Celebrado em 12 de setembro, o Dia do Urologista lança luz sobre uma especialidade médica fundamental para a prevenção e o tratamento de doenças que afetam homens e mulheres. Embora seja culturalmente associada à saúde masculina devido ao acompanhamento da próstata e do sistema reprodutor, a urologia é responsável pelos cuidados de todo o trato urinário — rins, ureteres, bexiga e uretra — de pacientes de ambos os sexos.

Com o avanço do conhecimento científico, a especialidade reforça o valor de um cuidado amplo, integrando a saúde do indivíduo aos hábitos de vida e ao ambiente. No público feminino, o urologista atua diretamente no diagnóstico e controle de condições como infecções urinárias de repetição (cistites recorrentes), incontinência urinária associada à idade ou menopausa, cálculo renal, bexiga hiperativa, dores pélvicas crônicas e tumores urológicos.

O cuidado masculino ao longo das fases da vida

Para os homens, a atuação do urologista vai além do trato urinário, englobando com exclusividade o sistema reprodutor e a saúde sexual. As consultas envolvem desde a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) até o tratamento de doenças da próstata, disfunção erétil, infertilidade e problemas testiculares.

O urologista e andrologista Pedro Bastos, de Juiz de Fora (MG), ressalta que as avaliações médicas devem acompanhar cada ciclo biológico:

  • Adolescência: O foco se volta para a verificação do desenvolvimento puberal, presença de fimose, varicocele, assimetria ou nódulos testiculares, além de orientação sobre sexo seguro e vacinação contra o HPV e a hepatite B. “Na adolescência, por exemplo, a consulta pode identificar alterações que não devem ser ignoradas, como fimose, varicocele, dor, nódulos ou assimetrias testiculares. A avaliação também observa o desenvolvimento puberal, a posição e o volume dos testículos. É ainda uma oportunidade para abordar prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, uso de preservativo e vacinação contra HPV e hepatite B. A avaliação deve considerar idade, sintomas, hábitos, vida sexual, histórico familiar e fatores de risco”, explica o médico.

  • Dos 20 aos 30 anos: Ganham importância o planejamento familiar, exames de fertilidade e a avaliação de fatores de risco cardiovasculares e metabólicos. “É nessa fase que a investigação da fertilidade pode ganhar espaço quando existe uma necessidade específica. O espermograma não é um exame de rotina para todos, mas pode ser indicado quando há dificuldade para engravidar ou fatores de risco para infertilidade”, afirma Dr. Pedro Bastos.

  • A partir dos 40 anos: Estabelece-se um histórico preventivo para monitorar a função renal, a pressão arterial, os níveis lipídicos e o rastreamento inicial do risco de doenças prostáticas. “Uma primeira avaliação urológica preventiva por volta dos 40 anos pode ser bastante útil para estabelecer um histórico de saúde, identificar fatores de risco e planejar o acompanhamento das décadas seguintes”, ressalta.

  • A partir dos 50 anos: A investigação do câncer de próstata passa a fazer parte da rotina médica, podendo utilizar a dosagem de PSA (Antígeno Prostático Específico) e o exame de toque retal. Para homens negros ou com histórico familiar da doença, o rastreamento deve começar aos 45 anos devido à maior predisposição genético-estatística, conforme evidenciado em dados do periódico JAMA Network. Sobre o histórico familiar, Dr. Pedro Bastos pondera que “quando existem vários familiares afetados, diagnóstico em idade jovem ou casos associados de câncer de mama, ovário, pâncreas ou próstata agressivo na família, pode haver indicação de iniciar ainda mais cedo e considerar aconselhamento genético”.

Sinais de alerta como presença de sangue na urina ou no sêmen, jato urinário fraco, dores lombares intensas, caroços nos testículos e alterações da função sexual exigem busca imediata por orientação médica, independentemente da idade.

A atenção também vale para a saúde sexual: disfunção erétil persistente, queda importante da libido, infertilidade, sangue recorrente no sêmen, curvatura adquirida do pênis, feridas ou verrugas genitais e dor durante a relação sexual ou ejaculação precisam de atenção.

A consulta urológica não se resume ao exame da próstata. Homens com alterações genitais, urinárias, sexuais ou reprodutivas não devem esperar chegar aos 40 ou 50 anos para procurar um urologista. Quanto mais cedo a causa é identificada, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento e de preservação da qualidade de vida”, conclui o especialista de Juiz de Fora.

Ciência pública em destaque no tratamento do câncer de próstata

O desenvolvimento da medicina urológica no Brasil também passa por avanços na rede pública de saúde. Durante o 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe/Uerj), pesquisadores da instituição conquistaram quatro dos seis principais prêmios do evento com estudos voltados para a cirurgia urológica, inclusive o Prêmio Pedro Ernesto. 

O destaque foi a AORP (Prostatovesiculectomia Retropúbica Anatômica Anterógrada), técnica inovadora desenvolvida pelo médico urologista e pesquisador Fabrício Borges Carrerette no próprio hospital universitário. Idealizado para aplicar conceitos de precisão da cirurgia robótica em procedimentos abertos do Sistema Único de Saúde (SUS), o método registrado na plataforma ClinicalTrials.gov visa democratizar a alta complexidade no tratamento do câncer de próstata.

Esse reconhecimento é resultado de 11 anos de trabalho, pesquisa e, principalmente, de uma equipe que nunca deixou de acreditar. A AORP não nasceu pronta. Foi construída com estudo, rigor científico, pesquisa clínica e muito trabalho dentro de um hospital público”, destaca Dr. Fabrício Borges Carrerette.

O pesquisador enfatiza o impacto social da inovação desenvolvida no ambiente acadêmico: “Tenho um orgulho enorme de toda a equipe. São médicos, pesquisadores, residentes, enfermeiros, estudantes de medicina, profissionais de diferentes áreas e tantos outros que participaram dessa trajetória. Esse prêmio pertence a todos eles e mostra que é possível fazer ciência de excelência, inovação e impacto internacional dentro de uma universidade pública e a serviço do SUS”.

A iniciativa de expansão da técnica ocorre por meio daProstate Access Initiative (PAI), projeto voltado à capacitação profissional e à ampliação do acesso cirúrgico na rede pública nacional. “Se uma pesquisa desenvolvida no HUPE pode transformar conhecimento científico em uma possibilidade concreta de tratamento para quem não tem acesso à tecnologia mais cara, então estamos cumprindo a função maior da universidade pública: produzir conhecimento e fazer com que ele chegue à sociedade”, completa Carrerette.

Informações institucionais detalhadas sobre as diretrizes da especialidade podem ser consultadas na Sociedade Brasileira de Urologia.

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