Segundo dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), referentes ao triênio 2025-2028, o câncer colorretal (o conhecido ‘câncer de intestino’) segue entre os tipos de maior incidência no Brasil, com tendência de aumento em pessoas abaixo dos 50 anos, os chamados ‘jovens adultos’. A doença voltou a chamar atenção recentemente, após as mortes de figuras públicas, como a cantora Preta Gil e o ator James Van Der Beek, do seriado Dawson’s Creek.

São esperados mais de 53 mil novos casos por ano no País neste período, superando as projeções anteriores, com forte concentração nas regiões Sul e Sudeste. No triênio anterior (2023-2025), a estimativa foi de 45.630 por ano, totalizando mais de 136 mil diagnósticos no período. O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais comum em homens e mulheres, ficando atrás apenas do câncer de próstata no público masculino e de mama no público feminino.

Tumores nessa localização podem ser silenciosos por anos até a apresentação com sintomas como sangramentos ou alteração do hábito intestinal. A ausência de sintomas precoces leva ao diagnóstico em estágios mais avançados, o que torna o tratamento mais complexo”, afirma Felipe Piza, médico intensivista e diretor executivo de Responsabilidade Social e Filantropia do Einstein.

Especialistas chamam atenção para as transformações no estilo de vida, como maior consumo de alimentos ultraprocessados, sobrepeso, sedentarismo e fatores ambientais, são alguns dos fatores para esta mudança importante no perfil epidemiológico do câncer.

A ideia é aumentar o número de pessoas que se previnam e façam exames como a colonoscopia. Esta é a principal ferramenta de prevenção, pois permite a detecção e remoção de pólipos adenomatosos, lesões pré-malignas que podem evoluir para câncer“, afirma Hélio Antônio Silva, presidente da Sociedade Mineira de Coloproctologia e médico coloproctologista do Hospital Orizonti.

Campanha reduz para 45 anos a idade indicada para colonoscopia

Exame pode reduzir a mortalidade da doença em 53%

Refletindo o aumento da incidência da doença em pacientes mais jovens, a redução da idade recomendada para o início do rastreamento, de 50 para 45 anos, é um dos destaques da campanha de Março Azul, que tem como ponto alto o Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer Colorretal, celebrado neste dia 27 de março.

Nos últimos anos, novos procedimentos e tecnologias tem permitido ações mais eficientes de tratamento a diferentes tipos de câncer, com o diagnóstico precoce como um dos principais aliados no combate à doença. Diferentemente de outros tumores, o câncer de intestino pode ser prevenido por meio de exames de rastreamento, mas nem todo mundo sabe disso.

Estudos coordenados por pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, em colaboração com outras instituições acadêmicas e médicas norte-americanas, publicados em 2012, confirmaram uma redução de 53% na mortalidade por câncer colorretal em pacientes submetidos à polipectomia – ou seja, a retirada de pólipis durante a colonoscopia.

Como os pólipos são assintomáticos, a indicação é que o exame deve ser realizado a partir dos 45 anos. O resultado da colonoscopia é, geralmente, informado no mesmo dia, embora em alguns casos, quando há necessidade de biópsia, o laudo possa levar até 10 dias”, explica o especialista.

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Agenda Positiva

Março Azul conscientiza sobre o diagnóstico precoce

Diante do aumento de casos da doença nos últimos anos, é fundamental fortalecer estratégias estruturadas de prevenção e promover informação qualificada para toda a população. Em 2020, a partir de uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi estabelecido o dia 27 de março como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Câncer Colorretal. 

No Brasil, a data também é lembrada como o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino, com a campanha Março Azul, promovida pelas Sociedades Brasileiras de Coloproctologia, Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva.

O Congresso Nacional será iluminado de azul na noite desta sexta-feira (27/3) e de sábado (28/3) em apoio ao Dia Nacional de Combate ao Câncer Colorretal, fixado em 27 de março. A iniciativa destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento do câncer colorretal já nos primeiros estágios da doença.

Quem avisa amigo é: campanha estimula diagnóstico precoce

O projeto LAC Code (Código de Prevenção de Câncer da América Latina e Caribe) reúne 17 recomendações com o objetivo de ampliar o acesso à informação, orientação e prevenção para a população. Dentre elas, estão alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, manutenção de peso adequado, exames preventivos e redução de fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool. 

No Brasil, a amigo_h, (Amigos Einstein da Oncologia e Hematologia) – que integra o LAC Code, em colaboração com organizações internacionais –  iniciou neste mês de março a sua campanha de conscientização sobre o câncer colorretal, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e de hábitos saudáveis.

Criada pela Klick Health, a campanha da amigo_h parte de um insight simples e potente: revisitar o ditado popular “quem avisa, amigo é” para transformá-lo em um convite ao autocuidado. A iniciativa é multiplataforma e educativa, incluindo:

  • Vídeo manifesto com linguagem jovem e leve, compartilhado em redes sociais, press kits digitais e canais de parceiros.
  • Materiais educativos sobre prevenção, sinais de alerta e hábitos saudáveis.
  • Campanha de engajamento digital com a hashtag #QuemAvisaAmigo_h, incentivando a população a compartilhar informações e alertas com familiares e amigos.

É cada vez mais importante disseminar informações sobre a doença e também de como preveni-la”, afirma Ida Sztamfater, presidente da amigo_h.. “Este é um movimento que visa ampliar as discussões a respeito da saúde intestinal com outras entidades e sociedade”, reforça.

Saiba mais sobre o câncer colorretal

O câncer colorretal – popularmente conhecido como câncer de intestino – é o tipo de câncer que acomete o intestino grosso (cólon) e o reto, estruturas que fazem parte do sistema digestivo. São cerca de 1,9 milhão de novos casos por ano, com mais de 900 mil mortes anuais em todo o mundo.

A doença acomete principalmente homens e mulheres a partir dos 45 anos e pessoas com histórico familiar. Na maioria dos casos, a doença se desenvolve de forma silenciosa, a partir de pólipos, pequenas lesões que surgem na parede do intestino e que podem se transformar em tumores ao longo do tempo.

câncer colorretal afeta o cólon e o reto e pode estar associado a fatores genéticos, alimentares e ao estilo de vida. Além do histórico familiiar, diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, incluindo tabagismo, sedentarismo, obesidade, baixo consumo de cálcio, consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ricos em gorduras saturadas e ultraprocessadas, incluindo carnes vermelhas e embutidos, como salsicha, presunto e salame.

Sintomas e prevenção

Os sintomas variam conforme a localização do tumor e podem incluir diarreia, constipação, sangue nas fezes, dor abdominal, sensação de inchaço e perda de peso repentina. Entre os principais sinais e sintomas estão:

  • alteração persistente no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre);
  • presença de sangue nas fezes;
  • dor ou desconforto abdominal frequente;
  • sensação de evacuação incompleta;
  • perda de peso inexplicada e anemia.

A adoção de hábitos saudáveis, como uma dieta rica em fibras, redução da ingestão de gorduras saturadas e moderação no consumo de carnes vermelhas, é essencial para reduzir os riscos da doença”, afirma o professor Marcel Lima Andrade, médico gastroenterologista e docente do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit).  Outras medidas preventivas incluem manter o peso adequado, praticar atividades físicas regularmente e beber pelo menos dois litros de água por dia.

Diagnóstico precoce e tratamento

O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do câncer colorretal, que podem ultrapassar 90% nos estágios iniciais da doença. Ele pode ser feito por meio de exames de rastreamento, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, considerada um dos principais métodos de detecção.

O exame permite identificar e remover pólipos antes que se tornem câncer, além de diagnosticar lesões em estágios iniciais, quando as chances de cura são significativamente maiores. O câncer de intestino tem até 90% de chance de cura.

A colonoscopia é um dos exames mais eficazes para a detecção e remoção de pólipos que possam se transformar em câncer. É fundamental que pessoas com mais de 45 anos ou com histórico familiar da doença realizem exames regulares para garantir um diagnóstico precoce”, alerta Marcel.

O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, com melhores resultados quando o diagnóstico ocorre precocemente. “Além do tratamento, é essencial que os pacientes realizem um acompanhamento regular para detectar qualquer possível recorrência da doença”, completa o especialista.

Com Assessorias

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