câncer de rim é uma doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos. Segundo o Instituto Oncoguia, com base em dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer,país registrou mais de 11 mil casos de câncer de rim em 2022, sendo cerca de 7 mil em homens.  Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é estimado mais de 8 mil novos casos de tumores renais por ano no Brasil, para o triênio 2026-2028.

Para ampliar a conscientização sobre fatores de risco, sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce, o mês de junho é marcado pela campanha Junho Verde. Nesta quinta-feira, 18 de junho, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim, data que busca ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que costuma evoluir de forma silenciosa e ser identificada durante exames de imagem realizados por outros motivos.

Na Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), um levantamento realizado entre maio de 2018 e maio de 2026 mostra que foram realizados 27.785 exames com achados renais – em sete anos, o crescimento foi de 444%. 2024 e 2025 são os anos com maiores volumes históricos, com 4.570 e 4.585, respectivamente. Já em 2026, apenas entre janeiro e maio, já foram contabilizados 1.886, o que reforça a importância da conscientização sobre o tema.

O levantamento da FIDI também mostra que a média de idade dos pacientes com achados foi de 59,9 anos, com pico aos 62 anos. A faixa etária de 51 a 70 anos concentrou 52% dos casos, o que reforça a importância dos exames de rotina e da atenção aos sintomas nessa fase da vida.

Embora o câncer de rim seja frequentemente associado ao público masculino, os dados da FIDI apontam que 65,2% dos pacientes com achados renais são mulheres, contra 34,8% homens. Isso não significa maior incidência da doença entre elas, mas reflete o perfil dos pacientes que buscam realizar mais exames para acompanhar a própria saúde.

Doença silenciosa que reforça papel dos exames diagnósticos

Os rins desempenham papel fundamental no organismo, sendo responsáveis pela filtração e limpeza do sangue, além de atuarem no controle da pressão arterial, na produção de hormônios e no equilíbrio de líquidos e minerais. O câncer de rim ocorre quando há um crescimento anormal de células no órgão, formando um tumor maligno. O tipo mais frequente é o carcinoma de células renais, responsável por cerca de 90% dos casos.

Um dos principais desafios para o diagnóstico é justamente a ausência de sintomas na fase inicial da doença. Em muitos casos, os tumores são identificados durante exames realizados por outros motivos. Quando detectado precocemente, o câncer de rim apresenta taxas de cura superiores a 90%, reforçando a importância da informação, da prevenção e da realização de exames de rotina. Entre os métodos utilizados estão ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Em muitos casos, o diagnóstico ocorre de forma incidental, durante exames de imagem realizados por outros motivos, como ultrassonografias e tomografias. No entanto, à medida que a doença avança, alguns sinais podem surgir.

Dor abdominal persistente, presença de sangue na urina, massa palpável na região abdominal, além de sintomas como perda de peso, febre e cansaço são alguns dos principais indícios da doença”, explica Gabriel Zanardo, médico oncologista da Oncomed.

Segurança e observação

Quando há sintomas, os principais sinais são sangue na urina, perda de peso e dor lombar persistente. “Hipertensão e obesidade podem causar lesões e inflamação crônicas, aumentando o risco da doença. Já o tabagismo libera substâncias cancerígenas que favorecem o dano celular”, afirma.

Além disso, alguns tipos de uso inadequado de medicamentos podem aumentar o risco de lesão renal crônica e, possivelmente, contribuir para maior risco de câncer renal ao longo do tempo. O alerta vale especialmente para o uso frequente de anti-inflamatórios e analgésicos sem orientação profissional.

O problema geralmente não é a medicação em si, mas o uso sem avaliação médica e monitoramento. Vômitos, diarreia e baixa ingestão de líquidos podem causar desidratação. Nesses casos, o rim recebe menos fluxo sanguíneo e aumenta o risco de lesão renal aguda, especialmente em idosos, diabéticos e pessoas com doença renal prévia”, explica.

Para a população, a principal orientação é não ignorar sintomas persistentes e manter acompanhamento médico, sobretudo em caso de fatores de risco. “É importante cuidar do rim hoje para viver melhor no futuro. Tenha uma vida saudável, controle a hipertensão e o diabetes, fique atento aos sintomas e não deixe de fazer exames de rotina”, conclui o Dr. Harley.

Exames periódicos

Para Harley de Nicola, médico radiologista da FIDI, é fundamental a conscientização e a investigação precoce da doença. “O câncer de rim geralmente é silencioso nas fases iniciais. Muitos casos são descobertos por acaso durante exames de imagem feitos por outros motivos, como ultrassom, tomografia ou ressonância”, explica.

Os diagnósticos de imagem têm papel central na identificação de alterações renais. Na Fidi, a tomografia computadorizada foi o método mais utilizado, representando 78,5% dos exames com achados renais no período analisado. A ultrassonografia respondeu por 15,2% e a ressonância magnética, 5%.

Os exames de imagem são fundamentais para o diagnóstico, estadiamento do tumor, planejamento terapêutico e acompanhamento após o tratamento”, afirma o Dr. Harley. Segundo ele, lesões sólidas ou císticas complexas, com crescimento ao longo do tempo ou contornos irregulares, exigem investigação mais detalhada.

Cuidados com a saúde renal

O câncer de rim acomete principalmente homens e é mais frequente entre pessoas de 50 e 70 anos, sendo considerada rara antes dos 45 anos.  O tipo mais comum é o carcinoma de células renais, responsável por cerca de 90% dos casos.

O cenário preocupa: dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que mais de 170 mil brasileiros realizam diálise atualmente, enquanto cerca de 50 mil novos pacientes iniciam terapia renal substitutiva todos os anos. Em âmbito global, projeções do estudo Global Burden of Disease apontam que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte até 2040.

Embora o câncer de rim e a doença renal crônica sejam condições distintas, elas compartilham os mesmos fatores de risco importantes, como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e envelhecimento, o que reforça que cuidar da saúde dos rins de forma ampla é também uma forma de reduzir o risco de ambas. A obesidade, A obesidade é apontada por especialistas como um dos fatores associados ao aumento dos casos de câncer renal nas últimas décadas.

Segundo o chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Sérgio Roithmann, a conscientização é fundamental para aumentar as chances de diagnóstico precoce e reduzir os fatores de risco associados à doença.

Cuidar da saúde geral é a melhor maneira de proteger os rins. Uma alimentação equilibrada, controle do peso e exercício físico regular são fundamentais. Além disso, é importante manter acompanhamento médico periódico, especialmente para pessoas que apresentam fatores de risco”, afirma o especialista.

A campanha Junho Verde reforça que a informação e o acompanhamento médico regular são aliados fundamentais no combate ao câncer de rim. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento e de preservação da qualidade de vida dos pacientes.

Quando o câncer é diagnosticado em estágios iniciais, muitas vezes é possível realizar uma cirurgia conservadora, removendo apenas o tumor e preservando o restante do rim. Já nos casos mais avançados, pode ser necessária a retirada completa do órgão, além da associação de tratamentos como imunoterapia e quimioterapia”, destaca Fernando Leão, urologista da Oncomed (foto).

Quem deve monitorar a saúde dos rins

A recomendação é que pessoas a partir dos 40 anos realizem avaliações periódicas da função renal. O acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso para indivíduos com diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares ou histórico familiar de doença renal, independentemente da idade.  Entre os idosos, o monitoramento contínuo também é considerado essencial, já que o envelhecimento é um importante fator de risco para alterações na função dos rins. .

Como prevenir doenças renais

A adoção de hábitos saudáveis é uma das principais formas de prevenção. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, não fumar e realizar acompanhamento médico periódico contribuem para a redução dos fatores de risco e para a identificação precoce da doença.

Entre os principais cuidados recomendados pelos especialistas estão:

• Manter hidratação adequada para preservar a função renal;
• Controlar a pressão arterial e os níveis de glicose no sangue;
• Evitar o uso excessivo de medicamentos potencialmente tóxicos para os rins, como anti-inflamatórios sem orientação médica;
• Adotar uma alimentação equilibrada, com controle do consumo de sódio;
• Praticar atividade física regularmente;
• Realizar check-ups periódicos para avaliação da função renal.

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