses frios e atípicos que pressionaram postos de saúde e hospitais com o aumento de gripes, bronquiolites e infecções virais, os brasileiros finalmente começam a sentir um alívio. A nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (20/8) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), confirma que o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mantém o sinal de queda nas últimas seis semanas em praticamente todo o país.

A desaceleração dos casos acompanha a transição no clima do inverno, período marcado por bruscas variações de temperatura, ar seco e maior aglomeração de pessoas em locais fechados — fatores que favorecem a circulação e a proliferação dos vírus respiratórios.

Apesar do viés positivo no cenário nacional, o alerta não foi desligado. A exceção à tendência de diminuição está em quatro estados: Rondônia, Piauí, Bahia e Sergipe, onde os registros apresentaram um leve sinal de crescimento. O boletim é referente à Semana Epidemiológica 32 (de 9 a 15 de agosto).

O panorama nas cidades e os principais vírus em circulação

Embora o panorama geral seja de retração, 11 unidades da Federação ainda registram incidência de SRAG em níveis que inspiram cuidados (alerta, risco ou alto risco): Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima e Sergipe.

Entre as capitais, quatro estão em situação de atenção e ainda apresentam curva ascendente de casos no longo prazo: Aracaju, Cuiabá, Salvador e Porto Alegre. Os testes laboratoriais recentes revelam quais microrganismos estão por trás das internações recentes no Brasil:

  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Responde por 44,6% dos casos positivos recentes e atinge principalmente crianças pequenas. Embora já mostre queda geral no país, ainda mantém números elevados de hospitalizações em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Roraima e Sergipe.

  • Rinovírus: Representa 32,5% das infecções graves. Afeta de forma marcante crianças até 14 anos e se destaca como a segunda maior causa de óbitos entre bebês com menos de dois anos e também entre idosos.

  • Influenza B: Soma 9,7% dos casos e segue em expansão no Rio Grande do Sul, embora tenha começado a desacelerar em Minas Gerais e no Espírito Santo.

  • Influenza A: Corresponde a 5,1% das confirmações. É o vírus de maior impacto na mortalidade entre a população idosa (a partir de 65 anos).

  • Covid-19 (Sars-CoV-2): Registra apenas 1,8% dos testes positivos e mantém uma incidência baixa em todas as faixas etárias.

Vacinas atualizadas: a melhor proteção contra complicações

Com as mudanças constantes no clima e as temperaturas oscilantes nas próximas semanas, os especialistas da Fiocruz reforçam que a imunização é o escudo mais eficaz para impedir que uma infecção comum se transforme em um quadro grave ou evolua para óbito.

Segundo a equipe de pesquisadores do InfoGripe da Fiocruz, a imunização continua sendo o caminho mais seguro para atravessar essas oscilações de temperatura sem complicações de saúde.

A vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19″, alertam os pesquisadores no relatório epidemiológico.

Para quem vive em regiões com transmissão em alta, os cientistas recomendam não desmobilizar o autocuidado.

É essencial que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde e em locais muito fechados e com aglomeração, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara”, orientam os especialistas.

Cuidados além das vacinas

As vacinas contra Gripe (Influenza) e Covid-19 estão disponíveis na rede pública e devem ser mantidas em dia, especialmente por idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças.

Além do esquema vacinal atualizado, medidas simples de higiene pessoal e convivência continuam fazendo toda a diferença:

  • Uso de máscaras: Recomendado em postos de saúde, hospitais e locais fechados ou com grande aglomeração, sobretudo nas regiões com alta de casos.

  • Higiene das mãos: Lavar as mãos frequentemente ou usar álcool em gel.

  • Etiqueta respiratória e isolamento: Ao apresentar sintomas gripais (coriza, febre, tosse ou dor de garganta), o ideal é fazer repouso e evitar o contato com outras pessoas. Caso seja necessário sair de casa, o uso de uma boa máscara é indispensável para evitar o contágio.

Inscreva-se no canal do WhatsApp do Portal Vida e Ação para receber notícias exclusivas sobre saúde, bem-estar e prevenção diretamente no seu celular.
Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *