O mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz nesta quinta-feira (14/05), acende um alerta vermelho para a saúde infantil no Brasil. De acordo com os dados referentes à Semana Epidemiológica 18 (3 a 9 de maio), todas as unidades federativas apresentam alta incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com um impacto desproporcional em crianças menores de 2 anos, impulsionado majoritariamente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Enquanto a situação epidemiológica nas demais faixas etárias apresenta sinais de estabilização, o cenário nacional revela uma complexa coexistência de diferentes patógenos. Nas últimas semanas, o VSR -vírus geralmente associado à conhecida bronquiolite – saltou para 41,5% de prevalência nos casos positivos, confirmando a urgência de atenção redobrada aos cuidados com a primeira infância.

O Boletim InfoGripe aponta que, embora o VSR domine as hospitalizações infantis, a influenza A é a maior causa de óbitos no país, respondendo por 51,8% das mortes registradas no período.

Prevenção e imunização

A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, reforça que a vacinação continua sendo a ferramenta mais eficaz para evitar casos graves. Ela destaca estratégias específicas para os grupos mais vulneráveis:

  1. VSR: Vacinação de gestantes (a partir da 28ª semana) e uso de anticorpos monoclonais disponíveis no SUS para prematuros ou crianças com comorbidades.

  2. Influenza: Vacina anual destinada a idosos, gestantes, crianças de até 6 anos e pessoas com comorbidades.

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Panorama regional e capitais em risco

O levantamento destaca que 15 das 27 capitais brasileiras apresentam nível de atividade de SRAG em estado de alerta ou risco. Entre elas estão Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Manaus.

  • Região Sul: Apresenta aumento contínuo de hospitalizações por influenza A em todos os estados.

  • Regiões Norte e Sudeste: Estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins também registram avanço da influenza.

  • VSR: Embora cresça em quase todo o país, já dá sinais de queda ou interrupção em parte da região Norte (AM, RR, RO, TO) e Centro-Oeste (GO e MT).

  • Covid-19: Mantém-se em baixa na maioria do território, com desaceleração notável no Maranhão e no Ceará, embora ainda seja a segunda causa de morte entre idosos.

Dados laboratoriais de 2026

Até o momento, o Brasil já notificou 57.585 casos de SRAG em 2026. Entre os casos com resultado positivo para vírus respiratórios, a distribuição acumulada no ano revela a prevalência de:

  • Rinovírus: 36,1%

  • Influenza A: 26,3%

  • VSR: 25,3%

  • Sars-CoV-2 (Covid-19): 7,4%

  • Influenza B: 2,2%

O conceito de Saúde Única diante das crises respiratórias

A recorrência sazonal desses vírus, intensificada por mudanças nos padrões climáticos e pela circulação humana, reforça a importância do conceito de Saúde Única (One Health). A interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental é evidente no comportamento das síndromes respiratórias agudas: o equilíbrio do ecossistema e o monitoramento constante de vírus que circulam entre diferentes espécies são fundamentais para antecipar pressões sobre o sistema de saúde, especialmente em momentos de crise climática que alteram a sazonalidade viral.

Com informações da Agência Fiocruz

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